
Corinthians foi vazado nos últimos sete jogos e vive situação delicada no Brasileirão
O Corinthians entra na reta final da temporada em apuros. A junção de severa ineficiência ofensiva com a perda da solidez na defesa exibida no início do trabalho de Fernando Diniz explicam esse cenário. Eliminado das copas e ameaçado pelo rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o time tem média inferior a um gol por partida após a pausa para a Copa do Mundo. Na competição nacional, o ataque tem poder de fogo equivalente ao da lanterna Chapecoense.
Sem vencer há mais de um mês – desde o 1 a 0 no Rosario Central, pela Libertadores, em 20 de agosto -, a equipe fez 15 gols em 16 partidas depois da volta das competições, no fim de julho. Após aplicar 3 a 0 no Remo, na primeira partida da retomada, o Timão balançou as redes somente mais 12 vezes, levou 18 gols e colecionou frustrações.
Desfalcado há dois meses de Yuri Alberto, seu principal homem-gol, o técnico Fernando Diniz não conseguiu encontrar soluções alternativas. Assim, o estrago foi enorme, com quedas para Internacional e Estudiantes em Copa do Brasil e Libertadores, respectivamente, e uma sequência de seis derrotas no Brasileirão, igualando recorde negativo de 20 anos atrás. Assim, somadas as três competições, já são dez partidas em série sem marcar mais de um gol.
Segundo pior ataque do Brasileirão e zagueiro “suprindo” Yuri Alberto
O pífio desempenho ofensivo do Corinthians no segundo semestre levou a equipe a tornar-se a segunda pior em número de gols no Campeonato Brasileiro. Com 29 gols em 28 partidas (média de 1,04), o Timão tem o mesmo índice que a lanterna Chapecoense e supera apenas o Vitória – 0 time rubro-negro fez um gol a menos que os paulistas (28).
Em sete partidas na competição nacional sem Yuri Alberto, a equipe balançou as redes sete vezes, com uma vitória e seis derrotas. Para ilustrar a carência no ataque, o artilheiro alvinegro no período é o zagueiro Gustavo Henrique, com três gols. Pedro Raul, substituto imediato do camisa 9, marcou apenas duas vezes. Ademais, o jovem Gui Negão, a outra opção de Diniz para o setor, fez um gol. Diante disso, o treinador optou por atuar com o holandês Memphis Depay na função algumas vezes, mas o holandês vive temporada ruim e passou em branco desde a renovação contratual.
“Tivemos muitas situações de cruzamento. Assim, cruzar é um padrão nosso, como já falei para vocês, e isso não depende de termos o Pedro Raul na área ou não”, declarou Fernando Diniz após derrota em clássico para o Santos, fazendo um diagnóstico do problema que tem se repetido.

De defesa intransponível à derrama nos últimos jogos
Nos primeiros 16 jogos com Fernando Diniz, antes da pausa no calendário de clubes para a Copa do Mundo, o Corinthians teve aproveitamento de 64,6% dos pontos se consideradas todas as competições (nove vitórias, quatro empates e três derrotas). Nessa amostragem, a equipe fez 20 gols, uma média de 1,25 gol por partida. Embora os números ofensivos não fossem de encher os olhos, a efetividade um pouco maior e um menor número de gols levados (12) resultou em melhores resultados. Não à toa, a equipe terminou o primeiro turno do Brasileirão em sétimo lugar e foi para a paralisação vivo em Copa do Brasil e Libertadores.
O treinador ainda não conseguiu dar ao Corinthians a identidade de jogo que notabiliza sua carreira, o chamado “Dinizismo”, com posse de bola e muita movimentação. Sem essa identidade e a falta de produtividade ofensiva, ao menos a equipe vinha mostrando alguma solidez na defesa. Mas, como mostram os números, essa virtude também se perdeu nas últimas semanas.
O contraste do primeiro trecho do trabalho de Diniz com o mais recente dá a medida desse descompasso. Afinal, já são sete partidas consecutivas na temporada com a meta de Hugo sendo vazada. Por sua vez, nos primeiros sete jogos sob o comando de Diniz o Corinthians não levou gols.
“Eu acho que a gente teve um começo muito acima da média do esperado e a gente tem agora esse momento, nos últimos 40 dias muito abaixo da média”, declarou o treinador após a derrota para o Fluminense, no último domingo (27), na Neo Química Arena.

Volta de Yuri e ajustes defensivos para a reta final
A dez rodadas para o fim do Brasileirão, o Corinthians terá mais uma semana de treinos antes de enfrentar o Internacional. O jogo do dia 7 de outubro, no Beira-Rio, é um confronto direto na briga contra o rebaixamento, pois o Colorado, 18º colocado com quatro pontos a mais que o Timão. Portanto, derrota em Porto Alegre pode colocar a equipe paulista no Z4, a depender dos resultados de Grêmio, Mirassol e Vasco.
Para voltar a pontuar na competição após seis rodadas, Fernando Diniz busca ajustar o sistema defensivo. Afinal, parar de levar gols é o primeiro passo para reagir no atual contexto. Além disso, o técnico conta com o retorno de Yuri Alberto para ter aspirações ofensivas. Ademais, cinco dias após o duelo com o Internacional, o Timão terá clássico contra o Palmeiras, no Nubank Parque.
A equipe só voltará a jogar em casa dia 19 de outubro, contra o Vitória, pela 31ª rodada. Diante do cenário na tabela, pontuar nos dois jogos anteriores será essencial para não chegar ao choque direto dos dois piores ataques do campeonato dentro da zona do rebaixamento e sob imensa pressão.
