
Tifanny veste a camisa do Osasco desde 2021 e foi campeã da Superliga 2024/25 pela equipe
Tifanny Abreu se pronunciou pela primeira vez após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciar uma nova política de elegibilidade para as competições femininas. Emocionada, a jogadora do Osasco afirmou viver um momento difícil e disse que pretende lutar para continuar no esporte.
A nova norma, publicada na sexta-feira (14), limita a categoria feminina das competições organizadas pela CBV a atletas classificadas pela entidade como do sexo biológico feminino. A elegibilidade será verificada por meio da triagem do gene SRY. Na prática, a regra impede Tifanny, mulher trans, de disputar torneios nacionais como a próxima Superliga.
“Não vou me calar”
Tifanny falou sobre a situação após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista. A atleta leu um texto preparado por ela e admitiu que a decisão teve forte impacto emocional.
“Não foi fácil. Foi uma noite muito difícil para mim”, afirmou. Tifanny lembrou que já soma dez anos atuando no voleibol feminino e argumentou que a mudança não atinge apenas sua carreira, mas também o clube, torcedores, patrocinadores e pessoas que acompanham sua trajetória.
A jogadora também criticou a volta da utilização de testes genéticos para definir a elegibilidade na categoria feminina. Para Tifanny, a medida representa um retrocesso na discussão sobre inclusão no esporte.
Ao falar sobre os próximos passos, foi direta: “Não vou me calar”. A atleta afirmou que pretende tomar as medidas possíveis para defender sua permanência no esporte e os direitos pelos quais diz lutar ao longo da carreira.
O que mudou nas regras da CBV
A política entrou em vigor em 14 de agosto e será aplicada na Superliga A e B 2026/27, Supercopa 2026, Copa Brasil 2027 e em competições nacionais adultas de vôlei de praia a partir de 2027.
Pelo regulamento, todas as atletas que pretendem competir na categoria feminina deverão passar por uma triagem para detectar a presença ou ausência do gene SRY. A coleta poderá ser feita por saliva, mucosa bucal ou sangue.
Atletas com resultado SRY negativo atendem ao critério estabelecido pela entidade. Já aquelas com resultado positivo não poderão competir na categoria feminina, com exceção de condições médicas específicas previstas no documento.
A CBV afirma que a nova política segue parâmetros adotados internacionalmente pelo Comitê Olímpico Internacional, pela Federação Internacional de Voleibol e pela Confederação Sul-Americana. Segundo o presidente da entidade, Radamés Lattari, a intenção é alinhar as competições brasileiras aos critérios atualmente utilizados fora do país.
Tifanny pode jogar o Paulista
A situação de Tifanny será diferente no Campeonato Paulista. A Federação Paulista de Volleyball decidiu manter as regras que estavam em vigor quando o estadual começou, em 13 de agosto, um dia antes da publicação da nova política da CBV.
Com isso, Tifanny continua liberada para defender o Osasco no Paulista de 2026. A FPV informou que eventuais mudanças para as próximas competições serão definidas depois de análises das áreas jurídica e de saúde.
O Osasco também se posicionou contra a forma como a mudança foi implementada. O clube afirmou ter sido surpreendido pela publicação e disse que não participou da elaboração da nova política. O departamento jurídico já analisa a norma e possíveis medidas.
Tifanny veste a camisa do Osasco desde 2021 e foi campeã da Superliga 2024/25 pela equipe. Agora, poderá terminar normalmente o Campeonato Paulista, mas, pelas regras atualmente estabelecidas pela CBV, não estará elegível para disputar a Superliga 2026/27.
