CBF rebate Flamengo e rejeita mudança em rodada do Brasileirão

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Sede da CBF
Lucas Figueiredo / CBF

Sede da CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) endureceu o tom contra o Flamengo e rejeitou neste sábado (23) qualquer possibilidade de adiar jogos da 18ª rodada do Campeonato Brasileiro por causa dos desfalques provocados pela Copa do Mundo.

Em nota divulgada no início da tarde, a entidade afirmou que o calendário de 2026 foi aprovado por unanimidade pelos clubes da Série A e disse que não aceitará “tratamento privilegiado” para nenhuma equipe.

A manifestação foi uma resposta direta ao Flamengo. Horas antes, o clube havia reclamado da decisão de manter a rodada mesmo com atletas convocados para as seleções e argumentado que a medida prejudica a competitividade do campeonato.

O principal alvo da reclamação rubro-negra é o duelo contra o Coritiba. Eliminados da Copa do Brasil, os dois clubes teriam uma data livre em agosto, o que, na avaliação do Flamengo, permitiria a remarcação da partida sem impacto no calendário.

“O Flamengo sugeriu a alteração apenas após sua eliminação da Copa do Brasil”, afirmou a CBF.

De acordo com a entidade, o clube pretendia transferir a partida contra o Coritiba para uma data reservada ao torneio mata-mata no segundo semestre. A proposta foi rejeitada porque beneficiaria exclusivamente o Flamengo.

“Tratamento privilegiado”

O trecho mais duro da nota aparece quando a CBF afirma que não apoiará “qualquer tipo de tratamento privilegiado no âmbito desportivo”.

A entidade argumenta que outros clubes também perderam atletas para suas seleções e que qualquer mudança feita para atender apenas um caso específico feriria o princípio da isonomia da competição.

A manifestação ocorre em meio a uma discussão recorrente no futebol brasileiro: como conciliar o calendário nacional com convocações para torneios internacionais.

Embora o Brasileirão já seja interrompido durante as Datas FIFA, a situação da Copa do Mundo é diferente. A competição nacional será paralisada apenas após a disputa da 18ª rodada.

Flamengo fala em perda de competitividade

Horas antes, o Flamengo havia defendido o adiamento dos jogos das equipes mais afetadas pelas convocações.

O clube argumentou que não existe igualdade esportiva quando equipes disputam partidas sem parte relevante de seus titulares por causa da cessão obrigatória de atletas às seleções.

O texto cita diretamente Flamengo e Palmeiras como os principais prejudicados e afirma que a qualidade do espetáculo também é afetada.

O clube ainda comparou o caso à postura da UEFA diante da FIFA e voltou a defender a criação de uma liga organizada pelos clubes brasileiros.

Segundo o Rubro-negro, a eliminação precoce de Flamengo e Coritiba na Copa do Brasil abriria espaço para a realização do confronto entre os dois em 4 de agosto, sem conflito com outras competições.

Liga entra no debate

A discussão ocorre um dia depois de uma assembleia da LiBRA, bloco que reúne parte dos clubes da Série A e da Série B.

Em nota divulgada após o encontro, a associação informou ter aprovado mudanças em sua estrutura de governança, reforçado o Comitê de Negócios e iniciado um novo ciclo de discussões sobre o futuro da organização da liga nacional.

No comunicado divulgado neste sábado (23), a própria CBF declarou apoio à criação de uma liga conduzida pelos clubes, mas ressaltou que o projeto precisa respeitar as decisões coletivas tomadas antes do início das competições.

A entidade afirmou que o sucesso da futura liga depende de que os clubes não busquem alterações que atendam interesses específicos ao longo do campeonato.

Por enquanto, a posição da CBF mantém inalterada a programação da 18ª rodada do Brasileirão. Flamengo e Palmeiras, portanto, seguem com a perspectiva de disputar seus jogos sem parte dos atletas convocados para a Copa do Mundo de 2026.

Leia a íntegra da nota da CBF

Em resposta ao Flamengo, a CBF divulgou a seguinte manifestação neste sábado (23):

“Em relação à nota pública do Flamengo na data de hoje, em que o clube questiona a manutenção da data dos jogos da 18ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vem esclarecer o que se segue:

1. A data de liberação obrigatória dos atletas para a Copa do Mundo de 2026 foi definida pela FIFA ainda em maio de 2025 e essa informação foi reiterada em diferentes documentos e comunicações oficiais.

2. O calendário do futebol brasileiro de 2026 foi apresentado, debatido e aprovado por todos os clubes da Série A, de forma unânime em dezembro de 2025. As datas das rodadas, incluindo a 18ª, bem como o período de paralisação para a Copa do Mundo FIFA 2026, foram amplamente discutidas no Conselho Técnico da competição, com participação de todos os clubes. A CBF não impõe calendário aos clubes: ela implementa aquele que é construído e validado em conjunto com as agremiações.

3. Em nenhum desses momentos, o Flamengo sugeriu o adiamento ou alteração da 18ª rodada. Isso só veio a ocorrer após a eliminação do Flamengo da Copa do Brasil, quando o clube passou a sugerir a remarcação do jogo Flamengo x Coritiba para uma data reservada à Copa do Brasil no segundo semestre. Tal pedido foi rejeitado, pois atenderia apenas aos interesses de um clube atingido pelas convocações: o próprio Flamengo.

4. A atual gestão da CBF não acredita e não apoiará qualquer tipo de tratamento privilegiado no âmbito desportivo, independentemente do tamanho da torcida ou do poder econômico. Vários clubes foram afetados pelas convocações para a Copa do Mundo e qualquer solução pensada para atender apenas um caso isolado representaria violação direta ao princípio da isonomia desportiva que rege a atual gestão da CBF.

5. O calendário do futebol brasileiro de 2026 apresentou evoluções claras, como a redução dos Campeonatos Estaduais e o início do Campeonato Brasileiro em janeiro. A CBF reafirma seu compromisso de trabalhar pela evolução permanente do calendário e pela construção de um ambiente competitivo equilibrado, por meio de soluções estruturais e coletivas, e não de decisões pontuais que beneficiem interesses específicos.

6. Por fim, a CBF registra seu apoio irrestrito à construção de uma liga conduzida pelos clubes, fundada no tratamento isonômico entre os participantes das competições e no respeito às regras previamente acordadas. O sucesso do projeto da liga depende de que cada clube respeite ao longo da competição as decisões aprovadas por todos antes do início do campeonato, e não busquem soluções exclusivas que confiram tratamento privilegiado conforme as circunstâncias.”

Leia a íntegra da nota do Flamengo

Mais cedo, o Flamengo criticou a manutenção da rodada e voltou a defender mudanças na gestão do futebol brasileiro:

“Na esteira da mais recente encruzilhada em que se encontra o Campeonato Brasileiro de 2026, sobre adiar ou não os jogos da 18ª rodada das equipes que tiveram um número significativo de jogadores convocados para a Copa do Mundo FIFA, é preciso refletir: onde estamos errando e como iremos solucionar esses problemas?

Neste caso, o erro está muito claro. Numa competição de pontos corridos, em que todas as rodadas têm o mesmo peso na definição do campeão, não há isonomia nem paridade de forças quando uma equipe é obrigada a entrar em campo sem diversos jogadores, como é o caso de Flamengo e Palmeiras, exclusivamente porque estes atletas foram cedidos às suas seleções nacionais (quatro para o Brasil).

É preciso reconhecer os avanços da atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol, que entre outras coisas buscou otimizar e ajustar o calendário para sanar problemas históricos, assim como a importância da Copa do Mundo para a CBF e para o país. Mas é justamente aí que reside o dilema. Quando a mesma entidade é responsável pela Seleção Brasileira e pelo principal campeonato nacional, alguém acaba prejudicado nesse conflito de interesses. Neste caso, novamente os maiores prejudicados são os clubes. Um contraste neste cenário é a UEFA, que defendeu seus filiados, a sua competição e conseguiu, junto à FIFA, liberação para que a final da Liga dos Campeões da Europa conte com seus astros em campo.

Quando equipes são obrigadas a jogar sem seus principais jogadores em razão de convocações, quem perde, acima de tudo, é o torcedor. Tanto o que paga ingresso quanto o que acompanha as transmissões. A qualidade do espetáculo fica comprometida, a integridade competitiva é afetada e o produto se desvaloriza, além de criar uma lógica inversa: as equipes que mais investem são justamente as mais penalizadas.

No passado, soluções paliativas da CBF buscaram amenizar esse problema recorrente, como a impossibilidade de uma equipe atuar caso cinco de seus jogadores fossem convocados. Outro exemplo ocorre atualmente, quando o Brasileirão realmente para durante Datas FIFA, mas retorna apenas dois dias depois. O Flamengo já precisou fretar aeronaves para trazer atletas que atuaram numa terça-feira à noite em outro continente e entraram em campo menos de 48 horas depois.

Essas medidas paliativas já não acompanham a realidade do futebol brasileiro. Enquanto os investimentos dos clubes aumentam, equipes brasileiras conseguem repatriar jogadores ainda no auge da forma física, manter talentos por mais tempo, estruturar departamentos multidisciplinares com profissionais de ponta e investir cada vez mais em Centros de Treinamento e infraestrutura. O futebol brasileiro evoluiu, e a gestão de suas competições precisa evoluir junto.

É mais do que urgente a criação de uma liga organizada no Brasil. A CBF é importante neste processo e deve participar ativamente dessa construção, mas entendendo que este é um movimento liderado pelas agremiações. Não há soluções fáceis para problemas complexos, mas o futuro passa por uma mudança de rota inadiável: o Campeonato Brasileiro precisa ser pensado e conduzido sob a ótica dos clubes, de seus atletas, de seus torcedores e de seus investidores e no fortalecimento do próprio produto.

Recordista de público como mandante e com ingressos esgotados no setor visitante em 100% dos jogos fora de casa até aqui, o Clube de Regatas do Flamengo e sua torcida levam o Campeonato Brasileiro muito a sério. É justamente por isso que o clube lamenta ser obrigado a entrar em campo desfalcado em razão das convocações para a Copa do Mundo, mesmo que as quedas precoces de Flamengo e Coritiba na Copa do Brasil permitissem encontrar uma solução jogando no dia 4/8/26, sem conflitar com Copa do Brasil. Quem estiver em campo fará de tudo para entregar um grande espetáculo, mas é inegável que ele já nasce comprometido para os mais de 45 milhões de torcedores apaixonados pelo clube.”

Leia a íntegra da nota da LiBRA

A manifestação foi divulgada após assembleia realizada em São Paulo, com a presença dos clubes associados à Liga do Futebol Brasileiro (LiBRA):

“A Liga do Futebol Brasileiro (LiBRA) concluiu hoje (22/05), em São Paulo, sua Assembleia Geral Ordinária Extraordinária, com a presença de todos os seus clubes associados. O encontro marcou o início de um novo ciclo de fortalecimento institucional e alinhamento estratégico do grupo.

1. Aprovação das contas de 2025

Em um gesto de transparência e compromisso com a governança, os clubes aprovaram por unanimidade as contas da LiBRA referentes ao exercício de 2025, dando seguimento ao processo de prestação de contas da associação.

2. Aprimoramento do modelo comercial

Os clubes aprovaram um plano de trabalho voltado ao aprimoramento contínuo do modelo comercial e operacional do contrato de direitos de transmissão, buscando maximizar o valor coletivo da competição no longo prazo.

3. Reorganização da gestão

Como parte das melhorias de governança, foram aprovadas mudanças na estrutura de gestão, incluindo o fortalecimento do Comitê de Negócios, que centralizará as discussões de interesse comum — comerciais e institucionais.

O encontro também formalizou a saída do executivo Silvio Matos, que até então prestava serviços à associação.

4. Compromisso com a sustentabilidade e a construção coletiva

A LiBRA reafirma seu compromisso com um modelo de liga cada vez mais profissional, sustentável e orientado pela construção coletiva entre os clubes, fortalecendo sua relação com o mercado, parceiros de transmissão, patrocinadores, investidores e a opinião pública.

A LiBRA segue trabalhando nos próximos passos, que incluem a implementação do novo modelo de governança e o avanço das tratativas comerciais, sempre com o compromisso de fortalecer o futebol brasileiro.”



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