Caos no Corinthians não evitou títulos históricos; relembre

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Luizão carregando o troféu do Mundial de Clubes de 2000, vencido pelo Corinthians
Arquivo Corinthians

Luizão carregando o troféu do Mundial de Clubes de 2000, vencido pelo Corinthians

Há mais de 100 anos, as palavras caos e Corinthians costumam andar de mãos dadas. Canhão midiático e dos clubes mais populares do mundo, o Timão tem pouquíssimos momentos de tranquilidade e paz nos bastidores em toda a sua história.

Apesar disso, as fortes turbulências no Parque São Jorge costumam acompanhar glórias nas quatro linhas. Em diversos episódios, o Alvinegro viu fortes turbulências políticas conviverem diretamente com títulos marcantes. Relembre abaixo alguns episódios:

1997-2000: Dinastia nos campos, bagunça na política

Freddy Rincón levantando a taça do Mundial de Clubes de 2000, vencido pelo Corinthians
Arquivo Corinthians

Freddy Rincón levantando a taça do Mundial de Clubes de 2000, vencido pelo Corinthians

O final do século XX representa um dos períodos mais vencedores da história do Corinthians. Nos quatro anos que encerraram o período centenário, vieram três dos títulos mais importantes da galeria da equipe: os Campeonatos Brasileiros de 1998 e 1999, e a primeira edição do Mundial de Clubes organizado pela FIFA, no início de 2000.

Em campo, uma equipe extremamente dominante, lembrada com carinho como um dos elencos mais estrelados da história do futebol nacional, com astros como o meia-atacante Marcelinho Carioca, os volantes Freddy Rincón e Vampeta, e o goleiro Dida.

Fora das quatro linhas, parcerias peculiares e investimentos incomuns à época. Em 1997, o Banco Excel-Econômico bancou a contratação de diversas estrelas, como Túlio Maravilha e Donizetti, que acabaram não vingando no Timão. Dois anos depois, a empresa estadunidense Hicks Muse assumiu o controle do departamento de futebol. Neste caso, montou a base da equipe campeã mundial em 2000, mas deixou sequelas após a sua saída, em 2001.

Durante o período, o presidente Alberto Dualib também se envolveu uma grande polêmica: o “caso Ivens Mendes”. Em 1997, um áudio vazado pelo “Jornal Nacional” mostrou o dirigente corintiano oferecendo R$ 100 mil a Ivens, que ocupava a presidência do CONAF (Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol). Anteriormente, o homem-forte da arbitragem no Brasil havia pedido R$ 25 mil a Mário Celso Petraglia, do Athletico-PR, insinuando possíveis favorecimentos em partidas do Rubro-Negro.

As turbulências também estavam presentes dentro do futebol. No recorte de quatro anos, foram impressionantes sete treinadores diferentes acumulando nove passagens (excluindo interinos): Nelsinho Baptista, Joel Santana, Candinho (duas passagens), Vanderlei Luxemburgo, Oswaldo de Oliveira (duas passagens), Evaristo de Macedo e Vadão.

Entre os jogadores, não eram apenas flores. Pilares de um meio-campo forte nas quatro linhas, Marcelinho Carioca e Freddy Rincón não tinham uma grande convivência, com diversos integrantes daquele vestiário relembrando episódios de brigas entre os dois.

2005: MSI, dupla galática e título brasileiro

Carlos Tévez foi uma dos principais faces da
Divulgação / Corinthians

Carlos Tévez foi uma dos principais faces da “era MSI” no Corinthians

Ainda sob o comando de Alberto Dualib, o Corinthians entrou em mais uma aventura financeira em 2004, a chegada da Media Sports Investiments (MSI), grupo de investidores europeus que passou a comandar o futebol do clube, principalmente na presença do empresário iraniano Kia Joorabchian, representante do oligarca russo Boris Berezovski.

Para 2005, o grupo fez uma janela de transferências histórica, não poupando recursos nas chegadas de Nilmar, Roger Flores, Carlos Alberto, Seba Domínguez, Javier Mascherano e, principalmente, Carlos Tévez, então recorde do mercado brasileiro.

Em campo, apesar do vestiário completamente rachado em duas “panelas”, deu certo, com o clube conquistando o título do Campeonato Brasileiro de 2005, competição, assim como o ano da equipe, recheada de polêmicas.

Fora dos gramados, muita turbulência. Durante todo o período, Brasília convocava Kia Joorabchian para explicar como funcionava e de onde vinha o dinheiro da MSI, que sofria investigações dos órgãos públicos. Posteriormente, o atrito do iraniano com o presidente Alberto Dualib por poder no futebol acabou crescendo exponencialmente, resultando na saída do grupo.

2015: Salários atrasados, futebol adiantado

Mesmo com seis meses de salários atrasados, o Corinthians venceu o Brasileirão em 2015
Divulgação / Corinthians

Mesmo com seis meses de salários atrasados, o Corinthians venceu o Brasileirão em 2015

Em 2015, o Corinthians voltou a ser campeão nacional após quatro anos com um dos times mais encantadores da era dos pontos corridos. Com Tite no comando técnico, o Timão vencia e convencia com um futebol que priorizava a troca de passes, a posse de bola ofensiva.

No time titular, estrelas, do gol ao ataque: Cássio, Fagner, Gil, Elias, Renato Augusto, Jadson, Vágner Love e muitas outras, que quebraram recordes na campanha rumo ao hexa com atrasos de até seis meses nos salários, que representavam o início da atual crise financeira do clube.

De acordo com diversos integrantes do grupo, como o meio-campista Cristian, em entrevista dada ao GE em dezembro de 2025, a presença de Tite foi fundamental para que o grupo superasse a questão econômica para seguir a caminho do título.

2017: 4ª força, 1º lugar

4ª força? Corinthians superou rivais e venceu Paulistão e Brasileirão em 2017
Divulgação / Corinthians

4ª força? Corinthians superou rivais e venceu Paulistão e Brasileirão em 2017

O Corinthians começou o ano de 2017 após finalizar 2016 de maneira extremamente turbulenta. Depois da saída de Tite, que assumiu a Seleção Brasileira em junho daquele ano, a equipe entrou em uma espiral negativa, marcada pelas passagens ruins de Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira.

Logo após o término da temporada, a diretoria, comandada na ocasião por Roberto de Andrade, tomou a impopular decisão de efetivar Fábio Carille, auxiliar de Tite nas conquistas históricas dos Campeonatos Brasileiros de 2011 e 2015, da Libertadores e do Mundial de Clubes de 2012, como o treinador do time principal.

Diversos jornalistas e comentaristas não reagiram bem à mudança, e apontaram o Corinthians, durante a disputa do Campeonato Paulista, como a “quarta força do estado”, atrás de Palmeiras, Santos e São Paulo.

No entanto, no mesmo Paulistão, veio a virada de chave. Ainda na primeira fase, o Timão enfrentou o Palmeiras na Neo Química Arena. Nos acréscimos da primeira etapa, Maycon parou um contra-ataque adversário com uma falta, clara de cartão amarelo. O árbitro Thiago Duarte Peixoto concordou e deu o amarelo, mas para o jogador errado. Gabriel, que já havia sido advertido, acabou expulso, criando um clima de guerra em Itaquera. No segundo tempo, Jô, em um novo contra-ataque, deu a vitória ao Alvinegro, embalando o time.

Depois do histórico triunfo, Fábio Carille superou as críticas e comandou o Corinthians às conquistas do Campeonato Paulista, sobre a Ponte Preta, e do Brasileirão, com outra vitória marcante sobre o Verdão na reta final.

2025: Augusto Melo, impeachment, dois títulos

Título da Copa do Brasil do Corinthians foi acompanhado por forte briga nos bastidores
Reprodução / X

Título da Copa do Brasil do Corinthians foi acompanhado por forte briga nos bastidores

Perto de 2025, os casos citados anteriormente parecem até exemplos de boa gestão e bastidores calmos, tranquilos. A equipe iniciou o ano com o argentino Ramón Díaz no comando técnico, que havia terminado 2024 com quedas frustrantes na Copa Sul-Americana e na Copa do Brasil, para Racing e Flamengo, respectivamente.

Com a mesma base no time titular, com nomes como Memphis Depay, Rodrigo Garro e Yuri Alberto, o Alvinegro quebrou um jejum de seis anos sem títulos ao derrotar o Palmeiras e levantar a taça do Campeonato Paulista.

Nove meses depois, já sem Ramón Díaz, mas com Dorival Júnior no banco de reservar, bateu o Vasco no Maracanã e venceu a Copa do Brasil, primeiro título nacional da equipe desde 2017, quando havia conquistado o Campeonato Brasileiro.

No entanto, os dois títulos aconteceram simultaneamente ao momento mais conturbado da história da política do clube, marcado, principalmente, pelo  impeachment do presidente Augusto Melo, que estava no seu segundo ano de mandato.

Dois meses depois do título paulista, o mandatário teve o seu impeachment aprovado no Conselho Deliberativo do clube, sendo oficialmente retirado do posto de presidente, que passava a ser ocupado por  Osmar Stábile.

Augusto, que foi afastado do cargo por irregularidades no contrato de patrocínio máster com a casa de apostas “Vai de Bet”, tentou permanecer no comando do time “à força”, invadindo a sala presidencial do Parque São Jorge.

Ainda durante o ano, outros escândalos foram revelados ao público, como os gastos pessoais de dois ex-presidentes: Duílio Monteiro Alves e Andrés Sanchez no cartão corporativo do clube. No caso do primeiro, inclusive, foram encontradas aquisições peculiares, como cervejas, cigarros e até mesmo remédios que combatem a disfunção erétil.

Com o elenco, também haviam polêmicas, como o contrato de Memphis Depay, recheado de bonificações futuras, que acabaram diminuindo a porcentagem das premiações dos títulos que ficariam com o próprio time.



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