Crise na Fifa ameaça futuro político de Infantino

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Crise na Fifa ameaça futuro político de Infantino
Reprodução/Melanie Anzidei via The Athletic

Crise na Fifa ameaça futuro político de Infantino

Agora que Gianni Infantino descartou seu polêmico plano de abrir a Copa do Mundo e outros eventos da Fifa para investidores privados, a Uefa retirou o boicote que havia anunciado contra a entidade. No entanto, a confereração europeia afirma que ainda está “reconstruindo a confiança” com a Fifa — e a história parece longe de terminar.

Apesar de haver pouca menção ao futebol feminino na proposta arquivada de Infantino, o primeiro teste dessa conjuntura instável serão as competições entre mulheres: a Copa do Mundo Sub-20, que começa em 5 de setembro, na Polônia, e a Copa do Mundo Sub-17, em outubro, no Marrocos. Haverá também as eliminatórias para a Copa do Mundo feminina do próximo ano, que vai acontecer no Brasil.

Embora um boicote não esteja mais em pauta, os jogos serão mais difíceis de administrar diante do atual caos em torno da entidade que governa o futebol mundial, cenário longe do ideal para quem participa de torneios dessa magnitude.

F ederações retiram apoio a Infantino

Com a Uefa, órgão que governa o futebol europeu, apresentando uma frente unificada, presume-se que a maioria, senão todas, as federações do continente retirem seu apoio a Gianni Infantino nos próximos dias.

O primeiro país a retirar publicamente esse apoio foi a Finlândia, na semana passada. O País de Gales seguiu o mesmo caminho nesta segunda-feira (03/08), afirmando em comunicado que “não colocar os melhores interesses do futebol em primeiro lugar é uma falha que não podemos aceitar”. A Inglaterra fez o mesmo, momentos depois.

A Federação Alemã de Futebol (DFB), maior associação esportiva do mundo, ainda não retirou oficialmente seu apoio. A expectativa, porém, é que o faça, especialmente diante das recentes declarações do diretor da DFB, Andreas Rettig.

Em entrevista recente à revista Stern, o dirigente de 63 anos afirmou que as ações mais recentes de Infantino provocaram “uma perda irreparável de confiança” e que o futebol precisa “apertar o botão de reinicialização”. “Precisamos de uma cultura diferente. Porque confiança é a moeda mais valiosa.”

“Na minha visão, Infantino investiu muito tempo, dinheiro e energia para manter sua estrutura de poder. Claramente, muitas decisões serviram principalmente para consolidar sua própria posição”, acrescentou Rettig.

Eleição para a presidência da Fifa

A eleição para o cargo ocupado por Infantino acontecerá em 18 de março de 2027, durante o 77º Congresso da Fifa, em Rabat, no Marrocos.

Ele disputará a reeleição para um último mandato de quatro anos. Para vencer, precisará obter 106 votos dos 211 países-membros da Fifa. A Uefa possui 55 votos, a África (CAF) tem 54, a Ásia (AFC), 46, a América do Norte (Concacaf), 35, a Oceania (OFC) 11 e a América do Sul (Conmebol), 10. Cada associação nacional tem direito a um voto, e a escolha é realizada por voto secreto, processo que costuma levar tempo.

No entanto, parece que a pressão sobre Infantino aumenta. Se 19 dos 37 integrantes do Conselho da Fifa, principal órgão executivo da entidade, convocarem uma reunião de emergência nas próximas duas semanas, ele poderá ser pressionado a renunciar. Diversos membros do conselho, incluindo o alemão Bernd Neuendorf, criticaram publicamente Infantino por não consultá-los sobre seus planos mais recentes.

Também poderá haver um Congresso Extraordinário da Fifa caso 43 federações façam uma solicitação formal. Como a Uefa reúne 55 membros, ela tem força suficiente para requerer isso a qualquer momento. Para que Infantino fosse destituído por meio de um voto de desconfiança, seriam necessários 106 votos.

Antes de sua tentativa de vender participações em competições da Fifa a investidores privados terminar em meio ao caos e à ampla condenação pública, Infantino parecia praticamente certo de conseguir a reeleição. Segundo informações divulgadas, a Copa do Mundo deste verão gerou receitas de 15 bilhões de dólares (cerca de R$ 81 bilhões), valor muito superior ao esperado e que teria fortalecido sua posição dentro da organização, já que grande parte desses recursos seria redistribuída entre as federações filiadas.

Não há candidatos claros para suceder Infantino

Nasser al Khelaifi
Reprodução/Instagram

Nasser al Khelaifi

Desde que a posição de Infantino passou a ser questionada na última semana, multiplicaram-se as especulações sobre quem poderia sucedê-lo. Mas ainda é cedo para avaliar a consistência dessas hipóteses. De qualquer forma, eventuais candidatos precisam registrar suas candidaturas até 18 de novembro.

Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain, era apontado como um possível candidato devido à sua influência crescente no futebol mundial. No entanto, o dirigente catariano descartou essa possibilidade recentemente. Segundo a revista Politico, um representante afirmou: “Nasser não tem absolutamente nenhuma ambição, nenhuma intenção e nenhum interesse no cargo da Fifa”. O Catar está entre as poucas federações que manifestaram apoio público a Infantino nos últimos dias.

O candidato mais óbvio seria o atual presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, mas o advogado esloveno também não demonstrou interesse no posto.

O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, é um dos poucos nomes que já manifestaram interesse pela função. No entanto, não está claro se o dirigente, que fala inglês, francês, italiano e espanhol, está disposto a desafiar Infantino neste momento.

A presidente da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness, tem apoiadores e, após uma tentativa frustrada inicial, passou a integrar o Comitê Executivo da Uefa em 2025. Mas acredita-se que seu estilo direto, que lhe rendeu admiradores, não tenha o apelo considerado necessário para uma candidatura à presidência da Fifa. O fato de ser mulher tampouco favorece sua campanha, segundo observadores.

Por fim, o presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Salman bin Ibrahim Al Khalifa, derrotado por Infantino na eleição de 2016, pode surgir como candidato caso a AFC se afaste da Fifa da mesma forma que a Uefa.

Integrante da família real do Bahrein, o dirigente de 60 anos classificou as ações de Infantino como “totalmente inaceitáveis”. No entanto, ele enfrenta críticas de organizações de direitos humanos e de ativistas por suposta cumplicidade em abusos ocorridos durante os protestos no Bahrein em 2011. Ele nega as acusações, e não foi condenado por nenhum tribunal por violações de direitos humanos.

Autor: Jonathan Harding



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