a melhor onda do mundo?

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Cloudbreak - Florence
T SLAB – WSL

Cloudbreak – Florence

“Cloudbreak é a melhor onda do mundo.” foi o que disse Kelly Slater, e depois do que vimos no Fiji Pro dessa temporada, fica difícil discordar. Mas antes de virar etapa do CT, antes de aparecer nas capas de revista e no Instagram de todo surfista, era apenas um recife remoto numa ilha privada no meio do Pacífico, e a história de como esse pico foi descoberto é tão boa quanto as ondas de lá.

O professor e a busca pela onda perfeita

Em 1978, um jovem americano chamado John Ritter trabalhava como professor nas Ilhas Samoa Americanas e tinha a obsessão de encontrar boas ondas no Pacífico Sul. Pegou um catamarã (barco) de 11 metros e começou a explorar as ilhas de Fiji, sem mapa de surf e sem previsão de ondas, nada além de curiosidade e um sonho.

Em um momento, Ritter chegou em um recife da ilha de Tavarua (ilha particular com apenas 4,5 hectares, em formato de coração, cercada de água turquesa), e o que ele viu quebrando naquele recife o deixou sem palavras. Uma esquerda longa, tubular, e poderosa, uma onda que parecia feita à mão por alguém que sabia exatamente o que os surfistas queriam.

Ritter voltou alguns anos depois e, junto com o americano Scott Funk, construiu o Tavarua Island Resort, um dos primeiros surf camps de luxo do mundo, inaugurado em 1982. Por décadas, a ilha funcionou com acesso exclusivo para hóspedes, Cloudbreak era uma onda privada, e quem não estava hospedado em Tavarua não tinha direito de surfar ali. Em 1987, um grupo de surfistas australianos tentou entrar no pico sem autorização e foi barrado a força.

A foto que “viralizou”

A grande virada na história de Cloudbreak veio de uma imagem. Em 1984, os aventureiros Kevin Naughton e Craig Peterson, dois jornalistas de surf americanos conhecidos por suas expedições às ondas mais remotas do planeta, visitaram Cloudbreak. Peterson fotografou Naughton saltando de um barco, com a onda de Cloudbreak quebrando ao fundo, tubular e perfeita, aquela imagem foi para a capa da revista Surfer Magazine e “viralizou”.

Surfistas do mundo inteiro viram aquela foto e quiseram saber onde ficava aquele lugar. O nome Cloudbreak, que vem da frase fijiana “Nakuru Kuru Malagi”, que significa aproximadamente “recife das nuvens trovejantes”, ficou gravado na memória do surf mundial, a ilha com formato de coração virou destino dos sonhos. E mesmo com o acesso ainda restrito, o desejo era público.

A onda quase perfeita

Cloudbreak funciona com ondulações vindas do sul e sudoeste, e quando chegam, formam-se ondas longas e organizadas, gerando uma esquerda que pode durar mais de 400 metros de ponta a ponta, também chamada de “freight train”, o trem de carga. Em swells médios, Cloudbreak é uma onda surfável para atletas experientes, mas em swells grandes, torna-se uma das ondas mais pesadas e perigosas do mundo, então é preciso ter experiência.

O fundo de coral raso, os ventos que mudam de forma peculiar ao longo do dia, as correntes fortes e os sets imprevisíveis fazem de Cloudbreak uma onda difícil de ler, fazendo com que fique ainda mais emocionante. É uma onda com personalidade e que exige leitura constante e ritmo de surf.

A ilha onde fica o resort ainda abriga cobras marinhas, peixe-pedra e tubarões na linha de pico, então é preciso ter atenção nas ondas e nos animais.

Chegada ao CT

Em 1995, Cloudbreak recebeu sua primeira competição oficial, o Tavarua Tube Riding Classic. Quatro anos depois, em 1999, foi incluída no calendário do Championship Tour pela primeira vez, e rapidamente se tornou uma das etapas mais aguardadas e importantes do circuito. Em 2010, o governo de Fiji revogou a exclusividade do resort e abriu o acesso ao pico para qualquer surfista que chegasse de barco, encerrando décadas de acesso restrito.

Em 2026, o CT voltou a Cloudbreak pela primeira vez com o elenco completo desde 2017, e a etapa foi irada! Cole Houshmand e Erin Brooks dominaram, e o Fiji Pro voltou com tudo, algo que não foi surpresa para ninguém que conhece a história do lugar, Cloudbreak sempre entrega show de surf.

As melhores ondas do mundo não foram encontradas por quem ficou esperando em casa, foram encontradas por quem saiu procurar. Pense nisso.

Até a próxima! Ihii!

Pedro Bento
@pedrobento28





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