
Hospital de campanha, anexo ao Maracanã, para pacientes de Covid
Os clubes de futebol, que forçaram a barra para não parar o futebol em 2020 durante o auge da epidemia de Covid, depois forçaram a barra para liberar o público antes do recomendado por autoridades sanitárias e que, em 2024, não quiserem interromper o Campeonato Brasileiro mesmo durante as enchentes históricas que abalaram o Rio Grande do Sul em 2024, ameaçam (é um blefe claro), agora, parar o futebol após a maldita e interminável Super Data Fifa.
No Brasileirão 2024, com a reprovação de parte dos clubes, a CBF suspendeu apenas a 7ª e a 8ª rodada. E olhe lá! E o futebol seguiu com mortos submersos e mortos boiando por todo o Rio Grande do Sul.
O motivo do beicinho de agora: insatisfação com a MP assinada pelo presidente Lula, que proibiu as bets (e, óbvio, os patrocínios das casas de jogos a clubes e entidades esportivas), indústria que estava bancando grande parte do negócio futebol: federações, clubes, emissoras, influencers, jornalistas…
Os clubes, que não se unem para nada (prova a liga que nunca sai do papel), chegaram a assinar nota (PATÉTICA!) conjunta dizendo que a proibição seria o fim do futebol. Após a MP, ensaiam a paralisação, que, por falta de datas e união, não deve passar de garganta. O Palmeiras da presidenta Leila Pereira, que nunca está ao lado do Flamengo de BAP, já avisou os pares que não vai parar.
O que penso sobre a proibição das bets, já escrevi, aqui, no Vitão Raiz e gravei no canal Blog do Vitão . Acho, inclusive, que o governo Lula errou ao não respeitar os contratos em vigência e definir um período transitório, mas sigamos porque a cara de pau dos clubes é constrangedora: peroba neles!
Dado as enormes benesses que todos os clubes do país, sem nenhuma exceção (embora ajuda a alguns geram mais chiliques do que a outros), sempre receberam do Governo (de todos os governos) e a falta de contrapartida deles à sociedade (o setor tem um tratamento diferenciado de impostos por, supostamente, realizarem um trabalho social), falar em parar por causa da proibição das bets (medida que conta com enorme apoio popular) é vergonhoso! De novo: peroba neles!
A soberba administração do Flamengo, que, sem qualquer senso do ridículo, se comporta como se fosse o Real Madrid das Américas (não é de hoje, mas o presidente BAP é do grupo do antecessor Rodolfo Landim, cartola de arrogância e individualismo similares), diferencia-se das demais por não fingir nem disfarçar. Talvez seja um mérito, mas não é de hoje a chocante falta de sensibilidade rubro-negra.
O auge da insanidade foi forçar a barra para jogar (e conseguir) no Maracanã, enquanto milhares de pessoas morriam no hospital anexo de campanha. Um horror completo!
O Flamengo também puxou a fila de quem não quis parar o Brasileiro, enquanto os gaúchos, atônitos, contavam milhares de corpos boiando mortos… O futebol, que não tinha nada com isso, não podia parar e blá-blá-blá…
É isso. O futebol não pode parar com mais de 700 mil vítimas fatais da Covid (números que não seriam tão alarmantes se o trágico e asqueroso governo Bolsonaro tivesse, desde o início, comprado e incentivado a vacinação em vez de fazer lobby por cloroquina), o futebol também não parou com o maior desastre natural do Rio Grande do Sul, mas, agora, o futebol diz que tem que parar pela restrição provisória às bets! Digo provisória por se tratar de uma MP (Medida Provisória) que precisa ver votada pelo Congresso em até 60 dias.
Os clubes, antecipo, não vão parar coisa nenhuma! Mas só o blefe já é patético! Vergonha alheia!
O que vão fazer, Flamengo puxando a fila, é lobby para as restrições às bets serem, legalmente, derrubadas. O time do BAP, inclusive, já ingressou no STF. Na Justiça, todos os clubes têm o direito de lutarem pelos seus direitos, ainda que o povo, em sua imensa maioria, esteja do lado oposto. Não dá para negar que é paradoxal e triste o fato de justamente o Clube de Regatas do Flamengo (que não é um clube restrito à divisa da Gávea com Leblon, onde está localizado a sua sede social) ser quem lidere a cruzada contra o que deseja o povão.
Triste, mas não surpreendente. Apenas se repete o que aconteceu na Covid e na tragédia do Rio Grande do Sul: viva a memória!
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