
Corinthians é lanterna do returno e acumula oito derrotas consecutivas
Após a goleada para o Palmeiras, o zagueiro do Corinthians Gabriel Paulista fez um forte desabafo e chorou na zona mista do Nubank Parque. Ao comentar os seguidos atrasos de salários, ele mencionou a interferência das questões extracampo no desempenho da equipe e expôs sentir cansaço de proteger “alguns profissionais”, referindo-se a integrantes da diretoria. Em especial, uma frase do jogador, que chegou ao clube do coração no início do ano, sintetiza o que viveu o time nos dois últimos dois meses. No período, o Timão passou de uma situação tranquila no Brasileirão e com objetivo ambicioso na Libertadores a sério candidato ao rebaixamento.
“Eu abri mão de muitas coisas para viver um sonho e agora estou vivendo um pesadelo ”, declarou o zagueiro após os 4 a 1 no Dérbi. A oito rodadas do fim da competição, o clube só escapou de entrar na zona do rebaixamento porque houve empate no clássico entre Grêmio e Internacional.
Há 65 dias, em 9 de agosto, o Corinthians venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 0 e terminou a 22ª rodada na nona colocação, a quatro pontos do G4. Com o posto confortável na tabela, a equipe tratava como prioridade os mata-matas da Libertadores. No entanto, desde então o clube foi eliminado em casa do torneio continental e não pontuou mais no Brasileirão. Já são oito derrotas consecutivas, recorde negativo na era dos pontos corridos.
Crise técnica do Corinthians vem na esteira de situação financeira crítica
Na entrevista de tom desolado, Gabriel Paulista citou o impacto que vem produzindo os seguidos atrasos no pagamento dos salários, em particular nos atletas mais jovens. A queda de desempenho da equipe no segundo semestre coincide com as frequentes notícias de dificuldades do clube para honrar os compromissos financeiros com o elenco.
“Eu consigo me manter durante um tempo, mas tem jogador que não consegue. Eu ganhava pouco no meu início. Se eu passasse por uma situação como essa, minha família talvez passasse fome. Ontem, falei com alguns (jogadores), disse que se eles estiverem precisando de alguma ajuda, eu estaria à disposição”, declarou.
Com dívida total de R$ 2,8 bilhões, segundo o balanço financeiro do primeiro semestre de 2026, o Corinthians vive crise financeira alarmante. Ademais, o clube, que terá eleições presidenciais em 28 de novembro, está impedido de registrar novos jogadores por seguidos transfer bans da Fifa. Apesar desse cenário, renovou contrato com Memphis Depay após pressão da torcida e com o holandês fazendo concessões nos termos do acordo, incluindo renegociação de dívidas com o atleta.

Corinthians se torna presa fácil e ocupa a lanterna do returno
A oito rodadas do fim do Brasileirão, o Corinthians tem a mesma pontuação do Internacional, que abre o Z4, e só é o “porteiro do Z4” por ter uma vitória a mais que os gaúchos. O risco efetivo de sofrer o segundo rebaixamento da história deve-se a essa derrocada de dois meses que fazem do clube o lanterna do returno com míseros cinco pontos em 11 jogos, um aproveitamento de 15,15%. Para chegar aos 45 pontos, índice considerado seguro para escapar, o time precisa de 54,17% dos pontos (13 dos 24 em disputa).
A sequência ruim teve quatro jogos em casa, incluindo derrota até mesmo para a última colocada do campeonato, a Chapecoense. Ou seja, nem mesmo na Neo Química Arena, com a força da fiel torcida, a equipe tem conseguido reagir. Ademais, o período também inclui dois reveses em clássicos (Santos e Palmeiras). Ademais,, a vulnerabilidade defensiva tornou-se o ponto mais crítico da equipe. Na sequência de oito derrotas, o Corinthians sofreu 18 gols, uma média de 2,25 por partida. Nas 20 rodadas anteriores, o índice era inferior a um por jogo (20 gols em 22 rodadas).
“Ele sabe que precisamos pontuar, precisa voltar a se defender cada vez melhor, ganhar jogos de 1 a 0”, declarou Marcelo Paz, executivo de futebol, ao citar a contratação de Seedorf para técnico e explicar que a prioridade é resolver o problema defensivo.

Clube elege como “salvador” ex-jogador de grife que tem pouca experiência como técnico
Horas antes do Dérbi, o Corinthians surpreendeu ao anunciar Clarence Seedorf como técnico para a vaga de Fernando Diniz, demitido após derrota para o Inter. O ex-jogador holandês, de 50 anos, teve carreira muito expressiva nos gramados, mas uma trajetória curta e modesta na função de treinador.
O último trabalho de Seedorf foi há pouco mais de sete anos. Em 16 de julho de 2019, ele perdeu o emprego na seleção de Camarões após a eliminação para a Nigéria, na Copa Africana de Nações. Nos Leões Indomáveis, o holandês trabalhou em apenas dez jogos, com três vitórias, três derrotas e quatro empates. Antes, o ex-jogador comandou o Milan, onde é ídolo, o chinês Shenzhen FC e o Deportivo La Coruña. Assim como agora no Corinthians, chegou ao clube espanhol com a missão de evitar o rebaixamento em 2018, mas acabou fracassando (duas vitórias, seis empates e oito derrotas). Como jogador, o holandês foi o único a conquistar a Liga dos Campeões da Europa por três clubes diferentes – Ajax, Milan e Real Madrid. Curiosamente, ele encerrou a trajetória nos gramados defendendo um time brasileiro, o Botafogo, em 2014.
Seedorf terá a missão de evitar que o Corinthians volte a ser rebaixado após 19 anos. Na próxima segunda (19), a equipe recebe o Vitória, na Neo Química Arena. Além desse duelo, serão mais três em casa (Mirassol, Botafogo e Grêmio) e quatro como visitante (Vasco, São Paulo, Atlético-MG e Remo). De acordo com o Departamento de Matemática da UFMG, a probabilidade de rebaixamento do Timão é de 43,1%.
