
Igor Thiago e Endrick
A lista de jogadores testados como centroavantes na Seleção Brasileira, no ciclo que começou após a Copa do Catar, em 2022, e vai até o início do Mundial de 2026, impressiona: João Pedro, Richarlison, Igor Jesus, Matheus Cunha, Endrick, Gabriel Jesus, Pedro, Evanilson, Vitor Roque, Yuri Alberto, Kaio Jorge e Igor Thiago.
Isso sem falar nos tais “falsos nove”, esse termo tão utilizado no futebol atual, que representa um atacante que não fica fixo entre os zagueiros e abandona, muitas vezes, a área, para auxiliar o time no meio-campo. A impressão que tenho é que o brasileiro que nasceu na década de 80, como eu, ficou mal acostumado. Careca não foi campeão nas Copas de 1986 e 90, mas era um senhor centroavante.Já em 1994, o técnico Carlos Alberto Parreira soltou a famosa frase: “gol é só um detalhe”. Na minha compreensão, o professor quis dizer que o gol é a consequência natural de um bom sistema de jogo. Mas convenhamos que o marrento Romário foi indiscutivelmente o craque da primeira Copa nos Estados Unidos e os gols dele ajudaram bem o Parreira a se consagrar.Aliás, Ronaldo, antes de ser considerado “fenômeno”, foi àquele mundial como reserva e se tornou titular nas duas edições seguintes, trazendo o penta em 2002. Podemos combinar que foram os últimos centroavantes espetaculares da amarelinha em uma Copa? Adriano tinha um potencial imperial para também ser, mas trocou cedo o futebol por outra vida. Luís Fabiano foi esforçado em 2010. Quatro anos depois, Fred foi chamado de cone por parte da torcida e imprensa. Gabriel Jesus não fez um gol sequer em 2018. E Richarlison não alçou voos altos na Copa passada, mesmo com o sugestivo apelido de “pombo”.

Carlo Ancelotti e Endrick
Endrick e Igor Thiago
Na estreia da Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 2026, Carlo Ancelotti escalou Igor Thiago, que só não passou despercebido em campo porque errou uma cabeceada, daquelas indescupáveis para um centroavante.
Na segunda etapa, quando boa parte da torcida esperava a entrada de Endrick na vaga de Igor Thiago, o treinador optou por Matheus Cunha, que também não me parece que vai resolver o problema do ataque da Seleção.
Não sei se Endrick será escalado na sexta-feira contra o Haiti. Mas está na cara que Ancelotti ainda não encontrou o cara certo para a posição. Aliás, os antecessores dele neste último ciclo da Copa – Dorival Júnior, Fernando Diniz e o interino Ramon Menezes – também não. Pelo jeito, falta mão de obra qualificada para a função de centroavante. E assim, por incrível que pareça, o Brasil, um país com tantos artilheiros no passado, está se tornando um país com “falsos nove”, no pior sentido do termo. Estamos com fome de gols.

