Brasil x Japão: no futebol, o aluno pode superar o mestre?

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Zico fez história como jogador do Kashima AntlersRedes sociais

No dia 11 de novembro, Zico marcava o gol que ele considera o mais lindo da carreira e não foi pelo clube que ele mais se identificou na vida, o Flamengo.  No chamado “Gol Escorpião”, o camisa dez, então no Kashima Antlers, do Japão, foi lançado na área e, de calcanhar, após mergulhar na bola e fazer um malabarismo, encobriu o goleiro do Tohoku Eletric Po.  Portanto, não é por acaso que, nas últimas 24 horas, Zico passou a ser um dos personagens mais requisitados pela imprensa brasileira.  Afinal, o maior ídolo da história do Flamengo ajudou a construir o melhor esporte do mundo no Japão. E tornou-se um dos elos entre os dois países. Os detalhes deste curioso acontecimento estão na matéria de um especialista em futebol japonês, o competente José Coutinho, repórter do iG. 

Ele também conta quais são os segredos da equipe oriental, próxima adversária da Seleção Brasileira na fase de 16 avos da Copa do Mundo

Pioneiro, brasileiro Ruy Ramos chegou na década de 70 para jogar no JapãoRevista japonesa

Outros brasileiros importantes no futebol japonês

Com o sucesso do camisa dez carioca por lá, nos anos 90 e 2000 o Brasil passou a exportar nomes consagrados da Seleção Brasileira para o futebol japonês, como Dunga, Bebeto, Jorginho, Zinho, César Sampaio e Leonardo – que também fez o gol mais lindo da carreira como atleta do Kashima Antlers. 

Alguns jogadores bons de bola, como Alcindo e Bismark optaram por passar vários anos atuando no país oriental. Mas o primeiro brasileiro a defender a Seleção do Japão, entre 1990 e 1995, foi Ruy Ramos

Os mais experientes, como eu, lembram-se de um cabeludo, com feições ocidentais, atuando no meio-campo japonês com um toque de bola refinado. 

Ex-jogador de campos de várzea de São Paulo, Ruy Ramos chegou ao Japão em 1977 e até hoje mora em Tóquio. Virou uma lenda do Verdy Kawasaki e disputou 32 partidas pelos Samurais Azuis, tendo feito um gol. Conquistou a Copa da Ásia em 92, mas não realizou o sonho de representar o país em uma Copa do Mundo.

Diversos treinadores brasileiros também trabalharam na Terra do Sol Nascente: Levir Culpi, Oswaldo de Oliveira, Toninho Cerezo, Nelsinho Baptista, Paulo Autuori, Jorginho e o próprio Zico marcaram época comandando equipes locais. 

Japão e as 8 Copas seguidas

Ou seja, se o Japão disputou pela primeira vez uma Copa do Mundo em 1998 e desde então não ficou de fora de nenhuma das edições seguintes, deve muito a este intercâmbio com o futebol brasileiro. 

Em 2026, eles montaram uma equipe organizada, talentosa, que jogou de igual para igual com a badalada Holanda, goleou a Tunísia e empatou com a Suécia. 

Inclusive, no ano anterior, em outubro, os Samurais Azuis venceram pela primeira vez o Brasil, após 14 partidas disputadas entre os países, desde 1989.

No amistoso, a Seleção de Ancelotti abriu dois a zero, mas levou a virada, que começou depois de uma falha do zagueiro Fabrício Bruno, do Cruzeiro. O triunfo deixou enlouquecida a torcida no Ajinomoto Stadium, em Tóquio.

Toda derrota é doída, mas os erros podem trazer à Seleção Brasileira doses de seriedade e de humildade para o duelo da próxima segunda-feira. São ingredientes excelentes para quem ainda não tem um time pronto – está evoluindo jogo a jogo, dentro da competição. 

Fica a lição de que os maiores especialistas em um assunto, como brasileiros no futebol, podem cometer erros, pois ninguém é infalível. O genial escritor mineiro Guimarães Rosa, um dia disse: “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.”

Na mesma linha, segundo um famoso ditado japonês,“até os macacos caem das árvores”.

O Brasil tem tudo para passar de fase, mas que não espere um jogo fácil. A história mostra que muitos discípulos já superaram os mestres.



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