qual versão pega o São Paulo?

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Breno Bidon, Yuri Alberto, Matheus Bidu e Vitinho
Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Breno Bidon, Yuri Alberto, Matheus Bidu e Vitinho

O Corinthians chega ao clássico contra o São Paulo com uma pergunta incômoda sobre a própria identidade. O time que entra em campo neste domingo (10), às 18h30, na Neo Química Arena, pela 15ª rodada do Brasileirão, será o da Libertadores, dominante e quase blindado, ou o do Campeonato Brasileiro, lento, pouco agressivo e preso na zona de rebaixamento?

Os números mostram dois comportamentos bem diferentes. Na Libertadores, o Corinthians de Fernando Diniz tem 10 pontos em 12 possíveis, sete gols marcados, apenas um sofrido, 61,2% de posse de bola e 85,29% de acerto de passes. No Brasileirão, a realidade é outra: 15 pontos em 14 jogos, 10 gols feitos, 13 sofridos, 17ª colocação e média de apenas três chutes certos por partida.

A diferença não está apenas em ter a bola. No Brasileiro, o Corinthians também fica com ela, com posse média na casa de 53%. O problema é o que faz depois disso. Circula, troca passes, ocupa campo, mas finaliza pouco, machuca pouco e tem sido punido por adversários mais eficientes.

A versão que pode vencer

Se o Corinthians que aparecer contra o São Paulo for o da Libertadores, o clássico muda de figura. Nesse recorte, o time de Diniz tem mais controle territorial, erra menos passes, chega mais ao alvo e praticamente não concede gols.

Fernando Diniz vive lua de mel com o Corinthians
Rodrigo Coca/Corinthians

Fernando Diniz vive lua de mel com o Corinthians

A campanha continental tem 83,3% de aproveitamento, contra 35,7% no Brasileirão. A média de gols também pesa: são 1,75 por jogo na Libertadores e apenas 0,71 no campeonato nacional. Defensivamente, a diferença é ainda mais gritante, com 0,25 gol sofrido por partida no torneio sul-americano contra 0,92 no Brasileiro

Esse é o Corinthians que tem argumento para vencer em Itaquera. Quando consegue transformar posse em pressão, bola parada em ameaça e controle em finalização, o time deixa de parecer refém do jogo e passa a conduzir a partida.

O problema é que essa versão tem aparecido mais fora do Brasileirão do que dentro dele.

A versão que pode sair zerada

No campeonato nacional, o Corinthians tem sido um time que segura a bola sem necessariamente controlar o jogo. A fotografia é dura: 17º colocado, saldo negativo, menos de um gol por partida e pior média de chutes certos da competição dentro do recorte levantado.

A troca de Dorival Jr. por Fernando Diniz melhorou ligeiramente o aproveitamento no Brasileiro, mas ainda não resolveu o ponto central. Com Diniz, foram cinco pontos em quatro jogos no torneio nacional, com dois gols marcados e dois sofridos. A defesa ficou mais estável, mas o ataque seguiu econômico demais para um time que precisa reagir na tabela.

Contra o São Paulo, isso pode custar caro. O rival também vive um trabalho recente, agora com Roger Machado, mas chega com números superiores no Brasileiro: 24 pontos, quarta colocação, 19 gols marcados, saldo positivo de seis, 53,1% de posse, 3,9 chutes certos por jogo e 31 grandes chances criadas.

Roger Machado
Rubens Chiri e Paulo Pinto/São Paulo

Roger Machado

A comparação é cruel para o Corinthians porque os dois têm posse acima de 50%. A diferença está na produtividade. O São Paulo transforma melhor seu volume em chance, tem Calleri com seis gols no Brasileiro e ainda conta com Luciano e Ferreira, ambos com quatro. O Corinthians, no torneio nacional, tem Matheus Bidu como artilheiro, com dois.

O clássico cobra agressividade

Para o Corinthians, o clássico não pede apenas posse de bola. Pede agressividade no campo ofensivo. O time precisa fazer no Brasileirão aquilo que tem feito melhor na Libertadores: avançar com qualidade, pisar na área, finalizar no alvo e impedir que o adversário jogue confortável nos espaços deixados pela circulação de bola.

O clima hostil ao adversário na Neo Química Arena pode ajudar a empurrar o time, mas o torcedor não faz gols. O mando ajuda o timão, mas os números do Brasileiro cobram respostas muito objetivas. O Corinthians precisa chutar mais no gol, criar mais chances limpas e transformar posse em pressão real. Sem isso, o risco é repetir o roteiro no campeonato nacional: muita troca de passe, mas só isso.

O São Paulo, por sua vez, não precisa necessariamente dominar a posse para incomodar. Os dados mostram um time mais eficiente na competição, com mais gols, mais chutes certos e mais repertório ofensivo. Se encontrar campo para atacar, especialmente contra um Corinthians ansioso e obrigado a vencer, pode transformar o clássico em um jogo bem desconfortável para o mandante.

É por isso que a pergunta inicial importa tanto. Se entrar em campo o Corinthians da Libertadores, o time tem números para vencer o São Paulo em casa e transformar o Majestoso em ponto de virada no Brasileiro. Se aparecer a versão do campeonato nacional, lenta, pouco agressiva e com dificuldade para finalizar, o risco é sair da Neo Química Arena zerado e ainda mais pressionado na tabela.



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