
Taremi desabafou após empate com o Egito
O desabafo de Mehdi Taremi veio no momento mais tenso da Copa do Mundo para o Irã. Pouco depois do empate por 1 a 1 com o Egito, no Lumen Field, em Seattle, pela última rodada do Grupo G, resultado que deixa a classificação iraniana condicionada à combinação de outros resultados, o capitão iraniano aproveitou a entrevista com a imprensa para fazer um forte desabafo.
Esta é uma Copa do Mundo desastrosa. Como jogadores profissionais, não podemos disputar uma competição nessas condições, não está certo nem é justo
Taremi ressaltou ainda sobre os deslocamentos constantes, controles migratórios, impossibilidade de permanência da delegação iraniana em território americano e falta de resposta prática da Fifa diante dos problemas enfrentados pela seleção.
Jogo aumentou a frustração iraniana
O desabafo veio depois de uma noite especialmente amarga para o Irã.
A seleção precisava da vitória para se classificar sem depender de outros resultados. Saiu atrás logo no começo, quando Mahmoud Saber aproveitou rebote após jogada de Salah e abriu o placar para o Egito. Pouco depois, Taremi sofreu pênalti, mas cobrou mal e parou em Mostafa Shoubir.
Ainda no primeiro tempo, o Irã conseguiu reagir. Depois de boa troca de passes e defesa de Shoubir, Ramin Rezaeian aproveitou o rebote, mesmo sem ângulo, e empatou a partida. O time iraniano seguiu pressionando, mas teve dificuldade para transformar volume em gols.
Na etapa final, já sabendo que a Bélgica vencia no outro jogo do grupo, o Irã voltou mais ofensivo. Tentou chutes de fora, buscou contra-ataques e pressionou nos minutos finais. Nos acréscimos, chegou a marcar o segundo gol, mas o lance foi anulado por impedimento após revisão do VAR. A equipe ainda criou mais duas chances, mas não conseguiu virar.
O empate manteve o Egito vivo e empurrou o Irã para uma situação de espera. A entrevista de Taremi nasceu justamente dessa mistura de classificação direta perdida, desgaste acumulado e sensação de injustiça fora de campo.
Irã teve rotina afetada fora de campo
A campanha iraniana na Copa foi marcada por uma sequência de dificuldades fora das quatro linhas. A delegação não pôde se instalar normalmente nos Estados Unidos, apesar de disputar jogos em cidades americanas.

Todos os jogadores da delegação iraniana
Com isso, a equipe precisou se submeter a controles migratórios sempre que queria jogar.
Não podemos ficar no país, viajamos e nos submetemos a controles migratórios toda vez que queremos jogar. Agora não podemos ficar em Seattle e temos que voltar para Tijuana
A situação aumentou o desgaste físico e emocional do grupo. Em uma Copa do Mundo, a rotina entre jogos costuma ser planejada nos mínimos detalhes: recuperação, alimentação, sono, deslocamento, treino, reunião tática e preparação mental.
O técnico Amir Ghalenoei também já havia reclamado do tratamento recebido pela seleção.
Não tivemos as mesmas condições que outras equipes. Isso impacta diretamente na preparação e no desempenho dentro de campo
Cobrança direta a Infantino
Taremi também citou diretamente Gianni Infantino. Segundo o capitão, o presidente da Fifa esteve no vestiário iraniano depois da estreia contra a Nova Zelândia e prometeu tentar resolver os problemas.

Gianni Infantino, presidente da FIFA, durante evento nos EUA
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, veio ao nosso vestiário depois do primeiro jogo contra a Nova Zelândia e disse que ia resolver todos os problemas, mas, na verdade, a Fifa não fez nada
O atacante ainda foi além. Ao responder se sentia que os organizadores preferiam ver o Irã eliminado, Taremi disse que, do ponto de vista dos jogadores, essa percepção existia.
“Temos que lutar contra absolutamente tudo”, afirmou.
Reclamação vai além do resultado
O capitão falou como representante de um elenco que se sente prejudicado por condições de trabalho. Para ele, uma Copa do Mundo não deveria colocar jogadores em uma rotina de insegurança logística, controles sucessivos e deslocamentos desgastantes.
Há também um componente político inevitável. A presença do Irã em uma Copa sediada também nos Estados Unidos ocorre em meio a tensões entre os dois países. Essa relação contaminou o ambiente do torneio para a delegação iraniana, que passou a conviver com restrições e procedimentos diferentes dos enfrentados por outras seleções.
Mesmo assim, os jogadores tentaram manter o foco na competição. O incômodo de Taremi, porém, mostra que a situação chegou a um limite.
Se a Fifa acha que isso é justo, problema deles, mas não é. Quem deveria resolver esse problema por nós? A Fifa? Os EUA? Não sei. Me digam um nome Mehdi Taremi

