Governo articula medida para proibir jogos online e apostas

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Camisas de Corinthians, Palmeiras e São Paulo com suas respectivas bets como patrocinadoras
Fotos: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Camisas de Corinthians, Palmeiras e São Paulo com suas respectivas bets como patrocinadoras

O Governo Federal prepara uma Medida Provisória com o objetivo de proibir jogos online e restringir severamente o mercado de apostas esportivas em território nacional. Embora o desenho legislativo final ainda esteja em fase de conclusão pelos ministérios, os vetos desenhados nos bastidores apontam para um cerco quase total à atividade virtual. A meta do Palácio do Planalto é publicar o texto em breve, impulsionado pelas críticas recentes aos impactos sociais do setor.

Essa movimentação provocou um sinal de alerta imediato na indústria esportiva do país. De acordo com estimativas preliminares levantadas nos bastidores, o futebol brasileiro pode amargar um prejuízo de cerca de R$ 1 bilhão em contratos de patrocínio com a eventual proibição. Diante dessa ameaça iminente, dirigentes dos principais times já debatem estratégias conjuntas de articulação em Brasília para mitigar os efeitos da medida.

Alerta nos clubes e reação jurídica das empresas

Atualmente, potências do futebol nacional como Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo ostentam acordos comerciais que ultrapassam os R$ 100 milhões anuais com plataformas do segmento. Além das equipes de ponta, agremiações de menor porte e veículos de comunicação que transmitem partidas também dependem fortemente dessas receitas publicitárias. Por causa desse ecossistema financeiro interligado, a pressão das entidades desportivas passou a pesar diretamente sobre as discussões governamentais.

Por outro lado, as próprias operadoras de apostas já organizam uma contraofensiva e cogitam recorrer ao Poder Judiciário caso os vetos se concretizem. Representantes das empresas alegam que restrições drásticas podem empurrar os apostadores para a clandestinidade, fortalecendo sites não registrados que não pagam tributos. Mesmo assim, o Executivo pondera o impacto fiscal, visto que a arrecadação pública com o setor atingiu cerca de R$ 10 bilhões até julho de 2026.

Lula critica e Governo mantém foco no impacto social

A ofensiva legislativa ganhou força após manifestações contundentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem apontado o endividamento familiar e a dependência psicológica como fatores alarmantes na sociedade. Inclusive, o chefe do Executivo prometeu agir de forma enérgica para conter a proliferação descontrolada das plataformas no cotidiano da população.

“Estamos tomando decisões e logo logo a gente vai anunciar a decisão que a gente vai tomar em relação a isso porque é uma doença, não é um jogo. É a indução de inocentes a um vício”, declarou o presidente.

Dessa forma, enquanto o setor aguardava apenas limites operacionais voltados a cassinos e regras de publicidade, a tendência aponta para uma intervenção consideravelmente mais rígida. Com isso, os próximos dias prometem intensos embates entre os interesses econômicos do esporte e as prioridades sociais estabelecidas pelo Governo Federal .



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