
GUstavo Scarpa indicando leitura aos seus fãs
O Galo é o mundo, o Galo é Minas Gerais. Já se vão mais de dez dias sem o time da Massa entrar em campo e, em condições normais, na CNTP, a paz temporal seria transformada em tédio, mas, como dito no início, o Galo está em tudo.
Para o povo preto e branco, faísca é incêndio. Bastou o clube se reconhecer na sua gente naquele 1º de setembro para a chave do pertencimento destrancar as portas da saudade.
Nessa confluência do rio, a frequência do rádio vem se ajustando do gramado ao concreto da arquibancada. Um veio da Turquia querendo vestir, outro surgiu do seio da Massa, na genética, para clássicos decisivos e um, ainda mais doido, recentemente, substituiu a maior referência atual do clube. Não bastasse isso, pegou três pênaltis numa virada épica contra o time do Neymar que tinha rido na cara do perigo.
A ressurreição de Ivan Ilitch com a Galeitura
Mas, após dez dias, seria inevitável que a paz começasse a irritar e a se transformar em tédio atleticânico. Eis que surge, no meio hipócrita da nossa existência, uma indicação do Gustavo Scarpa para revolucionar tudo. Se havia o descanso da Galoucura, surgia uma opção: a Galeitura.
Capitaneada pela Carol Marques e Laís Barroso, chegava a Galeitura. O ministro da educação já estava eleito: Scarpinha. Em pouco menos de uma semana, a indicação do livro de Tolstói retornou ao topo de vendas, e a vida sem sentido e cheia de aparências vazias de Ivan Ilitch se tornou alvo de discussões em todo o país. Ele nunca tinha vivido tão bem e com tamanho propósito. Ivan ressuscitou.
Logo o Ivan que tinha uma vida digna, mas vazia de existência, de gostos próprios e genuínos, retirou-se do túmulo para ressurgir, viver nas rodas de leitura e rememorar a autenticidade da nossa caminhada. Tudo porque um JOGADOR de futebol usou a sua capacidade e a força da sua “firma” para inspirar e não influenciar.
Atrelado a isso, um sentimento de atleticanidade destituiu qualquer aparência de sobreposição: o clube de livros do Galo é horizontal na sua essência, ele parte da roda que partilha o saber, troca conhecimento e fornece a liberdade. Em linhas gerais: isto é o CLUBE ATLÉTICO MINEIRO, inspirador e pioneiro.
O diferentão mudando a rota
Contrariando pensamentos escusos, longe de ser elitista, o livro é a liberdade na sua concepção, é o povo pertencendo. O Galo tem o mascote que representa a Massa mais heterogênea do país e, paradoxalmente, a morte de Ivan Ilitch, obra indicada pelo Scarpa, pode representar a retomada de vida da força da literatura e da educação brasileira. Talvez, Gustavo Scarpa, que já foi o melhor jogador do Brasil, possa, nessa vibe do “diferentão”, estar marcando o maior gol da sua própria estrada terrena.
O Atlético, que alegra, vai além dos 105×68, principalmente quando entende o tamanho da sua história e se conecta com o seu povo. A Galeitura precisou apenas de uma faísca para fazer um bom incêndio. A essência da atleticanidade está em ser, na caminhada, verbo da mensagem.
A paz da Data FIFA não se transformou em tédio, mas sim em remédio. O Atlético, original, conversa com a loucura e a leitura sem amargura. Calma! Os jogos estão voltando, mas o mais genuíno da alma atleticana é a sua sofisticada essência de ser simples de coração. O Galo está em tudo. O Galo é o mundo, o Galo é Minas Gerais. Viva a Galeitura das nossas vidas!
Galo, som, sol e sal é fundamental
