Eu acreditei que já tinha visto tudo

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Em virada sensacional na sua Arena, Atlétio elimina o Cruzeiro e vai para a semifinal da Copa do Brasil
Foto: Pedro Souza / Atlético

Em virada sensacional na sua Arena, Atlétio elimina o Cruzeiro e vai para a semifinal da Copa do Brasil

“Eu amava como amava um pescador, que se encanta mais com a rede que com o mar”, hoje começo com Lua e Flor, de Oswaldo Montenegro. O tempo vai passando e a gente segue crendo que, positiva ou negativamente, não há mais motivos para surpresas. Ledo engano. Mas aí vem a TorciduGalo – assim mesmo – tudo junto, e nos revigora.

Depois de recentes cenas de cuspe em atleta vindo da arquibancada, de criança saindo escoltada por receber presente de ídolo do esporte, em duas semanas a Massa deu show no mata-mata da Copa do Brasil. Foi como se estivéssemos voltando aos anos de saudade, “voltando para Pasárgada”. E voltar a ver fotos da Kodak em caixas de memória é como recarregar a bateria em um carro elétrico nos tempos atuais.

Simbiose

Quando estudamos as relações ecológicas, aprendemos sobre simbiose, mutualismo e como isso se dá. Na verdade, no Atlético, isso não se dá, isso se comunga. Pois bem! Sabe quando a gente cria argumentos saudosistas para revisitar os cheiros do passado? Já percebeu que vivemos na busca dos filmes repetidos em live action, dos remakes de novelas consagradas?

E não para por aí! No mundo que descarta, a música que toca não toca, não tem capa, não tem a letra atrás ou dentro do CD, muito menos vem na “sacolona” da época dos LPs. Mas, se o descarte é feito na velocidade da luz, o que é bom segue sendo recontado e nos reforma no direito magnífico de viver.

Nessa loucura, a Massa, no último superclássico, além de fazer o Galo ganhar do seu maior oponente, fez o que há algum tempo se contava dela e, em algum momento, ficou parecendo lenda: o CAM parou tudo em BH e mostrou ao mundo o que quase todos diziam sobre o Atlético. O quê?

O Atlético não tem nada material ou tangível que possa se comparar ao seu povo, nenhuma taça. Sabe aquela saudade dos Beatles? Não é só história, é presente.

A noite do dia 1º de setembro remontou um novo tempo. Acabou com o cheiro de mudança, de bairro novo. A Massa finalmente se apropriou do seu Terreiro no bairro Califórnia. Um mar preto e branco acompanhou o Galo na chegada, dentro do jogo, manteve a atmosfera de crença no time nas adversidades, virou o jogo e foi até o fim.

A essência

Aquela rua de fogo ficará marcada eternamente nas minhas retinas fatigadas. Até porque, ser atleticano é entender Deus na sua essência. E já que não é possível tocar, é necessário viver uma presença não física e, por isso, intrigante e apaixonante.

O Galo ganhou o jogo, mas, na verdade, a última terça-feira foi de uma vitória maior: o povo ligou o Galo na tomada novamente. Óbvio que, para isso, é preciso ter gente no tapete verde que saiba o que está sendo relatado por cá. E hoje há. Para jogar no Atlético é vital não caber, para o Atlético é preciso transbordar.

Desde o Ronaldinho, podemos exemplificar que estar no Galo não é suficiente. Quem é Galo não cabe, não há margens ou pautas… Assim, começou o ciclo de um novo 7, de alma que sai pelo “ladrão”, sorriso que se apresenta com 92 dentes e que exala, é a tal felicidade. Já não sei descrever o que representa esta crônica, no entanto, como diria Antoine de Saint-Exupéry em Cidadela, “não direi a você razões que tem para me amar, porque não há razões. A razão do amor é o próprio amor”.

O amor não se explica e parece fundir coisas sem sentido, mas estava tudo muito clichê até o dia 1⁰ de setembro no futebol brasileiro. Mais uma vez, o Galo, através do seu povo, fez uma festa e trabalhou para ganhar um jogo, mas, de verdade, o time da Massa ganhou MUITO mais que o superclássico. A criança que viu sol, chuva, dia, noite, fogo e um time que sangrou pelo escudo, certamente levará a atleticanidade para a eternidade, levará consigo a graça.

O jogo ficou 2 a 1, de virada, mas a verdadeira reviravolta da história do CAM passará pelo que fez o povo preto e branco no dia 1⁰ de setembro de 2026. Já dizia o poeta: “Eu amava como amava um pescador, que se encanta mais com a rede que com o mar…”

Naquela noite, quem estava achando a vida clichê, blasé, anêmica e sem sal, chorou sem admitir ou perceber… Deixou tudo se confundir. Naquela madrugada, a adrenalina não baixou porque não foi apenas mais uma classificação sobre o Cruzeiro, foi a vitória de algo que estava adormecido, o POVO.

O atleticanismo é imaterial, transcende a matéria, exala a alma e é a rede do pescador. Eu achei que tinha visto tudo, mas o Galo é o seu povo em profissão de fé. Para o Atlético é preciso não caber, é preciso transbordar.

Galo, som, sol e sal é fundamental



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