Brasileirão muda regras contra cera; veja o que muda

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Taça do Brasileirão
LUCAS FIGUEIREDO/CBF

Taça do Brasileirão

O Brasileirão passa a adotar neste fim de semana um novo pacote de regras para combater a cera e aumentar o tempo de bola rolando. As mudanças entram em vigor já na 23ª rodada da Série A e atingem situações comuns nas partidas, como atendimento médico, substituições, cobranças de lateral e tiros de meta.

As medidas foram aprovadas por clubes das Séries A e B em reunião realizada na última segunda-feira. Boa parte delas já havia sido testada durante a Copa do Mundo de 2026. O objetivo da CBF é aproximar o futebol brasileiro das principais ligas internacionais em um dado que preocupa a entidade: atualmente, uma partida da Série A tem, em média, apenas 52 minutos e 54 segundos de bola efetivamente em jogo.

Atendimento médico pode deixar time com um a menos

A mudança com potencial de causar maior impacto envolve os atendimentos dentro de campo.

A partir de agora, o jogador que receber assistência médica precisará permanecer pelo menos 60 segundos fora do gramado antes de ser autorizado a retornar. Durante esse período, sua equipe ficará com um atleta a menos.

A regra busca reduzir paralisações provocadas por jogadores que ficam no chão para gastar tempo. Há ainda uma particularidade para os goleiros: caso o arqueiro precise de atendimento, um jogador de linha terá de deixar o campo durante um minuto.

O treinador terá dez segundos para indicar quem sairá. Se não fizer a escolha dentro do prazo, o capitão será retirado temporariamente. Caso o próprio goleiro seja o capitão, a saída caberá a um jogador definido previamente por sorteio.

Laterais e tiros de meta terão contagem regressiva

A demora para repor a bola também passa a ser combatida diretamente.

Quando identificar que um jogador está atrasando deliberadamente uma cobrança de lateral, o árbitro poderá iniciar uma contagem regressiva de cinco segundos, sinalizada com os dedos.

Se o lateral não for cobrado dentro desse período, a posse será revertida e o adversário ficará com a cobrança.

O procedimento será semelhante nos tiros de meta. A diferença está na punição: se a cobrança não acontecer dentro dos cinco segundos após o início da contagem, o adversário ganhará um escanteio.

Também haverá limite nas substituições. Depois que o quarto árbitro levantar a placa, o jogador terá dez segundos para deixar o campo. Caso ultrapasse o tempo sem uma justificativa médica, seu substituto precisará esperar um minuto para entrar, deixando a equipe temporariamente com dez jogadores.

VAR também ganha nova possibilidade de intervenção

O pacote amplia ainda o campo de atuação do VAR.

O árbitro de vídeo poderá intervir quando um jogador receber por engano um segundo cartão amarelo, situação que resultaria em expulsão. Como se trata de um erro objetivo, a correção pode ser comunicada diretamente ao árbitro de campo, sem necessidade de revisão no monitor.

Outra regra incorporada é a que ficou conhecida como “Lei Vini Jr.”. Um jogador, reserva ou atleta já substituído poderá ser expulso caso cubra a boca para dirigir a um adversário uma mensagem considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória. A medida também foi aplicada durante a Copa do Mundo.

Para 2027, está prevista ainda a possibilidade de revisão pelo VAR quando um escanteio concedido de maneira equivocada resultar diretamente em gol ou pênalti.

CBF quer mais de seis minutos de bola rolando

Os números ajudam a explicar a mudança. De acordo com estudo apresentado pela CBF, a Série A registra atualmente média de 52min54s de bola rolando, atrás de campeonatos como MLS, Bundesliga, Ligue 1, Premier League, LaLiga e Serie A italiana. Entre as competições comparadas, apenas a liga argentina teve índice inferior.

A MLS lidera a comparação, com 57min12s. Na Alemanha, a Bundesliga registra 56min18s, enquanto a Premier League aparece com 55min23s.

A meta inicial da CBF é elevar o Brasileirão para aproximadamente 57 minutos de bola em jogo, um crescimento próximo de 9%.

A entidade calcula que somente a redução do tempo desperdiçado em faltas, reposições de bola, atendimentos médicos e intervenções do VAR pode acrescentar 6 minutos e 22 segundos de jogo efetivo por partida. Se a aplicação funcionar como projetado, o Brasileirão poderá superar até a meta inicialmente estabelecida pela própria CBF.



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