
Clamor por Neymar na Seleção supera desejo por Romário em 2002
No dia 07 de maio de 2002, Luis Felipe Scolari tomou uma decisão polêmica, que surpreendeu o Brasil. Em sua lista final para a Copa do Mundo, o treinador optou por deixar Romário, herói do tetra, de fora.
24 anos depois, o país vive uma expectativa semelhante, com outro astro vivendo uma situação parecida com a do Baixinho: Neymar. Mesmo sem ser testado por Carlo Ancelotti, o atacante do Santos ainda sonha com uma vaga no Mundial. Relembre abaixo o drama de Romário e compare com a situação da estrela alvinegra:
Baixinho fora

Romário foi ausência em 1998 por corte polêmico
Após uma frustrante ausência na Copa do Mundo de 1998, causada por uma polêmica lesão na panturrilha direita, o centroavante seguiu sendo artilheiro no Flamengo, mas foi retomar uma fase histórica apenas em 2000, no Vasco, quando marcou 73 gols.
Em meio ao momento absurdo no Gigante da Colina, retornou à Seleção Brasileira em setembro de 2000, convocado por Vanderlei Luxemburgo para o duelo contra a Bolívia, pelas Eliminatórias. Autor de três gols no jogo, o Baixinho voltou de vez a competir por vaga no ataque do time canarinho.
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Luxa acabou sendo demitido um mês depois, após a campanha decepcionante do Brasil nas Olimpíadas, mas o goleador continuou sendo convocado, marcando três gols contra a Venezuela, e mais um sobre o Peru.
Depois de uma passagem relâmpago de Emerson Leão, Felipão assumiu o comando técnico da Seleção nas vésperas da Copa América, e não teve boas impressões iniciais de Romário.

Felipão confiou a braçadeira de capitão de sua estreia na Seleção a Romário, mas relação mudou
Para sua primeira competição, a Copa América de 2001, Scolari gostaria de contar com o Baixinho, capitão de sua estreia no cargo. No entanto, o jogador pediu dispensa do torneio para fazer uma cirurgia no olho esquerdo.
Apesar do suposto procedimento, enquanto o Brasil estava na Colômbia, Romário embarcou com o Vasco para Cancún, no México, para a disputa uma série de amistosos.
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Após uma campanha vexatória na competição continental, Felipão decidiu excluir o centroavante vascaíno dos últimos compromissos da Seleção nas Eliminatórias, convocando Luizão em seu lugar.
A dúvida sobre a presença ou não de Romário na Copa acabou em maio de 2002, quando o treinador divulgou a lista de convocados para a Copa sem Romário.
Muito querido, o artilheiro gerou protestos de torcedores revoltados com sua ausência. A convocação de Felipão só deixou de ser polêmica no dia 30 de junho, quando Ronaldo, muito questionado antes do torneio, decidiu a final, contra a Alemanha, com dois gols.
A última dança de Neymar?

Desde sua estreia, em 2010, Neymar é protagonista da Seleção
Protagonista brasileiros nas últimas três Copas do Mundo, Neymar iniciou o ciclo ainda como o principal nome da Seleção, sendo decisivo nas três primeiras rodadas das Eliminatórias.
Na quarta, no entanto, sofreu a lesão mais grave de sua carreira: uma ruptura no ligamento cruzado anterior (LCA) e no menisco do joelho esquerdo, contra o Uruguai, em Montevidéu.
A lesão, que exigiu uma intervenção cirúrgica, afastou o atacante dos gramados por mais de uma temporada. Neste período, viu sua relação com o Al-Hilal ficar ruim, resultando em uma transferência ao Santos.
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No Peixe, tentou recuperar a forma física ideal e, mesmo oscilando fisicamente, foi chamado por Dorival Júnior em março de 2025, para as partidas contra Colômbia e Argentina.
Apesar disso, seu retorno à Seleção foi adiado, por um edema na coxa esquerda, que resultou em seu corte. Os jogos das Eliminatórias terminaram com a demissão de Dorival, que nunca escondeu que contaria com Neymar na Seleção.

Dorival Júnior tentou contar com Neymar na Seleção, mas esbarrou em questões físicas
Após rescindir com o profissional, a CBF ousou na escolha do quarto técnico do ciclo preparatório para o Mundial de 2026, buscando o italiano Carlo Ancelotti, que havia acabado de deixar o Real Madrid.
Conhecido por se dar bem com craques brasileiros, Ancelotti não descartou contar com Neymar na Copa do Mundo desde sua primeira entrevista coletiva, em sua apresentação no cargo.
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No entanto, sempre ressaltou que não convoca nenhum jogador que não esteja 100% fisicamente, afirmando acompanhar de perto a evolução de Neymar em busca de uma vaga.
Até o momento, Ancelotti convocou a Seleção em cinco oportunidades, e em nenhuma delas, chamou o nome do ídolo do Alvinegro Praiano. Fisicamente, o jogador conseguiu, finalmente, uma longa sequência. Na contramão, não vem mostrando capacidade de alterar resultados como já fez um dia.
Clamor amplificado
Por mais que Romário vivesse uma fase melhor em relação ao Neymar atual e provavelmente ter uma porcentagem maior de aceitação na Copa do Mundo na comparação, o clamor pelo astro santista de volta ao time canarinho é maior.
Fazendo gols em todos os finais de semana em sua época, o Baixinho, infelizmente (ou felizmente), não contava com a ajuda da principal inovação do século: as redes sociais.
Como o próprio Romário disse, em sua conta oficial no X (antigo Twitter), momentos depois da convocação de Dunga para a Copa de 2010, a rede social poderia ter mudado a mente de Felipão em 2002.

Em 2010, Romário já enxergava o poder das redes sociais em relação à Seleção

