
Rui Pinto descobriu os documentos que levaram à condenação do Manchester City por fraude
Ele não é jogador, empresário ou muito menos alguém que se faça presente em um estádio de futebol. Na frente de um computador, ele se tornou uma das figuras mais controversas do futebol europeu após criar o Football Leaks, plataforma que divulgou documentos confidenciais de clubes, jogadores e agentes. Agora, o hacker português Rui Pinto volta aos holofotes após o desfecho do processo que envolveu o Manchester City na Premier League.
Rui Pinto criou o Football Leaks em 2015 com a proposta de revelar o que classificava como o “lado oculto do futebol”. Inicialmente, o site concentrou informações relacionadas ao Benfica e ao Porto apenas. Depois, porém, os vazamentos alcançaram grandes nomes do esporte, como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e até mesmo Neymar.
Com o tempo, ele passou a colaborar com jornalistas investigativos. Rui chegou a trocar mais de 70 milhões de documentos com repórteres do jornal alemão ‘Der Spiegel ‘ e integrantes do European Investigative Collaborations. O material incluía e-mails internos, contratos de patrocínio, pagamentos e outras informações sobre o mercado do futebol.
‘Devastador para os Cityzens’
Entre os documentos estavam informações relacionadas ao Manchester City. Os vazamentos ajudaram a alimentar investigações sobre as finanças do clube e se tornaram parte do contexto que levou a Premier League a apresentar 115 acusações. Uma comissão independente considerou o City culpado em 114 das 115 acusações originais. O clube recorre da decisão.
Depois da decisão envolvendo o Manchester City, Pinto voltou a se manifestar sobre o impacto de seu trabalho. Ele classificou o resultado como uma decisão histórica para o futebol inglês .
“Hoje, todos sabemos que, por meio de manipulação estrutural e manobras financeiras, o Manchester City não apenas contornou as regras, mas as transformou em mera formalidade, desafiando qualquer tentativa de preservar a integridade da competição. Essa fraude meticulosamente orquestrada finalmente será sujeita a punição, e o impacto não será apenas turbulento, mas verdadeiramente devastador para os Cityzens”, escreveu Rui em uma rede social.
Prisão e extradição
O trabalho de investigação mudou, porém, a vida de Rui Pinto. As autoridades o identificaram e o localizaram na Hungria, em 2019. Ele foi preso e extraditado para Portugal. Em 2023, um tribunal português o condenou a quatro anos de prisão com pena suspensa por crimes que incluíram acesso ilegal a sistemas informáticos, divulgação de e-mails privados e tentativa de extorsão. Na França, ele recebeu outra sentença suspensa de seis meses por acesso ilegal a e-mails do Paris Saint-Germain.
Ao mesmo tempo, a atuação de Rui Pinto divide opiniões. Enquanto críticos destacam os métodos ilegais utilizados para obter os documentos, defensores afirmam que os vazamentos revelaram informações de interesse público. Até mesmo seu advogado, declarou que ele não era “um herói” nem “um santo”, mas reconheceu que seu trabalho trouxe benefícios para a sociedade.
