
Surfistas antigamente
Olhem esta imagem.
É a foto de petróglifos havaianos encontrados em campos de lava fossilizados em todas as ilhas.
Antigo? Bastante!
Porém, existem registros de surf mais antigos, do ano 1778, na Polinésia.
Um povo de raça amarela, cabelos lisos, altos, fortes, excelentes marinheiros que queriam conquistar o Pacífico, então chegaram em um arquipélago, cujas ondas enormes ficariam mundialmente famosas.
Conta-se que o rei Moikeha, do Taiti, era ambicioso, aventureiro e surfista e, quando chegou no Havaí se estabeleceu em Kauai, casou-se com as filhas (sim, as filhas) do rei local, tiveram filhos, ensinou o surfe e sua história foi passada para seus descendentes. Duas ricas culturas se misturaram.
O surfe antigo era cheio de regras com profundas raízes religiosas, culturais e sociais.
Então, quem podia surfar em pé?
Os reis e suas famílias.
Os “súditos” só surfavam deitados ou sentados e tinham enorme dificuldade para conseguir a madeira apropriada que quando era cortada exigia um ritual de colocar um peixe vermelho em sua base em respeito a natureza.
Cerimônias com danças, músicas, competições, festivais e lutas mortais por causa do surfe eram comuns naquela época.
Em 1778, o famoso explorador inglês James Cook chegou em Kauai e gostou do que viu, mesmo quando os “chatos” missionários que o acompanhavam, ficaram horrorizados e cheios de preconceitos com aquelas pessoas quase nuas em suas tábuas sem motivo algum.
Cook foi morto ali após sua estadia ter ido além do esperado. Os missionários que precisavam trazer a “civilização” para aqueles selvagens, a trouxeram junto com a dizimação da população, de 400 mil para 30 mil pessoas em 1780.
O surfe foi ficando esquecido…
Para alívio geral da nação, em 1907, um tal de George Freeth, de descendência havaiana e inglesa, lutou pela continuidade do surfe e o esporte se tornou uma obsessão comunitária.
No Havaí o surfe é coisa muito séria.
Dois americanos, o escritor Jack London e Henry Huntington, dono de uma compania de ferrovia, se uniram, e para inaugurar a rota Los Angeles x Redondo Beache fizeram uma super festa divulgando que, “trariam um homem que andava sobre as águas”, o tal George Freeth com sua prancha havaiana.
O bicho do surfe contaminou a Califórnia!
Duke Paoa Kananamoku, havaiano, o maior nadador do planeta, maior surfista de todos os tempos, ganhador de várias medalhas de ouro nas Olimpíadas, bateu recordes, depois de encantar a Califórnia, foi convidado para ir à Austrália mostrar sua natação e seu surfe.
Ele espalhou o surfe pelos sete mares.
Nos anos 30, o governo americano adotou pranchas para serem usadas por salva vidas em todas as praias.
Phil Edwards, surfista americano e criador da primeira prancha de surfe exclusiva, em 1947, inventou as manobras que eu, surfista de longboard faço hoje, chamadas hang ten, hang five e cutbacks.
Surfar virou moda nos anos 1950/1960.
Bandas com músicas de surfistas apareceram.
Filmes mostrando o surf do Havaí viraram febre.
Com o tempo as pranchas de 80 quilos passaram a pesar 20 quilos. Veio então a quilha para dar estabilidade. Seu inventor, Tom Blake, foi motivo de muita risada, até vencer campeonatos.
Durante a Segunda Guerra Mundial desenvolveram-se produtos derivados do petróleo como plástico e fibra de vidro. Shapers misturam fibra com madeira, fibra com resina.
Depois chegaram pranchas de espuma, mais leves e práticas. Blocos de poliuretano são fáceis de trabalhar. E hoje as pranchas podem ser de Epóxi ou Poliuretano.
O tempo dos reis havaianos passou… mas por antiguidade, por tradição ou por respeito, lá ainda existe a classe dominante com suas pranchas, bermudas pretas e ondas quase exclusivas e perfeitas.
Polinésios e havaianos…
Americanos e australianos…
Cariocas e paulistas…
Onde começou o surfe?
Importa realmente?
Hoje todos podemos surfar em pé!
Não vamos discutir,
Vamos surfar!Até a próxima! Ihii!Pedro Bento
@pedrobento28

