
Ancelotti em entrevista coletiva no Metlife Stadium
O semblante fechado e sisudo de Carlo Ancelotti, em entrevistas coletivas, esconde um pouco a personalidade bem-humorada e afetuosa do italiano. Ainda tentando aprender o português, é comum ver o treinador se limitando a dar respostas mais objetivas para assuntos complexos.
No entanto, mais a vontade em se expressar no idioma nativo, Ancelotti concedeu entrevista, divulgada na manhã de hoje (13), ao jornal italiano La Gazzetta Dello Sport, e revelou que se encantou pelo povo brasileiro, falou sobre a cultura do futebol no país e admitiu que carrega uma enorme pressão e responsabilidade para conquistar o hexa campeonato da Copa do Mundo para o Brasil.
Segundo o treinador, a expectativa em torno da Seleção Brasileira na busca pelo sexto título mundial se compara ao ambiente criado durante o jejum de títulos do Real Madrid na Champions League.
“Sinto como se estivesse de volta à época em que cheguei ao Real Madrid em 2013: estávamos obcecados em ganhar a Décima, o décimo título da Liga dos Campeões que não era conquistado desde 2002 e que trouxemos para o Bernabéu em 2014. Uma vez que estamos aqui (na Copa do Mundo), é melhor pensar que podemos vencer. E, pessoalmente, senti a maior pressão no Real Madrid. E isso não faz mal”, revelou Ancelotti.
Na conversa, Ancelotti contou que se surpreendeu com a paixão dos brasileiros pelo futebol. Segundo ele, mesmo sem os craques que são negociados cada vez mais cedo às ligas estrangeiras, o torcedor não deixa de vibrar pelo esporte.

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Ao desembarcar no Brasil, o italiano também se impressionou por outra expressão cultural marcante no país: o Carnaval. Durante a festa no Rio de Janeiro, ele enxergou características que pretente levar para a Seleção Brasileira.
“No Carnaval, você vê o Brasil: em primeiro lugar, a alegria; depois, a grande energia e o desejo de estar junto; e a super organização, porque o Carnaval, especialmente o do Rio, é uma máquina perfeita em termos de sincronia, construção de eventos e cenografia. Isso é o Brasil. Eu também acrescentaria uma nota sobre a humildade que caracteriza um povo verdadeiramente belo. Se conseguirmos levar a alegria, a energia, a organização e a humildade que caracterizam os brasileiros para a seleção, estaremos muito à frente”, r evelou.

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E a Seleção? Está pronta?
Carlo Ancelotti tem um desafio grande pela frente. As vésperas da estreia na Copa do Mundo, o time ainda parece estar em construção. Depois de perder jogadores fundamentais por lesão, como Rodrygo, Estêvão e Militão, o treinador tem indicado que pode mudar o jeito da Seleção jogar.
Durante a entrevista à publicação italiana, ele falou sobre a adaptação da equipe, principalmente, pela ausência de um legítimo camisa 10. Ancelotti reforçou o estilo maleável e disse que conta com o talento de Vini Jr. e Neymar, mas que o Brasil deve dar prioridade ao sistema defensivo.
“Estamos trabalhando na nossa organização. É um time com muito talento no ataque e muita intensidade no meio-campo. Se conseguirmos organizar a defesa, estaremos bem. Não estou dizendo que não somos fortes na defesa, certo? Os dois zagueiros, Marquinhos e Gabriel Magalhães, jogaram na final da Liga dos Campeões. Alex Sandro é sempre brilhante. Não é uma questão de individualidade; temos muita qualidade. Mas precisamos nos organizar de forma sólida. Eu tenho que fazer alguma coisa, não é?”.

