
A Copa de 2026 é marcada por um domínio de chuteiras rosas entre os jogadores
A final da Copa do Mundo de 1994, entre Brasil e Itália, no Rose Bowl, na Califórnia, foi a última partida importante em que todos os jogadores entraram em campo com chuteiras totalmente pretas. Três décadas depois, a Copa volta aos Estados Unidos, e dessa vez com os gramados dominados por chuteiras rosas. Entre um Mundial e outro, o calçado preto deixou de ser regra para se tornar exceção.
Durante décadas, o calçado básico foi o padrão do futebol.Jogar com qualquer outra cor era motivo de estranheza, e poucos jogadores tinham coragem de ousar em um ambiente onde a tradição pesava mais do que o estilo.
Ainda nos anos 1970, o inglês Alan Ball entrou em campo com chuteiras brancas em uma jogada de marketing da marca do equipamento, mas ainda assim mantendo o tom básico. No Brasil, o primeiro a mudar foi Walter Casagrande Júnior, que apareceu nos seus primeiros anos no Corinthians com um modelo branco da Puma. Mas a transição foi lenta, e o preto ainda dominava os gramados quando as seleções entraram em campo na Copa de 1994.
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A final da Copa de 1994 foi a última em que todos os jogadores usaram chuteiras pretas

Ronaldo Fenômeno foi pioneiro no uso de chuteiras coloridas
A virada definitiva
Em 1998, Ronaldo Fenômeno, então com 21 anos, estreou um par de chuteiras prateadas, azuis e amarelas que nunca antes tinham sido vistas na modalidade. A cor prateada não foi escolhida aleatoriamente. A marca queria representar velocidade e tecnologia, e a criação ganhou fama mundial, tornando-se um símbolo de estilo e status. Na mesma Copa, Zidane usou um modelo preto, vermelho e branco e ajudou a acelerar a transição.
O Mundial de 2002 ainda registrava maioria de chuteiras pretas, mas estrelas como Rivaldo, Ronaldo e Luís Figo já optaram pelo colorido. Na Alemanha, em 2006, os calçados coloriram os gramados de vez.

Poucos jogadores optam por chuteiras pretas nos dias de hoje
A chuteira preta virou “raiz”
Nos dias de hoje, acontece o oposto do que era regra nos anos 80. Na Copa de 2014, o goleiro iraniano Alireza Haghighi chamou atenção ao optar por chuteiras totalmente pretas em um torneio onde a cor já era o padrão para os jogadores. A cena ilustra bem a virada que o futebol viveu nas últimas décadas.
A partir dos anos 2000, as marcas passaram a lançar modelos em cores cada vez mais chamativas, apostando no amarelo, no laranja e no verde fluorescente para se destacar num mercado mais disputado e dar mais visibilidade aos atletas patrocinados. O efeito colateral foi que a chuteira preta, antes convencional, virou raridade nos gramados.

Marta e outros jogadores usaram chuteiras pretas em forma de protesto por diversos motivos
O preto como protesto
Em 2023, durante uma partida do Real Madrid contra o Valencia, Vinícius Jr. entrou em campo com chuteiras pretas sem a marca do seu patrocinador. O brasileiro havia assinado o contrato com a empresa aos 13 anos e, desde então, se tornou um dos jogadores mais comercializáveis do planeta, mas sentia que não recebia o reconhecimento adequado da marca. No segundo tempo, voltou com um modelo colorido.
O caso de Vinícius não é isolado. Na Copa do Mundo Feminina de 2019, Marta optou por chuteiras totalmente pretas e sem qualquer logomarca visível. A brasileira considerava que as propostas recebidas de patrocinadores não eram compatíveis com o que representa para o futebol mundial, num cenário em que jogadoras recebiam valores muito abaixo dos praticados no futebol masculino.

