“Este jogo não poderia ter existido”

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Abel Ferreira em entrevista coletiva
Reprodução/YouTube/Palmeiras

Abel Ferreira em entrevista coletiva

Abel Ferreira não economizou nas palavras depois da vitória do Palmeiras por 1 a 0 sobre a Chapecoense, neste domingo. Em coletiva marcada por críticas ao calendário, à arbitragem e à condução do futebol brasileiro, o técnico afirmou que a partida “não poderia ter existido” nas condições em que foi disputada.

O treinador reclamou dos desfalques provocados por convocações, lesões e suspensões, disse que o Palmeiras chegou ao jogo sem 11 jogadores e cobrou CBF e clubes pela manutenção da rodada durante o período de ausência de atletas internacionais.

Abel também avaliou os lances de arbitragem. O português contestou a expulsão de Allan, questionou os seis minutos de acréscimos dados inicialmente, defendeu a anulação do gol da Chapecoense por falta em Murilo e reconheceu que o árbitro teve coragem ao marcar o pênalti para a equipe catarinense já depois do tempo previsto.

Abel critica CBF e calendário

Logo no início da coletiva, Abel subiu o tom contra a organização do calendário brasileiro. O treinador afirmou que, se os clubes e a CBF quisessem proteger os interesses do futebol nacional, a partida não deveria ter sido disputada naquele contexto.

Este jogo não poderia ter existido. Foi o único país no mundo que autorizou que jogassem sem nós oito jogadores internacionais. Em condições normais, este jogo nunca poderia ter existido afirmou Abel.

O técnico citou ainda o adiamento de um jogo entre Fluminense e Flamengo e questionou por que a rodada não foi ao menos remarcada para equipes com jogadores convocados.

“Eu não consegui encontrar uma única razão porque a CBF, o Fluminense e o Flamengo adiaram um jogo de um dia para o outro. Por que não se adiou esta rodada pelo menos das equipas que têm jogadores internacionais?”, disse.

Na avaliação do treinador, o Palmeiras entrou em campo em uma situação limite. Abel afirmou que os problemas começaram antes da bola rolar, pela combinação de convocações, lesões e suspensões.

Arbitragem entra na mira

A arbitragem também foi alvo de Abel. O treinador afirmou que aceitaria amarelo ou vermelho para Allan, mas disse ter percebido mudança na decisão inicial do árbitro.

Segundo Abel, o juiz teria corrido para aplicar cartão amarelo e depois mudou para vermelho após possível orientação pelo ponto eletrônico.

“Ele vem a correr para dar amarelo. Tenho certeza que alguém lhe apitou no ouvido: é vermelho, é vermelho. E ele pega e dá vermelho”, declarou.

O treinador também reclamou dos seis minutos de acréscimos dados no segundo tempo. Para Abel, o tempo adicional não se justificava pelo andamento da partida.

“Seis minutos de tempo extra? Por quê?”, questionou.

Sobre o gol anulado da Chapecoense, Abel foi direto. Para ele, houve falta em Murilo antes da finalização de Ítalo.

“Há um empurrão no Murilo. Aliás, o VAR nem devia ter intervido se ele tivesse marcado falta”, afirmou.

O técnico também reconheceu que o pênalti marcado para a Chapecoense no fim foi uma decisão difícil.

O pênalti no final é preciso ter coragem para marcar. É verdade. E ele marcou disse Abel.

Bolasie acertou o travessão na cobrança, e o Palmeiras segurou a vitória por 1 a 0.

“Entramos na fogueira”

Abel valorizou a resposta do elenco diante dos desfalques e da expulsão. O treinador disse que o Palmeiras teve de “entrar na fogueira” com vários jovens da base e jogadores pouco acostumados ao peso da camisa.

O português citou nomes como Riquelme, Luighi e Larson, e pediu paciência com os atletas mais novos.

“Os moleques da base têm que entender que vão ser amassados. Nós precisamos ter paciência. Se joga, é porque acreditamos neles, é porque têm valor”, afirmou.

Abel também rebateu críticas a Luighi. O atacante foi cobrado por parte da torcida, mas o treinador lembrou que jovens precisam passar por esse processo para amadurecer.

“Tem que aguentar as críticas, tem que aguentar a cobrança e continuar. Outros passaram por isso e deram a volta por cima. Ele tem todas as condições para dar a volta por cima”, disse.

O técnico, porém, fez uma ressalva importante: no Palmeiras, a cobrança não é por formação, mas por resultado.

“Eu não estou aqui para formar jogadores. A mim pedem para ganhar títulos. Me exigem títulos”, afirmou.

Paulinho recebe elogios

Autor do gol da vitória, Paulinho foi um dos assuntos da entrevista. Abel elogiou a resposta física do atacante, que vem sendo utilizado com cautela após longo período de recuperação.

O treinador afirmou que o jogador tem respondido bem aos testes e pode ser ainda mais importante na segunda parte da temporada.

A resposta do Paulinho tem sido muito boa. Ainda ontem fez um exame complementar e parece que está tudo muito bem. Espero que assim continue

Abel também lembrou que o Palmeiras ainda não conseguiu usar Paulinho pelo tempo desejado, justamente por conta dos cuidados físicos. Mesmo assim, projetou crescimento do atacante após a pausa da Copa do Mundo.

“Acredito que nesta segunda parte da época possa estar em melhores condições para nos ajudar”, afirmou.

Abel quer manter elenco

Com a parada do calendário e a reabertura da janela de transferências, Abel foi questionado sobre possíveis movimentações no elenco. O treinador deixou claro que sua prioridade é manter o grupo.

“Eu imagino o Palmeiras com todos os meus jogadores recuperados e que ninguém saia. É só isso que eu imagino”, afirmou.

O técnico disse que o clube já fez um ajuste na defesa e explicou que prefere contratar jogadores do futebol brasileiro, por conhecerem a liga, os gramados, as viagens e a exigência do Palmeiras. Mas admitiu que esse tipo de negociação costuma ser difícil.

“Gosto de contratar jogadores do futebol brasileiro, porque já conhecem a liga. Mas muitas vezes não é possível, e quando é, são extremamente caros”, disse.

Palmeiras “vivo em todas”

No trecho final da coletiva, Abel voltou a valorizar a entrega do elenco. O técnico afirmou que o Palmeiras terminou um ciclo muito difícil ainda competitivo em todas as frentes.

Selecionados, lesionados e castigados foram 11 desfalques. Fez uma equipa. Entrar na fogueira e dar esta resposta com menos um jogador é extremamente difícil aqui no Brasil

Abel disse que o principal objetivo era atravessar esse período sem comprometer a temporada.

“Chegar ao final de um calendário como este, vivo em todas as competições, não é para todas as equipas”, completou.



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