
Betano é a patrocinadora-máster do Flamengo
O Flamengo divulgou uma nota nesta sexta-feira (25) em que reafirmou sua posição contrária a uma possível Medida Provisória do Governo Federal para restringir as atividades das empresas de apostas no Brasil. No comunicado, o clube defendeu a manutenção do mercado regulado e argumentou que mudanças no modelo atual poderiam afetar o esporte e a economia.
Segundo o Flamengo, o Brasil passou por um longo processo até regulamentar as apostas esportivas. O clube destacou que empresas investiram no país e assumiram compromissos com base nas regras estabelecidas pelo Estado, incluindo fiscalização, tributação e mecanismos de proteção ao consumidor.
“Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, afirmou o clube.
O Flamengo ponderou que a regulamentação pode ser aperfeiçoada e defendeu punições para quem descumprir a legislação. No entanto, classificou como diferente a possibilidade de desmontar o mercado legalizado.
Para o clube, uma eventual mudança atingiria não apenas o futebol profissional, mas também categorias de base, futebol feminino e outras modalidades esportivas. A nota cita ainda possíveis impactos sobre empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas e prestadores de serviços.
“Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país”, diz outro trecho do comunicado.
Flamengo cita mercado ilegal
O clube também argumentou que uma eventual proibição não eliminaria as apostas, mas poderia ampliar a participação de plataformas clandestinas. Para sustentar a posição, citou pesquisa do Instituto Locomotiva e estudo da LCA Consultores, segundo os quais entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil estaria atualmente no mercado ilegal.
O Flamengo afirmou ainda que essa participação teria diminuído após a regulamentação.
“O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar”, declarou.
A manifestação ocorre em meio à discussão do Governo Federal sobre novas regras para o setor. Clubes também já foram notificados por casas de apostas sobre possíveis impactos em contratos de patrocínio caso medidas mais restritivas sejam adotadas.
