
Casemiro – Brasil x Japão
Pense em um drama teatral de tirar o fôlego. Ou, para usar o termo do momento, em um filme com um “plot twist” no final, que significa uma reviravolta na trama: uma mudança brusca e inesperada no rumo de uma história.
Agora, compare com o futebol: um esporte dinâmico, intenso, que constrói narrativas ao vivo. Assim como as artes, este esporte é dotado de improviso e criatividade. Ambos são primos próximos e compartilham da mesma essência: a capacidade de criar catarse coletiva e imortalizar momentos através da emoção.
Heróis e vilões mudam de lado em segundos e despertam sentimentos distintos nas pessoas que acompanham uma Copa do Mundo como a de 2026: raiva, alegria, dor, euforia, tristeza, gratidão, esperança…

Em 90 minutos, Vozinha vira celebridade após jogo contra Espanha
Vozinha e Muslera: goleiros geraram emoções opostas na Copa
Exemplos, neste mundial, não faltam. Com atuações seguras contra Espanha, Uruguai e Argentina, Vozinha, de 40 anos, goleiro de Cabo Verde, ganhou milhões de seguidores e admiradores por todo o planeta. Foi o primeiro mundial que ele disputou na carreira.
Já o companheiro de profissão dele, Muslera, que tem a mesma idade, encerrou sua quinta Copa sendo execrado por torcedores do país em que nasceu. O veterano falhou no duelo contra a Espanha e foi apontado como um dos responsáveis pela eliminação do Uruguai.

Messi já foi criticado na Argentina
Até Messi já foi contestado
Mesmo aqueles considerados gênios podem ser contestados. Por incrível que pareça, é o caso de Lionel Messi. O camisa dez estreou pela Seleção da Argentina no dia 17 de agosto de 2005, em um amistoso contra a Hungria.
Porém, se no Barcelona o craque conquistou 35 títulos oficiais e encantou o mundo, na Argentina muitos torcedores o rotulavam como “pecho frío“. Trata-se de expressão local usada para jogadores que supostamente não demonstram garra em momentos decisivos.
Messi chegou até a desistir de jogar pela Seleção em 2016. Obviamente, voltou atrás. E só levantou a primeira taça com a albiceleste em 10 de julho de 2021. A Argentina foi campeã da Copa América com uma vitória sobre o Brasil na grande final, disputada em pleno Maracanã. A história mostra que, no ano seguinte, ele conquistou o tão sonhado título mundial. E em 2026, os hermanos seguem vivos na disputa, com Messi como um dos artilheiros da competição, com sete gols marcados.
Na Seleção Brasileira também há episódios de jogadores que geraram sentimentos distintos de torcedores. Talvez o caso mais emblemático seja o de Dunga.
Na Copa de 90, o Brasil apresentou um futebol pragmático, discreto, defensivo, com apenas quatro gols feitos em quatro partidas. Este estilo de jogo, que culminou na eliminação da equipe nas oitavas de final, justamente para a Argentina, foi classificado como “a Era Dunga“.
Entretanto, de símbolo do fracasso, o volante deu a volta por cima, quatro anos depois. Tornou-se capitão e peça fundamental do quarto título da Seleção Brasileira em uma Copa. Valente, Dunga ainda cobrou, com personalidade, um dos pênaltis na decisão contra a itália.
Ao levantar a taça diante de jornalistas e críticos, ele desabafou algo que estava entalado no peito por tanto tempo: “Essa é pra vocês, traíras“.

Raphinha foi criticado por atuações nesta Copa
Casemiro, Danilo, Raphinha…
Analistas e comentaristas de futebol dizem que a atual Seleção Brasileira não tem o mesmo nível das de antes. Mas, para falar a verdade, esta percepção só se consolida depois da história estar escrita.
Se o Brasil não ganha, Casemiro é um cara em fim de carreira, que não devia estar lá. Já o Danilo é um zagueiro, que nem deveria ter sido convocado, pois foi improvisado absurdamente como lateral.E as disparidades das grandes atuações de Raphinha no Barcelona e seus jogos apagados com a camisa amarelinha? Já vimos este filme antes.Hoje há mais um capítulo. Pelas oitavas de final da Copa do Mundo, neste domingo (5), a Seleção Brasileira enfrenta a Noruega. O confronto está marcado para as 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
Se ganha, os jogadores são heróis que fazem enormes sacrifícios pelo time. Se perdem, viram vilões de uma eliminação anunciada. Crise à vista.
É a imprevisibilidade do futebol. Sabe-se lá qual será o plot twist de Brasil e Noruega. Tomara que tenhamos um final feliz.
