
Carlo Ancelotti teve papel importante na classificação brasileira
É impossível analisar a sofrida e heróica classificação da Seleção Brasileira para as oitavas de final da Copa do Mundo, sem pensar nas escolhas de Carlo Ancelotti.
Afinal, tanto o gol japonês, quanto os dois da virada verde-amarela, passam por convicções do treinador italiano, que dirige a equipe pentacampeã desde o final de maio de 2025 – ou seja, há pouco mais de um ano.
“Homens de confiança”
O Japão abriu o placar em um contra-ataque gerado por um erro de passe de um dos jogadores mais contestados do elenco. Danilo, de 34 anos, é um dos “homens de confiança” do treinador. Inclusive foi o único atleta convocado antecipadamente para a Copa, em março.
No Flamengo, ele joga atualmente como zagueiro, principalmente porque já não tem o vigor físico de outrora para correr atrás de atacantes rápidos. Na Seleção, virou a única opção para a lateral-direita, graças ao corte de Wesley por lesão. É quase imperdoável a Seleção não ter um jogador da posição no banco de reservas.
Pois bem, no gol dos Samurais Azuis, o passe de Danilo foi interceptado por Sano na intermediária. Na sequência, Casemiro, o outro “homem de confiança” de Ancelotti, não fez a falta por estar amarelado e acabou abatido com facilidade. Casemiro tem a mesma idade de Danilo. E foi extremamente criticado depois da estreia na Copa do Mundo, quando o Brasil foi encurralado por Marrocos nos 30 minutos iniciais da partida, que terminou empatada.
Contra o Japão, durante os 45 minutos, o ritmo dele foi mais uma vez lento. Sem falar nas trombadas com companheiros em campo. Casemiro parecia perdido.

Gabriel Martinelli fez o gol da virada do Brasil contra o Japão
Como o Japão terminou o primeiro tempo à frente no placar, dez entre dez brasileiros esperavam que o Brasil fosse voltar para a segunda etapa sem Casemiro, que corria risco grave de ser expulso, caso precisasse “matar” um novo contra-ataque.
Porém, surpreendentemente, Carlo Ancelotti manteve o veterano no campo. Com o suporte do “mister”, Casemiro melhorou consideravelmente seu desempenho e foi premiado com o gol de empate, usando a cabeça. Ou seja, foi do inferno ao céu.
Por fim, outra escolha do treinador acabou levando o Brasil ao gol da vitória. No momento em que Vini Jr. passou a ganhar os confrontos pela esquerda, Ancelotti tirou de banco de reservas Gabriel Martinelli, que costuma atuar pelo mesmo lado do campo que o artilheiro da Seleção.Só que, a pedido do comandante, o atacante do Arsenal, da Inglaterra, ficou mais centralizado e ajudou o Brasil a chegar às oitavas de final, com o gol nos acréscimos. Portanto, o triunfo brasileiro foi construído com o talento individual dos atletas e com méritos do “professor”, que manteve a calma e acertou nas substituições, provando outra vez porque é um dos treinadores mais vitoriosos do planeta.Ancelotti teve sim acertos importantes no jogo. Mas é preciso ter cuidado porque a partir da próxima fase a tendência é que os próximos adversários, mais qualificados, não perdoem mais erros escancarados da Seleção Brasileira. É hora de corrigi-los, “mister”.

