
Carlo Ancelotti
O Italiano Carlo Ancelotti está a pouco mais de um ano no comando da Seleção Brasileira e talvez ainda desconheça alguns dos ditados populares famosos no país do futebol.Ele não deve saber, por exemplo, que, na última entrevista coletiva, deixou muitos jornalistas com a ‘pulga atrás da orelha’, com uma declaração curiosa, ao ser perguntado se falta identidade à Seleção:“Brasil tem várias identidades, não quero uma só. Minha equipe tem que fazer muitas coisas, quero que ela faça muitas coisas: defender com bloco baixo, atacar, aproveitar da qualidade dos jogadores, ser agressivos na frente, ser agressivo em sua área”.No entanto, todo brasileiro sabe que ‘mais vale um pássaro na mão do que dois voando’. Ou seja, em determinados momentos é preciso optar por algo seguro e simples, do que sonhar com promessas incertas e complexas. É compreensível que em um esporte tão dinâmico quanto o futebol, um time tenha comportamentos variados dentro de campo. Mas, quanto menor o tempo disponível para treinar e trabalhar, mais difícil é conseguir executar essas múltiplas tarefas.Afinal, ‘a pressa é inimiga da perfeição’ e o treinador teve pouco tempo disponível para implementar sua filosofia.

Danilo contra Marrocos na Copa do Mundo
‘Gato escaldado tem medo de água fria’
O empate por 1 a 1 com Marrocos, na estreia na Copa, deixou muitos torcedores frustrados, pois a equipe africana foi amplamente superior na primeira etapa da partida.
Assim, não adianta Ancelotti enumerar, da boca para fora, as características que deseja para seu time se, na prática, o Brasil não comprova isso em campo. ‘Cão que ladra não morde’, professor.
Claro que o nível do adversário da segunda rodada, o Haiti, é bem inferior e o Brasil deve vencer. Mas é preciso já formatar a equipe verde e amarela para os jogos decisivos da competição. Portanto, ‘se a voz do povo é a voz de Deus’, no ataque a chance deveria ser dada para o Endrick e não para Igor Thiago ou Matheus Cunha. Na defesa, nada de improvisar mais uma vez o zagueiro Ibañez. Por mais que o substituto dele, o Danilo, seja um jogador que tem atuado bem mais como lateral do que na zaga nos últimos tempos.

Com o corte de Wesley, Danilo pode ser titular na estreia da Copa do Mundo
Aliás, na altura dos seus 34 anos, o defensor do Flamengo já não está mais no seu auge físico e técnico. Entretanto, tem experiência de sobra, pois jogou em grandes clubes e está na terceira Copa do Mundo da carreira.
Ele deu a letra para o professor – e todos os brasileiros – na última entrevista coletiva:
“Não temos a maturidade de uma equipe da França, da Argentina, enquanto equipe. O que não quer dizer que não podemos fazer um bom papel, ganhar, chegar longe. Entretanto, as ferramentas para ganhar as partidas são diferentes, temos que usar outros mecanismos. Talvez ficar um pouco mais baixo, talvez não pressionar tanto, talvez aceitar que a posse de bola e comando do jogo possam ser do adversário. Isso para mim é maturidade. E saber que quando eles derem uma brecha, nós temos Vinicius, Raphinha, Endrick, Rayan. Temos gente que na hora que derem uma brecha, nós vamos fazer o gol”.
Ou seja, como o time brasileiro não teve muito tempo para adquirir a tal maturidade, ou coletividade, o melhor é fazer o básico: defender bem. E deixar que nossos talentos individuais resolvam lá na frente, como Vini Jr. fez na estreia.
Essa é a identidade que a Seleção necessita, Ancelotti: simplicidade, Depois, não vá dizer que eu não avisei. Aí, ‘não adianta chorar pelo leite derramado’.

