
Kelly Slater em Teahupo’o
Algumas etapas do campeonato é comum assistir apenas pela competição e pelo show de surf, mas Teahupo’o você assiste pela emoção absurda de ver os melhores surfistas do mundo enfrentando algo que não parece real.
Uma laje rasa de coral no meio do oceano do Pacífico, formando tubos muito pesados, velozes e sem margem para erro. Não é à toa que os próprios surfistas chamam de “End of the Road”(o fim da estrada). E mais uma vez, a competição entregou um show incrível, tudo que Teahupo’o costuma prometer.
Seth Moniz e a vitória que demorou demais
O caminho até o título foi o mais duro possível, Seth eliminou seis adversários diretos consecutivamente, entre eles o atual campeão mundial Yago Dora na segunda rodada e Ítalo Ferreira,então líder do ranking, na semifinal. Vencer Yago em uma bateria em Teahupo’o, algo muito difícil, já seria suficiente para fazer qualquer surfista celebrar, mas Moniz foi além, fez isso e ainda venceu todo mundo que o enfrentou.
“Essa semana inteira foi surreal. Surf é um esporte muito difícil, mas eu me dediquei muito a isso e fui recompensado, valeu a pena”, disse o havaiano após a conquista. Seth é um daqueles surfistas que todo mundo do circuito tem respeito, mas que raramente aparece como um dos favoritos ao título. Esse tipo de vitória em Teahupo’o, é algo muda o status de um surfista e competidor, agora ele vai ser visto e falado de outra forma.
No feminino, a canadense Erin Brooks, de 19 anos, venceu sua primeira etapa do CT na carreira, superando a israelense Anat Lelior em uma final que sem dúvidas está entre umas das melhores finais femininas da história do circuito. Dezenove anos, primeira vitória no CT, em Teahupo’o, a onda mais perigosa do circuito, esse é o tipo de começo de carreira que faz todo mundo abrir o olho.
Ítalo lidera o ranking, mas saiu de maca
Ítalo Ferreira deixou o Taiti com a lycra amarela de líder do ranking masculino, com 39.930 pontos. Mas também saiu preocupado, porque depois da derrota na semifinal para Moniz, ele falou em lesão. Os detalhes ainda estão sendo avaliados, mas a temporada está longe do fim, então qualquer problema físico nesse momento é um alerta vermelho.
Junto a isso, Ítalo também acabou tendo um corte sério no nariz e teve que levar 5 pontos, mas é algo que já está sendo resolvido e não vai o atrapalhar. Torço para que a lesão tenha sido apenas um susto e não um problema sério.
Fioravanti, competidor italiano, chegou ao Taiti liderando o ranking com apenas 85 pontos de vantagem sobre Ítalo, mas perdeu logo no Round 2 para o marroquino Ramzi Boukhiam, e viu o brasileiro assumir a ponta. É a volatilidade do circuito funcionando, uma derrota no lugar errado pode custar a liderança que você construiu em meses.
Kelly Slater eliminou Gabriel Medina. Aos 54 anos.
Não dá para escrever sobre essa etapa sem falar desse momento.
Gabriel Medina, tricampeão mundial com dois títulos e seis finais em Teahupo’o, foi eliminado por Kelly Slater, que competia como convidado (wildcard) aos 54 anos, venceu por 19.06 a 16.10, com notas de 9.73 e 9.33, doze anos após a final histórica que os dois fizeram nesse mesmo pico, em 2014. Esse é um vídeo que sempre vejo no Youtube, sem dúvidas, uma das melhores finais que já vi.
Kelly estava sendo altamente criticado nas redes sociais, muitos dizendo que ele estava velho demais e que não tinha mais o nível de surf necessário, mas ele mostrou o motivo de ser chamado de “Melhor de todos os tempos”.
A maioria dos surfistas profissionais encerra a carreira antes dos 30/35 anos, mas Kelly Slater, aposentado desde 2024, voltou como wildcard e eliminou um dos maiores surfistas do mundo, no pico mais difícil do planeta e fazendo uma performance absoluta, que muitos dos outros surfistas nem conseguiriam fazer. Essa é uma história que não existe parecida em nenhum esporte.
Filipe Toledo também caiu logo no Round 2, junto com Yago Dora dividindo o 17º lugar com apenas 1.000 pontos para cada um.
Mudança do novo formato
A partir desse ano, o título mundial não é mais decidido num dia de finais entre cinco surfistas, ele é definido pelos nove melhores resultados de cada atleta ao longo das doze etapas da temporada. Algo que muda completamente a estratégia da temporada, porque um resultado ruim em Teahupo’o não necessariamente afunda a campanha de ninguém, desde que os outros resultados sejam superiores, mas também significa que consistência ao longo do ano vale mais do que um pico isolado num evento específico.
Apesar de gostar bastante do formato do “Finals”, acredito que dessa forma o campeão é realmente quem surfou melhor o ano inteiro, sendo algo mais justo com quem mais se dedicou. Qual a sua opinião?
Por exemplo, para o Ítalo, que lidera com uma campanha sólida, essa é uma ótima notícia, mas para Yago e Medina, que precisam reagir, é um pouco mais difícil. Mesmo assim, o calendário ainda tem muito a oferecer e acredito que eles vão conseguir fazer ótimos resultados.
O que vem por aí
A temporada segue pegando fogo, e o circuito ainda tem etapas pela frente, incluindo Peniche, em Portugal, entre 22 de outubro e 1 de novembro, e o ranking está bem longe de definido. Como disse, um resultado ruim, pode mudar completamente o jogo. Vai ser irado!
Até a próxima! Ihii!
Pedro Bento
@pedrobento28

