
Osmar Stabile, presidente do Corinthians, precisa apagar novo incêndio no Timão
O Corinthians deixou de pagar três parcelas do acordo firmado com a União para quitar uma dívida acumulada ao longo de duas décadas e pode ver o acordo desfeito. As prestações de junho, julho e agosto não foram pagas dentro do prazo, e o clube foi notificado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em agosto.
O valor em atraso chega a R$ 20,49 milhões, segundo informações do “ge” desta quinta-feira (24/9). Desse total, R$ 6 milhões correspondem às parcelas previdenciárias dos três meses, enquanto os outros R$ 14,49 milhões são referentes aos débitos não previdenciários.
O Corinthians cumpriu as quatro primeiras prestações do acordo, referentes aos meses de fevereiro, março, abril e maio. Agora, o clube mantém contato com a Fazenda Nacional para tratar da pendência. O próximo pagamento está previsto para 30 de setembro. Caso o clube também não consiga cumprir essa parcela, o valor em aberto pode aumentar em quase R$ 7 milhões.
Corinthians pode perder benefícios do acordo
A sequência de três parcelas atrasadas caracteriza descumprimento do acordo. Em caso de rescisão, o Corinthians pode perder os benefícios obtidos na negociação, incluindo os descontos sobre juros, multas e encargos. Nesse cenário, a dívida seria restabelecida sem as reduções, com abatimento apenas dos valores já pagos.
O acordo se deu em fevereiro, por meio de uma transação tributária, para regularizar aproximadamente R$ 1,2 bilhão em débitos com a União. O Corinthians obteve redução de 46,6% sobre encargos, multas e juros e se comprometeu a desembolsar R$ 679 milhões em recursos próprios.
Do passivo negociado, cerca de R$ 1 bilhão corresponde a tributos não previdenciários, R$ 200 milhões a débitos previdenciários e R$ 15 milhões ao FGTS. As condições de pagamento variam conforme a natureza de cada dívida.
A situação ocorre em meio a um cenário financeiro delicado no clube. O Corinthians registra dívida total de aproximadamente R$ 2,8 bilhões e acumulou prejuízo próximo de R$ 250 milhões no primeiro semestre. O clube também possui dois meses de direitos de imagem em atraso com o elenco masculino, além de premiações referentes à Libertadores e ao Brasileirão.
A negociação com a União também gerou um pedido de impeachment contra o presidente Osmar Stabile. Os autores alegam o oferecimento do Parque São Jorge como garantia da operação sem o cumprimento das exigências previstas no estatuto do clube.
