Ambição no discurso condiz com a realidade do Botafogo?

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Botafogo, em 11º lugar, está longe da zona de classificação para a LibertadoresFoto: Vítor Silva/Botafogo

Um pouco mais de seis mil abnegados saíram de casa e enfrentaram uma temperatura atípica para estar no Estádio Nilton Santos, na última segunda-feira (24), no encerramento da 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. Esvaziado pelas condições climáticas, horário incompreensível e falta de bons resultados do administrador, o Colosso do Subúrbio foi o palco de mais uma jornada de insucesso do Botafogo. A derrota para o Paranaense por 3 a 2, na Versalhes carioca, escancara, assim, uma série de complicações dentro das quatro linhas e a necessidade da contratação de reforços. Hora, portanto, de o scout colocar a mão na massa, mapear nomes e demonstrar o talento para encontrar opções dentro do orçamento de um clube em recuperação judicial.

Breve análise do elenco

A janela de transferências segue aberta até 11 de setembro, no entanto, o Botafogo ainda não resolveu lacunas importantes do elenco. Para quem já contou com Perri, Gatito e John, os novos goleiros são comuns. Vitinho maltratou a retina do público pela falta de capricho ao concluir as jogadas de ataque. No entanto, se o camisa 2 sai, entra Ponte, jogador que acelera o envelhecimento de cada torcedor alvinegro pela falta de atributos defensivos. Ainda na retaguarda, falta um zagueiro do porte de Barboza, hoje no Palmeiras. Ferraresi seria este nome, mas está em uma fase ruim. Justino é vítima da falta de experiência e sente facilmente a fase ruim do clube.

Quem é o “5” do Botafogo? Huguinho teve uma sequência de duas boas exibições, ganhou alguma projeção e caiu vertiginosamente. Allan recebeu uma chance e não correspondeu como cão de guarda. Pecou na marcação. Domingos, recém-contratado, quase não joga. A zaga está sempre exposta, algo que eleva o número de gols sofridos do time alvinegro. Martín Anselmi, Franclim Carvalho e Rodrigo Bellão já dirigiram a equipe em 2026. Parece que ninguém sabe a fórmula para conter esta sangria.

Os pontas não ajudam. Joga Toledo. Todo mundo pensa: “Que horas ele vai colocar o Martins?”. O técnico escala o camisa 11. “Por que não bota o garoto ali?”. Nenhum dos dois enche os olhos. Um deles, aliás, já arrumou as malas para meter o pé. Do outro lado, o mesmo drama. Tanto faz se é Villalba ou Júnior Santos. O time tem criado muito pouco pelos lados. Por fim, ainda na frente, não há um bom definidor. Cabral passou a imagem de um centroavante que fura a bola, sem goleiro, na pequena área. Pereira, o substituto, apresenta mobilidade, só que é menos definidor. Vem aí, então, Tiquinho para resolver a equação. O carismático centroavante foi protagonista em 2023 e um excelente coadjuvante em 24. Nos anos seguintes, porém, apresentou pouquíssimos predicados para ser o “9” do Fogão.

Enfim, acertos

Apesar da crise e de um mal-estar com as arquibancadas, o Botafogo, nas últimas semanas, anotou dois golaços ao renovar com o lateral-esquerdo Telles e o meia Montoro. Dois jogadores com contribuições diferentes no universo preto e branco. O primeiro calcificará a idolatria ao reforçar estes laços com o Mais Tradicional, seguindo a linhagem de ídolos históricos da posição. O segundo caminha para ser o próximo camisa 10 da seleção argentina, conjuntura que o clube soube antecipar. Estes acertos minimizam alguns estragos dos últimos dias. Mas a resposta ainda não é suficiente para acalmar a massa e provar que o Glorioso planeja muito mais do que flutuar pela metade da tabela do Campeonato Brasileiro.

*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.



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