Vasco e técnicos portugueses: uma relação turbulenta

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Álvaro Pacheco foi um dos mais criticados pela torcida vascaína
Leandro Amorim/Vasco

Álvaro Pacheco foi um dos mais criticados pela torcida vascaína

O Vasco da Gama é um clube fundado por imigrantes portugueses no Rio de Janeiro em 1898, mas a relação do time com técnicos da mesma origem nunca foi das melhores. A torcida não tem boas recordações de treinadores portugueses à frente da equipe cruzmaltina. Com a chegada de Pedro Emanuel, o clube inicia seu quarto capítulo nessa história.

Os três portugueses que passaram pelo Gigante da Colina antes de Emanuel deixaram marcas diferentes, mas nenhum conseguiu se firmar no cargo por muito tempo. Relembre a passagem de cada um deles.

Ernesto foi o primeiro português a assumir o comando do Vasco
Reprodução/NetVasco

Ernesto foi o primeiro português a assumir o comando do Vasco

Ernesto Santos – 1946

O primeiro capítulo dessa história tem poucas linhas. Em 1946, a diretoria do Vasco publicou um anúncio de três colunas nos principais jornais cariocas e paulistas, convocando técnicos com experiência nas federações paulista e carioca. Após cinco dias de inscrições, o escolhido foi Ernesto dos Santos, ex-zagueiro português que mais tarde se tornaria professor catedrático da UFRJ e da UERJ. O Vasco terminou na quinta colocação do Campeonato Carioca daquele ano e, no início de outubro, Santos pediu demissão após 77 dias no cargo.

Depois de 80 anos Ricardo Sá Pinto foi o segundo português a treinar o Vasco
Rafael Ribeiro/Vasco

Depois de 80 anos Ricardo Sá Pinto foi o segundo português a treinar o Vasco

Ricardo Sá Pinto – 2020

Quase 75 anos separaram o primeiro do segundo português no banco da equipe cruzmaltina. Sá Pinto chegou em outubro de 2020 num momento conturbado do clube, ainda sob o impacto da pandemia. O treinador havia se destacado no Braga e no Standard Liège antes de aceitar o desafio brasileiro, mas a passagem pelo Vasco não emplacou. Foram 15 jogos, três vitórias, seis empates e seis derrotas, com aproveitamento de apenas 31%. A demissão veio no dia 29 de dezembro e o time terminou a temporada rebaixado à Série B, mesmo após a troca de comando.

Álvaro Pacheco, o
Leandro Amorim/Vasco

Álvaro Pacheco, o “boina”, teve uma passagem relâmpago no clube carioca

Álvaro Pacheco – 2024

A chegada de Álvaro Pacheco em maio de 2024 gerou entusiasmo na torcida. O treinador virou fenômeno rapidamente em São Januário, com torcedores aparecendo nas arquibancadas usando boinas em referência ao acessório que era sua marca registrada. A lua de mel durou pouco. A estreia foi uma goleada de 6 a 1 para o Flamengo no Maracanã, um dos resultados mais pesados da história do clássico. Quatro jogos, três derrotas e aproveitamento de 8,3%. A demissão veio 29 dias após a contratação. O desfecho ainda gerou uma batalha jurídica, com Pacheco acionando a FIFA para cobrar salários até o fim do contrato.

Pedro Emanuel chega na expectativa de mudar esse retrospecto negativo de portugueses no comando do Vasco
Reprodução/@VascodaGama

Pedro Emanuel chega na expectativa de mudar esse retrospecto negativo de portugueses no comando do Vasco

Pedro Emanuel – 2026

Pedro Emanuel ainda não estreiou pelo Vasco, mas chega carregando a esperança de ser o primeiro técnico português a deixar uma marca positiva no clube. O currículo é diferente dos três antecessores, com passagem como zagueiro no Boavista e pela era do Porto de Mourinho, onde conquistou Champions League, Copa da UEFA e Mundial de Clubes entre 2003 e 2004.

No banco, ganhou a Taça de Portugal pela Académica em 2012 numa final improvável contra o Sporting, e levou o Al-Taawoun ao primeiro título da Copa do Rei da Arábia Saudita em 2019, sendo eleito o melhor treinador da liga naquela temporada. Chega ao Vasco com contrato até dezembro de 2027 e estreia na quinta-feira (16) contra o Vitória, no Barradão, pela 19ª rodada do Brasileirão, com a missão de tirar o clube do Z4.



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