Ataque inoperante faz Corinthians ter pior série com Fernando Diniz

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Meio-campista Breno Bidon fez o gol da única vitória do Corinthians nos últimos cinco jogos
Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Meio-campista Breno Bidon fez o gol da única vitória do Corinthians nos últimos cinco jogos

O Corinthians vive seu pior momento desde que Fernando Diniz assumiu o comando da equipe, em 7 de abril deste ano. A derrota para o Santos, no domingo (30), na Neo Química Arena, foi a terceira consecutiva da equipe no Brasileirão. Além disso, nas últimas cinco partidas, consideradas todas as competições, o Timão obteve apenas uma vitória, com um empate e os três reveses na disputa nacional. E a principal razão para essa péssima sequência é a inoperância ofensiva. No período, foram apenas três gols marcados – uma pífia média de 0,6 gol por partida.

“Eu acho que a gente fez uma partida que merecia um resultado melhor. O time defensivamente foi bem. Faltou criar chances efetivas de gol. Tentamos tabela por dentro, parede e chute de fora da área. E o Santos tinha proposta de esperar. Tivemos mais dificuldades para encerrar as jogadas”, argumentou Diniz após o clássico.

Essa dificuldade de ameaçar a meta adversária, citada pelo treinador, tem sido uma constante. No clássico, por exemplo, embora o Corinthians tenha finalizado 18 vezes, apenas duas foram na direção da meta do goleiro santista Gabriel Brazão. Na entrevista coletiva, Diniz enalteceu o desempenho defensivo, mas reiterou a “falta de agressividade” que passou a ser o principal problema da equipe. Ela coincide com o desfalque do artilheiro Yuri Alberto, mas não só, pois nas duas vitórias que antecederam esse período de seca o Timão marcou duas vezes em cada uma delas.

Memphis Depay centralizado, Pedro Raul no banco e cenário inalterado

Após seis jogos seguidos como titular, Pedro Raul iniciou o clássico contra o Santos no banco de reservas. Ainda sem poder contar com Yuri Alberto, artilheiro da equipe na temporada, Fernando Diniz optou por escalar o holandês Memphis Depay mais avançado e lançou mão do garoto Dieguinho na vaga de Breno Bidon, suspenso pelo terceiro cartão amarelo.

A mudança na escalação não surtiu efeito. A inoperância ofensiva das partidas anteriores foi a tônica no clássico. Aos 18 minutos do segundo tempo, o técnico acabou lançando mão de Pedro Raul na vaga do volante Allan. Porém, o centroavante finalizou apenas uma vez, de cabeça. Além disso, protagonizou um lance que virou meme na internet após tropeçar na bola na entrada da área.

Após passar a temporada passada emprestado ao Ceará, Pedro Raul voltou ao Corinthians neste ano e tornou-se a principal opção na ausência de Yuri Alberto. As outras para o setor são o jovem Gui Negão e o próprio Memphis Depay, quando utilizado mais à frente. Nessa paupérrima série de cinco jogos (dois pela Libertadores e três pelo Brasileirão), o camisa 18 não balançou as redes, jejum que encerrou uma curta lua de mel com a Fiel. Pedro Raul vinha de dois gols nas vitórias anteriores, contra Internacional, pela Copa do Brasil, e Bragantino, no Brasileiro.

Série sem gols de atacantes ilustra dependência de Yuri Alberto

Nenhum dos únicos três gols que o Corinthians fez nos últimos cinco jogos foram de atacantes. Nas derrotas por 2 a 1 para Cruzeiro, na Neo Química Arena, e Coritiba, no Couto Pereira, o zagueiro Gustavo Henrique e o volante Raniele foram os autores do “gol de honra”. Já na única vitória dessa sequência, que teve início em 13 de agosto, Breno Bidon foi o protagonista. Aos 35 minutos do segundo tempo, o meio-campista tirou o Timão do sufoco ao abrir o placar contra o Rosario Central, classificando a equipe para as quartas de final da Copa Libertadores.

Desde que Yuri Alberto sofreu lesão, no empate com o Athletico-PR por 0 a 0, em 30 de julho, a equipe fez nove partidas, com duas vitórias, três empates e quatro derrotas. Nesse recorte, foi eliminada da Copa do Brasil, avançou na Libertadores e estagnou no Brasileirão. Dos sete gols marcados, apenas dois foram de atacantes (Pedro Raul). O zagueiro Gustavo Henrique também balançou as redes adversárias duas vezes. Os meio-campistas Raniele, Breno Bidon e Rodrigo Garro completam a lista, com um gol cada. Diante desse contexto de fragilidade ofensiva, Fernando Diniz chegou a dizer que precisa ter no Brasileirão o empenho demonstrado nos confrontos contra o Rosario Central.

“Não acho que (os resultados) refletem o momento do time. O time não tem jogado mal tecnicamente, mas isso está sendo insuficiente para ganhar os jogos. Precisamos voltar a ter o interesse e a vontade que tivemos nos jogos contra o Rosario. Contra o Rosario, não jogamos melhor do que nos três jogos que perdemos, mas o estado anímico foi totalmente diferente. Acho que precisamos botar isso no Brasileiro, não apenas na Libertadores”

Semana cheia para treinar não surtiu efeito

Antes do duelo contra o Santos, o Corinthians teve uma rara semana cheia para treinar. Porém, em campo os dias de descanso e foco nos treinos não produziram impacto positivo, ainda que Fernando Diniz tenha considerado que o time não jogou mal. Sem evoluir ofensivamente, o Alvinegro sofreu a primeira derrota para o Santos na Neo Química Arena na história do Campeonato Brasileiro e viu cair por terra a invencibilidade do treinador em clássicos – empatou com o Palmeiras e venceu o São Paulo, ambas também em Itaquera.

E o treinador terá novamente um intervalo de sete dias para a próxima partida. No próximo domingo (6), o Corinthians receberá a lanterna Chapecoense, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na quinta-feira passada, Yuri Alberto voltou a sentir dores na coxa direita e teve o retorno à equipe adiado. Os exames não apontaram um novo problema, mas o clube optou pela cautela. A prioridade da comissão técnica é contar com o camisa 9 nos duelos contra o Estudiantes, pelas quartas de final da Libertadores, nos dias 9 e 16 de setembro.

Assim, diante dos catarinenses, Fernando Diniz terá a pressão de reencontrar o caminho das vitórias, sob pena de deixar a primeira parte da tabela do Brasileirão – o Timão é o décimo colocado, com 32 pontos. E a reação passa por maior efetividade ofensiva, com ou sem Yuri Alberto.



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