Como falar de bola quando campeã de votos agradece colonização?

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Organizadas e torcedores comum do Corinthians protestam no Parque São Jorge e se manifestam pela
Reprodução – Identidade Corinthiana

Organizadas e torcedores comum do Corinthians protestam no Parque São Jorge e se manifestam pela “Intervenção Judicial”

As eleições para presidente e para governador em sete estados brasileiros ainda serão decididas em segundo turno, mas, ainda que a civilização vire contra a favorita barbárie, o legislativo parido (Senado, Câmara Federal e Assembleias estaduais) já encaminhou o retrocesso para as próximas décadas.

O debate pelo fim da escravagista escala 6 por 1, por exemplo, já nasce condenado a ser enterrado com os resultados apocalípticos aferidos no último domingo (4). Em tempo: repararam que as urnas não são questionadas quando a extrema-direita é vencedora?

Poderia dar 818 mil exemplos da tragédia (de efeito duradouro) decretada pelas urnas, mas sintetizemos em São Paulo, o meu estado, o mais rico da nação. Na Terra que preferiu colocar no Senado um policial expulso da Rota por excesso de mortes do que uma ambientalista, a deputada estadual mais votada, autointitulada antifeminista, já agradeceu pela colonização e disse que indígenas são canibais; e o deputado federal mais votado minimiza o papel da educação e ridiculariza a luta de professores contra a precarização do setor.

O cenário atual, em que acordamos às vésperas de 1964, flertando com a Idade Média, não mudou o fato que é dada mais importância ao futebol do que realmente ele tem na vida das pessoas, mas sublinhou como isso faz mal à sociedade. Faz mal, inclusive, ao futebol!

Não se trata, que fique claro, de um discurso elitista babaca que trata o futebol como ópio do povo! Futebol tem papel social, papel econômico, papel cultural e, até, papel familiar, já que é, em muitos casos, o momento de entrelaçamento entre parentes e agregados.

Não estou nem nunca estarei entre os que tratam futebol como algo sem importância. E isso muito antes de ser jornalista esportivo. Desde a infância, passando pela pré-adolescência e até chegar a fase adulta, o futebol e a arquibancada fizeram parte da minha vida.

Aliás, o amor pelo meu clube, em particular, e pelo esporte, no geral, é responsável pela minha escolha profissional e até pelo nome do meu filho Basílio, escolhido em homenagem ao autor do gol que libertou o povo sofrido em 13 de outubro de 1977.

Nunca fiz nem farei coro com a parcela da mídia que trata torcedor como cidadão de segunda classe e defende, abertamente, que a polícia trate a massa na base da porrada. 

Torcedor é cidadão como qualquer outro e merece, pois, a mesma atenção do poder público que as pessoas que frequentam espetáculos musicais. Brindemos novamente o óbvio: o cidadão que frequenta arquibancada é, ao mesmo tempo, fã de rock, ou de samba, ou de cinema, ou de teatro ou do que for.

Registrado todas essas observações, nunca vou entender porque as mobilizações de torcedores, inclusive as justas, são mais organizadas, reiteradas e barulhentas do que às manifestações de cidadãos contra o estupro da legislação trabalhista,  do que a mobilização pelo fim da escala 6 por 1, do que o barulho das massas contra a absurda reforms da previdência, do que os protestos contra a piora do transporte público com a privatização da CPTM e com tantas outras questões que impactam diretamente o pai, a mãe, o trabalhador, a trabalhadora, o estudante, a estudante, o paciente, a paciente…

Por isso, ainda que nunca tenha deixado de ser um torcedor apaixonado de futebol, nem nunca ter negado isso mesmo sendo jornalista esportivo, jamais vou aplaudir nem concordar com chiliques violentos de torcedores motivados por um ou mais maus resultados…

Futebol é importante, mas não pode ser tratado como algo de vida ou morte quando questões muito mais importantes são decididos no jogo da urna como quem vai ter e quem não vai ter direito a cursar universidade, quem vai ter direito a expressar sua fé e quem não vai ter direito a expressar a sua fé, quem vai poder ser quem é e quem vai ter que esconder a sua sexualidade.

A fila de 23 anos (1954-1977) do Corinthians não é mais importante que os 15 anos de duração da canalha, assassina e abjeta Ditadura Militar (31 de março de 1964 a 15 de março de 1985). Registro minha eterna admiração por três saudosos corinthianos: Vlado, Dom Paulo Evaristo Arns e Sócrates. E meu nojo ad aeternum a Wadhi Helu e sua claque.

Viva a memória!

Todo torcedor é cidadão. E quem se comporta como tal, torça por quem torcer, merece o meu respeito e a minha admiração. 

Reitero meu nojo ao fascismo, aos fascistas e aos isentões que normalizam o fascismo.

O futebol brasileiro? Nesta quarta (7), o Brasileirão está de volta. Isso será sempre menos importante que o fato de o Brasil estar de volta ao passado.

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Vitão Raiz

Eu sou o Vitor Guedes  e tenho um nome a zelar. E zelar, claro, vem de ZL! É tudo nosso! É nóis aqui no iG com a coluna Vitão Raiz!

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