
Gustavo Scarpa inspira torcedores rivais a criarem grupos de leitura
Gustavo Scarpa conseguiu levar a influência do futebol para um território pouco comum entre jogadores, a literatura. As resenhas publicadas pelo meio campista do Atlético Mineiro nas redes sociais deram origem à Galeitura, clube criado por torcedores do Galo, e o movimento rapidamente ultrapassou a torcida atleticana. Outras torcidas também ganharam grupos voltados aos livros, mas a iniciativa chegou a provocar uma situação inesperada quando torcedores do Cruzeiro decidiram criar o Cruleitores e foram alvo de ataques nas redes sociais.
A história começou com a repercussão de uma resenha de Scarpa sobre “A Morte de Ivan Ilitch”, clássico do escritor russo Liev Tolstói. O vídeo ganhou grande alcance e ajudou a levar o livro ao topo da lista de mais vendidos da Amazon Brasil. A partir daí, a torcedora Carolina Marques criou a Galeitura para reunir atleticanos interessados em acompanhar as indicações do jogador e discutir as obras escolhidas. Em poucos dias, o projeto passou a reunir centenas de participantes e ganhou dezenas de milhares de seguidores no Instagram.

Galeitura
Galeitura vira ponto de partida para outras torcidas
O sucesso da iniciativa fez a proposta atravessar a rivalidade entre clubes. Torcedores do Corinthians criaram a Fiel Leitura, enquanto São Paulo e Grêmio também ganharam projetos semelhantes, com Tricoler e Imortal Leitura. A ideia central é transformar a paixão pelo futebol em uma porta de entrada para a literatura, com os participantes acompanhando cronogramas de leitura e discutindo os livros escolhidos nos grupos.
No caso do Atlético, a Galeitura também ganhou espaço fora das redes sociais. O movimento passou a desenvolver uma campanha em parceria com o Instituto Galo para arrecadar livros infantojuvenis destinados a jovens de 10 a 17 anos. O próprio Scarpa entrou no grupo criado pelos torcedores e passou a acompanhar de perto a repercussão das indicações que publica. O jogador também mostrou companheiros de equipe lendo durante momentos de descanso.

Cruleitores foi alvo de ataques por parte de torcedores
Rivalidade chega aos clubes de leitura
A tentativa de levar a ideia para o Cruzeiro teve um caminho diferente. O perfil Cruleitores foi criado por torcedores celestes inspirado diretamente na Galeitura, com a proposta de aproximar futebol e literatura. A iniciativa, porém, ficou poucas horas no ar. Parte da própria torcida do Cruzeiro não recebeu bem o projeto e os responsáveis relataram ter recebido ataques, xingamentos e ameaças nas redes sociais.
As críticas estavam relacionadas principalmente à associação do projeto com a iniciativa atleticana. Os responsáveis pelo Cruleitores acabaram deixando a organização original, enquanto outro grupo assumiu a continuidade do movimento, mantendo o projeto vivo. A Galeitura também se posicionou sobre o episódio e repudiou os ataques contra os cruzeirenses, defendendo que a literatura ultrapasse a rivalidade entre os clubes.

Scarpa começou a postar vídeos falando sobre os livros que lê
Scarpa amplia influência para além dos gramados
Enquanto os clubes de leitura se espalham pelas torcidas, Scarpa segue alimentando o movimento com novas indicações. O jogador já afirmou que não esperava uma repercussão tão grande para seus vídeos, especialmente por se tratar de obras antigas e de literatura russa. A repercussão, porém, fez com que uma atividade que o meia praticava nas redes sociais passasse a reunir torcedores de diferentes clubes em torno dos livros.
O fenômeno também chegou ao elenco do Atlético. Scarpa já compartilhou registros de companheiros lendo e chegou a presentear jogadores com livros indicados por ele. O que começou como vídeos de um jogador comentando suas leituras acabou criando comunidades, campanhas de arrecadação e novos projetos entre torcedores. No meio da rivalidade do futebol brasileiro, a literatura encontrou uma maneira diferente de entrar em campo.
• SAIBA MAIS: “Gato” e “tapetão”: por que CBF não realizou Brasileirão em 2000
