
Dívida e compromissos financeiros pressionam planejamento do clube
O presidente eleito do São Paulo para o próximo triênio encontrará uma série de decisões urgentes, que envolvem desde o controle das contas até a montagem do elenco. A dívida superior a R$ 1 bilhão, as pendências com credores e as indefinições no departamento de futebol formam parte do cenário que aguarda a nova administração.
A disputa tem dois candidatos confirmados: Vinícius de Medeiros, da situação, e do outro lado, Marcelinho Portugal, da oposição. Os sócios escolherão os 100 conselheiros eleitos em 28 de novembro. Na primeira quinzena de dezembro, o novo Conselho Deliberativo escolherá o presidente que sucederá Harry Massis Júnior.
Crise financeira no São Paulo marcará o início da nova gestão
O balanço de 2025 registrou dívida de R$ 858,2 milhões e superávit de R$ 56 milhões. Entretanto, um levantamento financeiro referente a julho de 2026 apontou que a dívida já havia ultrapassado R$ 1 bilhão. Além disso, o Conselho Deliberativo reprovou o balanço do exercício anterior após questionamentos sobre movimentações financeiras da gestão de Julio Casares.
Para reforçar o caixa, o São Paulo aprovou um acordo de R$ 140 milhões com a Ticketmaster. A operação reúne R$ 30 milhões pela exploração comercial do camarote 29A do Morumbi durante cinco anos e uma antecipação de R$ 110 milhões, que o clube deverá devolver ao longo de cinco anos, com correção pelo CDI mais 1,99%. Parte dos recursos já ajudou a regularizar direitos de imagem atrasados com jogadores, mas a antecipação também criou compromissos para os próximos exercícios.
As pendências financeiras chegaram ao mercado de transferências. Em outubro, a Fifa aplicou um novo transfer ban ao Tricolor Paulista por causa de uma dívida com empresários envolvidos na contratação de Galoppo. O clube já havia encerrado uma punição anterior relacionada à contratação de Marcos Antônio, junto à Lazio. A nova sanção, no entanto, impede o registro de reforços enquanto o débito não for quitado.
O próximo presidente também precisará definir como pretende reorganizar o departamento de futebol. Dorival Júnior tem contrato até 31 de dezembro de 2026 e manifestou interesse em continuar, mas sua permanência dependerá da avaliação da futura gestão. A situação de Rafinha, diretor de futebol, também permanece indefinida.

Elenco exige decisões antes do início de 2027
O planejamento da próxima temporada já acumula questões contratuais. Lucas Moura tem vínculo até dezembro e ainda aguarda uma definição sobre a renovação. Rafael Toloi, Iago, Cauly e Artur também aparecem entre os jogadores que exigirão decisões. Cada caso apresenta uma condição diferente, entre contratos próximos do fim, empréstimos e opções de compra que precisam caber no orçamento.
Além disso, a nova diretoria terá de rever a política de contratações e a utilização de joias da base. Em 2025, o Soberano arrecadou R$ 283,7 milhões com transferências de atletas, enquanto os direitos de transmissão e as premiações somaram R$ 245 milhões. A dependência das vendas de jogadores aparece como um dos pontos que a oposição pretende reduzir, mas qualquer mudança exigirá alternativas para preservar a capacidade de arrecadação.
O departamento comercial também terá decisões importantes. O contrato de naming rights com a Mondelēz, responsável pelo nome “Morumbis”, termina em 31 de janeiro de 2027. O acordo atual prevê R$ 75 milhões por três anos. O clube chegou a conversar com outras empresas, entre elas a BYD, mas as tratativas não avançaram para um novo contrato.
O que se espera do próximo gestor?
Enquanto Vinícius de Medeiros representa a continuidade da situação, Marcelo Portugal Gouvêa apresenta propostas de reformulação administrativa. Entre as medidas anunciadas pela oposição estão uma auditoria nos primeiros 100 dias, a contratação de um CEO e executivos de mercado, além do cumprimento do orçamento anual. A futura gestão também terá de lidar com as consequências da crise política que provocou a saída de Julio Casares e mudanças na estrutura do clube.
A escolha de dezembro, portanto, definirá quem terá de conciliar essas frentes sem comprometer ainda mais o planejamento esportivo. Antes de pensar em grandes investimentos, o próximo presidente precisará organizar as contas, resolver as pendências que impedem o registro de reforços e definir a estrutura responsável pelo futebol. Só então o São Paulo poderá estabelecer com mais clareza os caminhos para montar o elenco de 2027.
