
Internacional anunca Eduardo Baptista como o seu novo técnico
Da série “tá todo mundo louco, oba”, enquanto, na gélida noite da última terça (22), em Criciúma, o time da cidade apanhava de 2 a 0 do Operário, em jogo válido pela Série B de Baptista do Campeonato Brasileiro, ocupava-me, no Centro Cultural São Paulo, de um entretenimento muito mais normal: ELOGIO DA LOUCURA.

Leona Cavalli na peça ‘Elogio da Loucura’, adaptação do livro de Erasmo de Rotterdam
Leona Cavalli, que me deixa louco desde a dourada personagem Lígia do clássico Amarelo Manga, filme de 2002, em um tempo saudoso em que a expressão “nua em pelo” (que saudade do acento diferencial do pêlo, chapeuzinho assassinado pela bizarra reforma ortográfica) fazia sentido (é penta!!!), mexeu, desta vez, com outros sentimentos.
Que mulher! Que artista completa é Leona Cavalli.
A peça (da obra de Erasmo de Rotterdam, escrita em 1508 com cheirinho de ontem), dirigida por Eduardo Figueiredo, que assina a dramaturgia de ELOGIO DA LOUCURA com a própria Leona, é uma sátira humanista que reflete sobre a insanidade que é o mundo contemporâneo. Recomendo com força! Abre parêntese (se puder, vá ver também Na Sala dos Espelhos). Fecha parêntese.
No entanto, ao reconhecer a loucura como parte da condição humana, o monólogo, brilhantemente interpretado por Leona, não me preparou para a exceção à regra. Loucura, para ser normal, também tem limite. ou deveria ter…
Leona Cavalli, gaúcha e colorada, deve concordar comigo que contratar Eduardo Baptista, que traz consigo a enorme rejeição paterna, é overdose de maluquice.
Não sou colorado, mas, sem perder a ternura, jamais, admito que o meu coração é vermelho, eô, eô, e está garantido que o rival azul foi mais caprichoso na escolha. Trazer Eduardo Baptista após o Grêmio anunciar Renato Gaúcho é similar a responder Luis Suárez com Enner Valencia.
Esqueçamos à arte, abramos mãos do futebol-arte e concentremos no futebol pragmático. Eis a notícia: o treinador Eduardo Baptista, que todo ano bate na trave e não consegue, por time nenhum, sair da Série B e ascender à Série A, deixa o Criciúma caindo pelas tabelas com a missão de não deixar o Internacional, atualmente alojado no armagedônico Z4, sair da Série A e voltar para a Série B de Baptista.
É uma contratação patética, inexplicável, estapafúrdia e inacreditável, maluca mesmo considerando que foi feita pela administração Alessandro Barcellos, cartola que ganha a concorridíssima concorrência e é considerada por uma parcela enorme da banda vermelha do Sul como o pior presidente da história do Sport Club Internacional.
A loucura é tamanha que deixa menor o fato da mentira descarada das personagens envolvidas. Na noite de terça (22), Eduardo Baptista, que dirigiu o Criciúma na derrota de 2 a 0 para o Operário (e foi xingado pela torcida catarinense com nomes que esta coluna familiar não pode reproduzir), negou, com o aval da diretoria, veementemente que estava negociando com o Colorado, clube que foi anunciado na manhã de quarta (23).
A verdade é que, desde que tentou (e, ah, vá, não conseguiu) escapar da Série Baptista na reta final do Brasileirão 2016, quando trouxe Lisca Doido, a torcida do Inter não era surpreendida com tamanha bizarrice.
Uma década depois do primeiro (e, por ora, único) rebaixamento, a diretoria colorada sinaliza que está focada no objetivo de fazer o Inter cair novamente. Se vai conseguir é outra coisa, afinal, a concorrência é muito grande e só há duas vagas (Chape e Remo já foram) para muita gente, inclusive para o Grêmio.
Agora, repito e insisto na comparação: trazer Eduardo Baptista após o maior rival trazer Renato Gaúcho (ou Renato Portaluppi, como é tratado no simpático país localizado entre o Uruguai e Santa Catarina) é como responder Luis Suárez com Eneer Valencia: é mais do que o armagedon, é o apocalipse now redux coming soon!
Não é papel de jornalista demitir nem contratar técnico para quem quer que seja. Até por isso, não escreverei, nem admitirei nem sob tortura, que, antes do anúncio de Eduardo Baptista, estava torcendo como louco para Fernando Diniz ser anunciado pelo Colorado…
Bem que Fabinho Soldado, que já levou Félix Torres (que, admitamos, não chega a ser o Figueroa equatoriano) para o Inter, poderia fazer mais essa para Deus ver e para a Fiel comemorar…
É brincadeira: o meu desejo inconfessável e, pois, que jamais será revelado aqui, na coluna Vitão Raiz (ou no meu Instagram, no meu Twitter, no canal Blog do Vitão, ou em qualquer plataforma), é presenciar Fernando Diniz assinando contrato vitalício com a Sociedade Esportiva Palmeiras.
Saravá, São Jorge, que ele vai nos ajudar!
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