a evolução no futebol dos EUA entre ‘suas Copas’

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Seleção estadunidense divulgou a convocação para o Mundial nesta segunda-feira (01)
Reprodução/Instagram

Seleção estadunidense divulgou a convocação para o Mundial nesta segunda-feira (01)

O técnico argentino Mauricio Pochettino reservou algumas surpresas na convocação da seleção dos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026. As presenças de Alejandro Zendejas e Gio Reyna e as ausências de Tanner Tessmann, Aidan Morris e Diego Luna são algumas delas, na lista dos 26 escolhidos pelo treinador.  

A convocação, feita em evento ao vivo em Nova York, no início da semana, marca o reencontro dos Estados Unidos com uma Copa em casa, 32 anos depois de sediar o Mundial de 1994, e evidencia a transformação do futebol no país nesse período. Naquela edição, não havia uma liga profissional de futebol em funcionamento, e em 2026 o cenário é completamente diferente. A MLS existe, é robusta, movimenta cifras milionárias e a seleção conta com nomes consolidados no futebol europeu.

Na época da Copa de 1994 os Estados Unidos não tinham uma liga profissional no país
Divulgação / MLS

Na época da Copa de 1994 os Estados Unidos não tinham uma liga profissional no país

A federação que virou “clube”

Sem uma liga profissional em funcionamento em 1994, a USSF foi obrigada a criar uma solução improvisada. A federação montou um centro de treinamento em Mission Viejo, na Califórnia, 18 meses antes da Copa, assinou contratos com os atletas e passou a treinar em tempo integral nos meses que antecederam o torneio, funcionando na prática como um clube.

Nomes como Alexi Lalas, Tony Meola e Marcelo Balboa entraram no torneio sem vínculo com nenhum clube profissional, representando apenas a federação. Claudio Reyna, pai do convocado Gio Reyna, atuava pelo futebol universitário na Universidade da Virgínia e não tinha nenhuma experiência internacional antes do Mundial.

Eric Wynalda foi um dos principais nomes da seleção dos EUA na Copa de 1994 e chegou a se candidatar à presidência da federação
Reprodução / X @EricWynalda

Eric Wynalda foi um dos principais nomes da seleção dos EUA na Copa de 1994 e chegou a se candidatar à presidência da federação

Relação conturbada entre federação e atletas

A relação entre jogadores e federação, no entanto, estava longe de ser tranquila. Em entrevista à CBS Sports, o ex-atacante Eric Wynalda descreveu um ambiente de pressão constante nas negociações, com a USSF adotando uma postura de ‘aceite ou nunca mais jogue com a gente’. Para os atletas, a sensação era de que a federação sempre tentava enganá-los de alguma forma. A tensão explodiu às vésperas da Copa América de 1995.

Ainda no avião rumo ao Uruguai, a USSF apresentou uma proposta que pagava os jogadores de forma escalonada pelo número de partidas disputadas pela seleção. Quem tivesse menos de dez jogos não receberia nada, categoria em que se enquadrava o goleiro Kasey Keller. O grupo ameaçou não jogar, e a federação chegou a cogitar mandar a seleção olímpica no lugar. Um acordo foi costurado antes do início do torneio, mas o clima entre jogadores e dirigentes nunca foi dos melhores.

A Copa de 94 em casa foi uma virada de chave para o futebol estadunidense
Divilgação / 90s Football

A Copa de 94 em casa foi uma virada de chave para o futebol estadunidense

Virada de chave para o futebol estadunidense

O resultado em campo foi além do esperado. Os Estados Unidos empataram com a Suíça, venceram a Colômbia e perderam para a Romênia, terminando em terceiro do grupo e avançando às oitavas como um dos melhores terceiros colocados, antes de serem eliminados pelo Brasil, que seria campeão naquela edição. O técnico sérvio Bora Milutinović, que já havia levado Costa Rica e México às fases finais de um Mundial, estava à frente da seleção na ocasião.

A Copa abriu portas para vários jogadores. Lalas assinou com um clube da Série A italiana, tornando-se o primeiro americano a jogar na liga, enquanto Cobi Jones foi para a Inglaterra e Claudio Reyna para a Alemanha. Mas o futebol ainda era um esporte distante do estadunidense médio. Um segmento do programa Nightline mostrou que 80% dos nativos não sabiam que a Copa começaria no próprio país poucas semanas depois, e boa parte da reportagem foi dedicada a explicar o que era um escanteio.

Pulisic craque da geração estadunidense nunca atuou na MLS
Reprodução/redes sociais

Pulisic craque da geração estadunidense nunca atuou na MLS

A geração que trocou a MLS 

A convocação de Pochettino para 2026 mostra uma mudança clara no perfil do futebol estadunidense. Em 1998, 16 dos 22 jogadores da seleção atuavam na MLS, número que caiu para oito dos 26 na lista atual. A explicação está no Atlântico, com uma geração inteira passando a emigrar cedo, antes mesmo de se firmar na liga americana.

Christian Pulisic abriu o caminho, saindo ainda adolescente para o Borussia Dortmund e depois se transferindo para o Chelsea. Weston McKennie foi para a Juventus, Tyler Adams para o Bournemouth, e Gio Reyna cresceu nas categorias de base do mesmo clube alemão onde Pulisic se revelou. O que em 1994 era raridade, quando Alexi Lalas foi para a Itália após a Copa, virou rotina para essa geração.

Estados Unidos estreiam contra o Paraguai no dia 12 de junho
Divulgação/ USMNT

Estados Unidos estreiam contra o Paraguai no dia 12 de junho

Estreia na Copa de 2026

A seleção dos Estados Unidos se prepara para a estreia na  Copa do Mundo em casa, contra os paraguaios, no dia 12 de junho, no SoFi Stadium, em Los Angeles. Os comandados de Pochettino estão no Grupo D do Mundial, ao lado de Paraguai, Austrália e Turquia. 

Antes do início da competição, os estadunidenses ainda têm um compromisso marcado contra a Alemanha, para a disputa de um último amistoso, no próximo sábado (06), em Chicago.



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