Deixado de lado na 1ª fase, Endrick entra para ‘salvar Ancelotti’

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Carlo Ancelotti e Endrick
Rafael Ribeiro / CBF

Carlo Ancelotti e Endrick

Endrick começou mais uma vez no banco da Seleção Brasileira, mas o roteiro de Brasil x Japão empurrou Carlo Ancelotti para uma decisão que ele evitou durante boa parte da Copa: usar o jovem atacante em um momento de emergência.

O Brasil foi para o intervalo perdendo por 1 a 0 para o Japão, nesta segunda-feira, no NRG Stadium, em Houston, pelos 16 avos de final da Copa do Mundo. O gol japonês saiu aos 30 minutos do primeiro tempo, depois de erro na saída de bola brasileira. Sano interceptou, avançou até a entrada da área e chutou de longe para vencer Alisson. 

Entenda a mudança

A mudança veio no intervalo. Endrick entrou no lugar de Lucas Paquetá, que encerrou o primeiro tempo mancando e virou preocupação para a comissão técnica. A substituição, portanto, misturou necessidade física e urgência esportiva: o Brasil precisava reagir no placar e, ao mesmo tempo, perdeu um meio-campista importante na construção.

Até ali, a Seleção tinha posse, mas pouca profundidade. O time de Ancelotti trocava passes no campo ofensivo, encontrava uma defesa japonesa fechada e dependia de chutes de fora da área. Matheus Cunha e Bruno Guimarães tentaram no início, Vini Jr também finalizou depois, mas Suzuki respondeu bem quando foi exigido. 

O problema é que o Brasil parecia previsível. A escalação repetida por Ancelotti teve Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Rayan, Matheus Cunha e Vinícius Júnior. Endrick, portanto, ficou novamente como alternativa. 

A escolha chama atenção porque o atacante foi pouco usado na primeira fase. Mesmo com o Brasil oscilando na estreia contra o Marrocos e buscando variações ofensivas ao longo da Copa, Ancelotti preferiu outras soluções. Rayan ganhou espaço, Matheus Cunha seguiu como referência e Neymar voltou a aparecer como alternativa na reta final da fase de grupos.

Contra o Japão, porém, o contexto mudou. O Brasil não estava administrando uma classificação ou testando opções. Estava correndo risco real de eliminação. E foi justamente nesse cenário que Endrick deixou de ser promessa preservada para virar tentativa de salvação.

A entrada do atacante também muda a estrutura da Seleção. Com a saída de Paquetá, o Brasil perde um jogador de ligação no meio e ganha mais presença ofensiva. A tendência é que o time passe a atacar com mais gente por dentro e aumente a busca por cruzamentos, infiltrações e bolas rápidas na área.

Endrick oferece outro tipo de ameaça. Ataca o espaço curto, finaliza rápido, briga com zagueiros e pode transformar cruzamentos ou sobras em chance real. Em um jogo no qual o Japão fecha bem os espaços e protege a entrada da área, esse tipo de agressividade passa a ser ainda mais importante.

Ancelotti, agora, está diante de um dilema criado pelo próprio jogo. Se Endrick mudar a partida, ficará a pergunta sobre por que foi tão pouco usado antes. Se o Brasil não reagir, o treinador será cobrado por ter deixado para recorrer ao jovem apenas quando a situação já era de emergência.



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