
São Paulo vota reforma do Estatuto com oposição da situação
O Conselho Deliberativo do São Paulo vota nesta quarta-feira (26/8) as propostas de reforma do Estatuto do clube. Os cinco grupos políticos ligados à situação, que apoiam o presidente Harry Massis, se posicionaram contra a análise neste momento e defendem que a discussão fique para a próxima gestão.
Em nota conjunta, Participação Tricolor, Legião Tricolor, Sempre Tricolor, Vanguarda Tricolor e Somos São Paulo afirmaram que “alterações dessa relevância não podem ser apresentadas e submetidas à votação sem prazo adequado”. A reunião inicialmente aconteceria na segunda-feira da semana passada, mas o Conselho adiou a votação justamente por causa da reclamação sobre o prazo.
Os grupos, entretanto, ressaltaram que não são contra uma reforma. Segundo a nota, a aliança não está “rejeitando uma reforma”, mas entende que o debate deve ocorrer durante a próxima gestão.
Ao todo, o projeto reúne 54 propostas de alteração, divididas em 11 blocos. Um 12º bloco trata de uma disposição transitória que prevê um estudo de viabilidade para uma eventual transformação do futebol do São Paulo em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Entre as principais mudanças, a proposta mexe na estrutura do Conselho de Administração. O colegiado passaria dos atuais nove integrantes para uma composição com três conselheiros, um representante do Conselho Consultivo e cinco membros independentes.
Atualmente, o órgão reúne o presidente, o vice-presidente, três conselheiros, um membro do Conselho Consultivo e três independentes indicados pelo presidente. Pela reforma, uma empresa especializada em recrutamento de executivos selecionaria os cinco membros independentes. Depois, o Conselho Deliberativo precisaria aprovar os nomes em votação aberta, com três votos para cada conselheiro.
Mudanças internas no São Paulo
A remuneração desses integrantes também mudaria. O Conselho Deliberativo passaria a definir os valores, sem o limite atual que estabelece como teto 70% do salário máximo do funcionalismo público, hoje em R$ 46.366,19.
Além disso, o presidente do São Paulo deixaria de assumir automaticamente a presidência do Conselho de Administração. Os nove integrantes escolheriam internamente quem ocuparia a função.
A reforma também propõe mudanças no setor de compliance. Em vez de responder à diretoria administrativa, formada pelo presidente e pelo vice, o departamento ficaria ligado ao Conselho de Administração e teria comunicação direta com os integrantes do colegiado.
Outra alteração envolve o orçamento. O Conselho de Administração não apenas analisaria a proposta orçamentária, como também ficaria responsável por elaborá-la. O grupo ainda teria acesso, em até sete dias, aos contratos de jogadores, comissão técnica e intermediários ligados ao departamento de futebol.
Além disso, o projeto prevê que o Conselho de Administração elabore um planejamento estratégico com horizonte de três a cinco anos, ampliando sua participação na condução do clube.
Mesmo que o Conselho Deliberativo aprove as mudanças, a reforma ainda precisará passar por uma Assembleia Geral com os sócios. Caso avance em todas as etapas, as novas regras só entrarão em vigor a partir de 2027, já sob a próxima gestão.

