
Matheus Cunha concede entrevista coletiva pela Seleção Brasileira antes do duelo contra a Noruega
Matheus Cunha revelou uma das maiores pressões da Seleção Brasileira neste mata-mata da Copa do Mundo: voltar a vencer uma seleção europeia em jogo eliminatório. Antes do duelo contra a Noruega, pelas oitavas de final, o camisa 9 afirmou que o grupo não discute o retrospecto como uma estatística em si, mas reconheceu o peso que o elenco carrega pelas eliminações nas Copas anteriores.
Desde 2006, o Brasil caiu em Copas para França, Holanda, Alemanha, Bélgica e Croácia. Agora, terá pela frente mais uma seleção europeia, com Erling Haaland e Martin Odegaard como principais nomes.
Não conversamos muito sobre isso, sobre os fatos das Copas passadas. Na verdade, temos certas conversas sobre o momento exato da eliminação, porque muitos dos nossos jogadores já passaram por isso. É muito mais sobre não querer reviver aquele dia do que propriamente o adversário, da escola que ele vem, como a Europa ou qualquer coisa do tipo Matheus Cunha
O atacante, porém, admitiu que a Seleção precisa enfrentar esse peso.
Sem dúvida nenhuma, é algo que a gente tem que fazer o máximo possível para matar ou sumir com esse fantasma. Independentemente de quem venha, a gente tem que estar muito focado e saber que, para ganhar uma Copa do Mundo, a gente tem que passar por esses percalços, por essas dificuldades. Espero muito que dessa vez seja diferente e a gente possa mudar toda a história.
Duelo com Haaland
O confronto com a Noruega também colocará Matheus Cunha diante de jogadores que ele conhece bem do futebol europeu. O atacante citou a competitividade do futebol inglês e falou sobre os duelos com Haaland e Odegaard.
“Acho que sempre temos bastante competitividade na Inglaterra, não só com os dois, mas há outros jogadores que jogam lá e que a gente conhece pelo dia a dia. Foram grandes jogos, e eu tive a oportunidade de ser mais feliz nesses momentos. Conhecemos muito, temos companheiros que os conhecem bem. Estamos tentando nos ajustar para chegar o mais preparado possível.”
Sobre Haaland, Cunha foi elogioso, mas fez questão de ampliar o foco para toda a seleção norueguesa.
O Haaland é um grande jogador, já demonstrou em todos os momentos que teve oportunidade. Desde o Borussia Dortmund eu acompanho bastante. Já enfrentei muitas vezes, joguei também na Alemanha e na Inglaterra. Temos um relacionamento saudável e sabemos quanto cada um pode ser importante em suas equipes.
O camisa 9 brasileiro também alertou para o poder ofensivo da Noruega.
“O ataque é muito forte. Tem tantos jogadores que a gente conhece, e joguei contra eles pelo Manchester. Temos que estar muito focados, não só neles, mas em vários jogadores muito fortes da seleção norueguesa.”
Camisa 9 fala sobre bola parada
Além da responsabilidade ofensiva, Cunha também destacou o papel defensivo que terá contra uma equipe fisicamente forte. A Noruega conta com jogadores altos, como Haaland e Sorloth, e pode explorar bolas paradas como arma importante.

Erling Haaland – Iraque x Noruega
“Todo mundo sabe da importância de vestir essa camisa e a número 9. Vários jogadores foram vitoriosos com ela, com muitas conquistas. Espero continuar dessa forma”, afirmou.
Na sequência, o atacante explicou que a Seleção dedicou parte dos treinos à organização defensiva.
A gente que tem essa responsabilidade de ser um pouquinho mais alto que os outros dedicou boa parte do treino para poder organizar a defesa, ainda mais sabendo que eles têm força na bola parada. A gente está bem ajustado. Eu vou ser um dos responsáveis para sair a zero desses momentos da bola parada, se Deus quiser.
Brasil começa a ganhar protagonismo?
Cunha também foi perguntado sobre declarações recentes de Haaland e Lionel Scaloni. O atacante norueguês minimizou as chances da própria seleção contra o Brasil, enquanto o técnico da Argentina apontou a Seleção Brasileira como candidata a chegar à final.
Para o brasileiro, as falas demonstram respeito, mas não mudam a preparação do grupo.
São duas pessoas muito respeitosas, com um grande nome dentro do mundo do futebol. O Haaland cita o respeito pela nossa seleção, pelos nossos jogadores. Acho que é muito mais sobre ele do que sobre a gente. Ele vai jogar o jogo querendo ganhar, sem dúvida nenhuma.
Cunha também agradeceu a consideração de Scaloni, mas evitou tratar o Brasil como favorito absoluto.
“Sobre o Scaloni, a mesma coisa. Ele sempre citou o Brasil num patamar de dificuldade muito alto, e ficamos gratos. Mas é muito mais sobre nós do que sobre qualquer outra seleção. A nossa seleção, aos poucos, vai conseguindo demonstrar mais funções.”
Para o atacante, favoritismo precisa ser provado em campo.
“Espero muito que esse certo favoritismo nada mais seja do que chegar em campo e poder demonstrar que a gente está pronto.”
Função muda sem Paquetá
A ausência de Lucas Paquetá também foi tema da coletiva. O meia terminou o jogo contra o Japão mancando e virou dúvida/problema para a sequência da Seleção. Cunha reconheceu que o Brasil sentirá falta do companheiro, principalmente pelo entrosamento que vinha sendo criado.
Vamos sentir muito a falta do Paquetá, sem dúvida nenhuma. Principalmente porque está criando rotinas de entrosamento muito claras
O atacante explicou que sua função pode mudar dependendo de quem entrar no time. Se Ancelotti optar por Martinelli ou Endrick, a equipe ganha mais profundidade. Se escolher um jogador de sustentação, como Danilo ou Ederson, o desenho muda.
“Depende muito do que o treinador quer para o jogo. Se o Martinelli entra, é quase um atacante, então a gente vai ter uma possibilidade de atacar a profundidade muito maior. Se for alguém que dá uma sustentação mais clara, muda também. Não quero fugir da pergunta, mas também não quero essa responsabilidade de ser o treinador nesse momento.”
Cunha lembrou que já mudou de função durante os jogos da Copa.
No momento em que o Paquetá sai e entra o Endrick, eu começo a jogar mais por trás do atacante, não totalmente como referência. Então vou ter momentos em que vou ter que me adaptar de formas diferentes: como referência, como meia de criação, como extremo, tendo que ajudar marcando lateral.
Calor e pausas para hidratação
O atacante também comentou o calor nos Estados Unidos e as pausas para hidratação, que têm dividido os jogos em blocos mais claros de disputa. Para Cunha, a medida tem sido positiva.
“Hoje no treino, pelo amor de Deus, está disparado. Aumentou os protocolos para fazer sauna pós-treino e está cancelada a sauna para todo mundo. Ninguém aguenta mais não”, brincou.
Depois, avaliou o impacto das paradas no jogo.
Com essa temperatura, é muito bom ter essas pausas. Claro que muda muito o jogo, porque a gente acaba tendo outro momento de conversa com o treinador, de ajustes técnicos e táticos. Acaba tendo informações e ajustes muito claros. Eu vejo de forma positiva.
“Construir nossa história”
Cunha também falou sobre a cobrança em cima da nova geração brasileira. Questionado sobre comparações com nomes históricos, como Romário e Ronaldo, o atacante disse que o grupo não tenta ser maior que os ídolos do passado, mas quer marcar sua própria era.
A responsabilidade do brasileiro é ganhar a Copa do Mundo. Por toda a história que nomes como os que você citou passaram, nossos ídolos, não vejo como a gente querer ser maior que eles. Não faz sentido querer dessa forma.
Para Cunha, o objetivo é construir uma trajetória própria.
“A gente tenta ver um caminho para construir nossa história e marcar os corações dos brasileiros assim como o nosso foi marcado. Ninguém daqui tem essa comparação interna de querer ser como eles. A gente tem a vontade de atingir objetivos como eles atingiram, mas nada mais do que dar orgulho para o povo brasileiro.”
E o atacante deixou claro qual é o caminho mais direto para isso.
“Que seja marcando com mais uma estrela, sem dúvida nenhuma, porque foi a forma que a gente foi marcado.”
