Calma, torcida tricolor. A pedra está rolando morro abaixo…

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Zubeldia foi demitido após uma sequência de oito jogo sem vitórias no comando do Flu
Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC

Zubeldia foi demitido após uma sequência de oito jogo sem vitórias no comando do Flu

Em ‘O Mito de Sísifo’, o escritor franco-argelino Albert Camus (1913-1960) utiliza uma imagem oriunda da mitologia grega para discutir uma das grandes questões da filosofia. Ou melhor, do existencialismo: afinal, qual é o sentido da vida?

Sísifo foi condenado pelos deuses a empurrar uma enorme pedra morro acima por enganar a morte. Quando estava quase chegando ao topo, a pedra sempre rolava novamente para baixo. Então, ele precisava recomeçar tudo. O castigo não era apenas o esforço físico, mas a repetição eterna de uma tarefa sem finalidade. O absurdo de uma existência marcada pela repetição, pelo esforço permanente e pela ausência de um objetivo determinado.

Hoje, há algo de Sísifo na torcida do Fluminense.

A cada jogo, o torcedor tricolor parecia colocar as mãos na mesma enorme pedra: a esperança de que o time reagisse sob o comando de Luis Zubeldia. Empurrava para cima, acreditava em uma mudança, esperava uma vitória capaz de alterar o ambiente. Mas a pedra insistia em pesar. A dura realidade do cotidiano tricolor.

Empates, atuações frustrantes, eliminações e uma sequência de oito partidas sem vitória transformaram a relação entre torcida e treinador em um exercício de exaustão. O empate sem gols com o Independiente Rivadavia, na terça-feira (11), pareceu representar o momento em que já não havia força para continuar empurrando.

Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (13), porém, a pedra finalmente rolou morro abaixo.

Zubeldia se foi. E talvez a primeira sensação do torcedor tricolor não seja de euforia, mas de alívio. É como se, depois de meses carregando um peso, fosse possível finalmente soltar as mãos, deixar a penosa e opressiva pedra descer, respirar e olhar ao redor.

E esse ponto é importante, caros tricolores.

A saída de Zubeldia não resolve todos os problemas do Fluminense. Longe disso. Ela apenas permite que os problemas sejam encarados de frente sem a pedra bloqueando a paisagem.

A troca de treinador pode mudar o ambiente, recuperar jogadores e devolver alguma leveza ao elenco. Marcão assume interinamente e terá pela frente, já no sábado, o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. Depois, vem a decisão contra o Independiente Rivadavia, na Argentina, pela Libertadores.

Mas a diretoria precisa tomar cuidado para não transformar a demissão em uma falsa sensação de solução. Se bem que, ultimamente, esperar alguma atitude aceitável da cartolagem tricolor é praticamente impossível. Um trabalho para Hércules. Não o volante. Mas aquele camarada lá da Grécia.

A pedra da torcida tricolor é bem pesada, meus caros. Elenco pessimamente montado, planejamento amador, contratações estapafúrdias, escolhas inacreditáveis e ausência de responsabilidade da parte de que comanda (ou deveria) o clube.

É chegado o momento de o Fluminense fazer o que Sísifo sempre fazia: parar por alguns instantes e observar o caminho. Leve, sem nada lhe massacrando os braços e as costas. Respira fundo. Alonga os ombros.

A pedra foi empurrada morro acima por tempo demais e nem chegou perto de um objetivo. Se é que isso existia com o argentino no comando. Tricolores, olhem para o campo, para o elenco, para a diretoria e para o futuro com clareza.

A pedra caiu.

O que o Fluminense fará antes de começar a empurrá-la de volta é a verdadeira questão.

Porém, nem Camus e nem Sísifo seriam capazes de ter uma resposta para isso.



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