
Clube precisa equilibrar contas enquanto tenta tirar o time da crise no Brasileirão
O Corinthians fechou os sete primeiros meses de 2026 com déficit de R$ 278,7 milhões. O número supera em 258% a projeção do orçamento para o período e amplia a pressão sobre uma diretoria que ainda precisa encontrar receitas para fechar a temporada. A ausência das vendas previstas de jogadores aparece entre os fatores que agravaram o resultado.
O clube havia colocado as transferências como parte importante do planejamento financeiro. A meta para a janela do meio do ano girava em torno de 25 milhões de euros líquidos, cerca de R$ 148 milhões. André e Breno Bidon entraram no mercado, mas permaneceram no elenco após a decisão de preservar a equipe para as competições. Fernando Diniz chegou a defender a saída de apenas um dos dois, caso uma proposta vantajosa aparecesse.
Contas pressionam decisões do futebol
Entretanto, o problema não nasceu apenas das negociações frustradas. O Corinthians também registrou R$ 32,5 milhões em premiações referentes ao título da Copa do Brasil de 2025, valor processado na folha de janeiro de 2026. Houve ainda cerca de R$ 6 milhões em tributos ligados à quitação de uma dívida com o Santos Laguna pela contratação de Félix Torres.
A diretoria, portanto, chega à reta final do ano com menos espaço para novos erros financeiros. O clube também apresentou uma proposta à Caixa Econômica Federal para usar os naming rights da Neo Química Arena em uma operação de quitação da dívida do estádio, estimada atualmente em R$ 630 milhões. As conversas entre as partes continuam.
No campo, a resposta precisa começar contra o Internacional, em 7 de outubro. O Corinthians atravessa uma sequência de seis derrotas no Brasileirão e se aproximou da zona de rebaixamento. A comissão técnica aproveita os 17 dias sem partidas para elevar o nível físico de Memphis Depay, com trabalhos de aceleração, velocidade, mudança de direção e, por fim, monitoramento por GPS.
O cenário coloca futebol e finanças na mesma conta. O Corinthians apostou na manutenção de peças como André e Bidon para preservar competitividade e buscar valorização dos atletas. Por outro lado, não conseguiu transformar essa estratégia em receita até a janela de meio de ano. Com o déficit já em R$ 278,7 milhões, o desempenho nas rodadas finais e eventuais negociações até dezembro ganharam peso ainda maior no planejamento de 2027.
