
Sócios do Vasco aprovaram a negociação nesta sexta-feira (23), em Assembleia Geral Extraordinária
A venda de 90% da SAF do Vasco para a Almirante Participações, empresa ligada a Marcos Lamacchia, envolve compromissos que podem chegar a aproximadamente R$ 4 bilhões. No entanto, esse valor não corresponde diretamente ao preço pago pelas ações. Uma análise dos documentos publicada pelo UOL neste sábado (24), indica que a aquisição pode ficar perto de R$ 1,5 bilhão.
Os sócios do Vasco aprovaram a negociação nesta sexta-feira (23), em Assembleia Geral Extraordinária. A proposta recebeu 4.675 votos favoráveis, 437 contrários e 48 abstenções. Com isso, alcançou 90,6% dos votos válidos e encerrou a etapa de aprovação interna no clube. O associativo continuará com 10% das ações da SAF.
A cifra de R$ 4 bilhões reúne diferentes compromissos que o novo controlador assumirá. Entram nessa conta investimentos no futebol, infraestrutura, pagamento de dívidas e cobertura do fluxo de caixa da empresa.
Como a operação chega aos R$ 4 bilhões
A Almirante prevê R$ 500 milhões em aportes para o futebol ao longo de cinco anos. O acordo também reserva R$ 120 milhões para a construção do centro de treinamento profissional e mais R$ 30 milhões para a estrutura das categorias de base.
As dívidas representam outra parte relevante. O Vasco carrega cerca de R$ 1,3 bilhão em passivos anteriores. Parte desse valor, porém, passa pela Recuperação Judicial e por renegociações tributárias. Assim, o montante final pode cair.
O novo controlador também terá a obrigação de equilibrar o caixa da SAF durante os próximos cinco anos. A projeção usada na negociação considera um déficit anual de aproximadamente R$ 300 milhões. Dessa forma, esse compromisso pode chegar a R$ 1,5 bilhão no período.
Ainda assim, somar todos esses valores não significa dizer que a Almirante pagará R$ 4 bilhões para comprar o Vasco. Os recursos destinados ao futebol, por exemplo, permanecerão dentro da própria SAF. O mesmo vale para os investimentos em centros de treinamento e para parte do dinheiro usado no caixa.
Compra pode ficar perto de R$ 1,5 bilhão
O cálculo do valor da aquisição passa principalmente pelas dívidas que o novo controlador assumirá, estimadas em R$ 1,3 bilhão, além de um empréstimo de R$ 80 milhões que a Crefisa concedeu anteriormente ao Vasco. O clube converterá esse crédito em 10% das ações da nova SAF.
Também existe um valor ainda não divulgado que irá para a 777 Partners, antiga controladora. Por isso, dependendo do montante necessário para encerrar a participação da empresa norte-americana, o custo efetivo da aquisição pode ficar próximo de R$ 1,5 bilhão.
Outro ponto exige atenção. Ainda não está totalmente claro se os recursos usados para cobrir os déficits futuros também poderão servir para quitar dívidas da SAF. Caso isso aconteça, somar integralmente os dois compromissos pode inflar o valor total da operação.
Oposição questiona termos do contrato
Conselheiros contrários à negociação também questionam a ausência de um mecanismo que permita ao Vasco retomar o controle da SAF se o novo investidor deixar de cumprir determinadas obrigações.
O contrato com a 777 Partners previa instrumentos desse tipo. Já o novo acordo, segundo a análise publicada pelo UOL, não inclui uma cláusula semelhante de saída ou retomada.
Além disso, a venda ainda precisa superar etapas externas ao clube. Entre elas estão análises regulatórias sobre um possível conflito de interesses envolvendo Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
A aprovação dos sócios, porém, encerrou a tramitação interna no Vasco. Agora, a negociação segue para as etapas seguintes.
Assim, os R$ 4 bilhões representam a soma dos compromissos financeiros previstos para os próximos anos. Já o valor diretamente ligado à aquisição das ações pode ficar bem abaixo disso e se aproximar de R$ 1,5 bilhão.
