
Seleção da África do Sul na Copa do Mundo de 2026
África do Sul e Canadá abrem a disputa mata-mata da Copa do Mundo neste domingo (28). Mesmo sendo muito unido quando o assunto é futebol, o continente africano resolveu se unir para torcer contra a seleção Bafana Bafana, apelido dado à África do Sul, neste Mundial.
Entenda
Nas redes sociais, africanos de países diferentes se manifestaram e explicaram seu desafeto contra a África do Sul em meio à disputa da Copa do Mundo. A dançarina e influenciadora congolesa Promess Kayirenzi publicou um vídeo explicando os motivos pelos quais ela e a maioria dos africanos estavam torcendo contra a seleção sul-africana.
“A África do Sul é um país xenofóbico. Um país onde já faz milhares de anos que matam africanos, principalmente moçambicanos, as maiores vítimas, pois eles vão muito lá. A África do Sul tem condições boas, e muitos africanos vão lá para tentar uma vida melhor. Só que neste momento em que estão na Copa do Mundo, também estão matando milhares de pessoas, já queimaram pessoas vivas várias vezes. Já vi vários cenários parecidos”, iniciou a influenciadora.

Promess Kayirenzi, influenciadora e dançarina da República Democrática do Congo
“Esse país, acreditem, que é um país de negros, não gosta de negros. Os brancos podem imigrar e viver normalmente, os indianos e outras raças, menos negros como eles. Nesse país existem áreas que são de pessoas brancas e que não aceitam negros. Os brancos estão lá e mandam no país deles. Se o mundo estiver com a África do Sul, nós estamos contra o mundo”, finalizou.
A influenciadora recebeu mensagens de diversos brasileiros, e quando perguntada se a África do Sul poderia ser “a Argentina do continente africano”, ela acenou positivamente.
O que diz a imprensa local
Diversas notícias recentes veiculadas em jornais africanos relatam os problemas enfrentados por pessoas de diferentes países na África do Sul, com um foco maior para Moçambique, que faz fronteira com os sul-africanos e também com a Suazilândia.

Governo moçambicano relata “ataques xenofóbicos” contra moçambicanos na África do Sul
No início deste mês de junho, o governo de Moçambique afirmou que sete moçambicanos foram mortos na África do Sul por “ataques xenófobos”, na Baía de Mossel, e cerca de 800 cidadãos foram vítimas da onda de violência no país.
“Lamentavelmente, sete cidadãos moçambicanos morreram, cinco deles como consequência direta dos ataques xenófobos e os outros dois em consequência de um acidente rodoviário, quando viajavam num veículo particular de regresso a Moçambique”, afirmou o comunicado.
Em 2019, o cenário foi de guerra e caos. Em matéria publicada pelo jornal The Guardian, africanos de diferentes países, como Somália e Nigéria, também denunciaram o cenário “xenófobo” vivido na África do Sul. A reportagem expõe ataques a comerciantes estrangeiros, destruição de lojas, vandalismo e grupos machando armados pelas ruas em enfrentamento entre sul-africanos e imigrantes.

Matéria do jornal sul-africano Polity relata ataques a imigrantes na África do Sul
E os problemas não são relatados de agora. Em maio de 2008, centenas de estrangeiros viveram problemas no país, principalmente em Joanesburgo. De acordo com o jornal sul-africano Polity, “vários estrangeiros foram queimados vivos, mulheres foram estupradas e dezenas de lojas e casas foram saqueadas. Mais de 200 pessoas foram presas no episódio”.
Após o fim do apartheid, no ano de 1994, a África do Sul foi um dos países que mais atraiu imigrantes que buscavam uma vida melhor com empregos e fugiam de guerras e crises econômicas. Cidadãos de países como Moçambique, República Democrática do Congo, Zimbábue e Zâmbia eram alguns dos principais imigrantes.
Agenda da Copa
África do Sul e Canadá medem forças neste domingo (28) em jogo que abre a fase mata-mata da Copa do Mundo. O duelo acontecerá em Los Angeles, nos Estados Unidos, com início às 16 horas (horário de Brasília). Esta é a primeira vez que as duas seleções passam da fase de grupos do Mundial.

