
Vini Jr. salva o Brasil de derrota na estreia da Copa do Mundo
A minissérie “Brasil 70: A saga do Tri”, da Netflix, mostra a campanha vitoriosa da Seleção Brasileira, de Pelé e companhia, no título da Copa do Mundo daquele ano.
Em determinado momento, antes do início da competição, alguém se aproxima do treinador Zagallo e comenta que “o Tostão estava pedindo passagem”. O “Velho Lobo” escuta o conselho e passa a escalar o ex-jogador do Cruzeiro no time titular. O resto é história.Obviamente que não acredito que Carlo Ancelotti vá ver a minissérie, neste momento, diante de tanto trabalho que tem pela frente. Mas torço para algum auxiliar se aproximar do italiano e mostrar o que ele não quer ver.
Começando a construir a casa pelo telhado
Em primeiro lugar, não se constrói uma casa começando pelo telhado. O técnico italiano, talvez pensando em montar uma equipe com o que o Brasileiro costuma ter de melhor, os atacantes, definiu que seriam quatro em campo.
Contudo, o primeiro passo, assim como na metáfora da casa, é ter um alicerce, uma base, uma estrutura sólida. Ou seja, uma defesa confiável e um meio-campo organizado e robusto.Ficou claro, principalmente nos 30 minutos do primeiro tempo contra Marrocos, que a Seleção Brasileira não tem segurança defensiva. As falhas na marcação começam no ataque, deixam os dois volantes totalmente desguarnecidos. E os laterais e zagueiro em pânico.A sensação é que Casemiro e Bruno Guimarães, amarelados na primeira etapa da partida, entraram de bicicletas em estradas do tipo das Autobahns alemãs.Sem falar no zagueiro Ibañez, improvisado de lateral, que ficou completamente desnorteado e dificilmente terá uma nova oportunidade de começar como titular neste mundial.
Desorganização no meio e ataque

Ancelotti em entrevista coletiva no Metlife Stadium
O ideal, na minha visão, é abrir mão de um atacante para preencher melhor o meio-campo, para não expor tantos defensores. O Brasil passou a ser mais seguro quando fez isso na partida. É melhor você ter um Paquetá, ou um Danilo Santos no meio, mais centralizado. Alguém com maior capacidade de marcação do que o Raphinha, para ajudar a recompor. Aliás, o atacante do Barcelona, que foi um dos piores em campo, pode render muito mais últil nesse momento caótico da Seleção Brasileira, se jogar com um posicionamento parecido com o do Vinícius Júnior.Pela esquerda, o jogador do Real Madrid salvou o Brasil da derrota com um lance individual. Tomara que Raphinha consiga fazer o mesmo pela direita. Caso contrário, sugiro dar mais chances para Luiz Henrique. E se a ideia é organizar o time defensivamente para que os talentos ofensivos “tirem um coelho da cartola”, aí não faz sentido nenhum ter como centroavante o Igor Thiago. Endrick tem muito mais recursos técnicos do que o centroavante do Brentford. Mas, parece que Ancelotti não confia tanto no seu ex-comandado no Real Madrid. O Brasil errou demais contra Marrocos. A má notícia é que precisamos trocar o pneu com o carro andando. Já a boa notícia é que, como foi o primeiro jogo, temos tempo para remontar a equipe com a Copa em andamento. Tomara que Ancelotti mude suas convicções. Por conta própria, ou como disse anteriormente, por sugestões de algum auxiliar. Para que o torcedor não se emocione com a Seleção apenas em uma minissérie fictícia. Mas sim em um torneio real e grandioso como a Copa do Mundo.

