Fé nos estádios: torcida evangeliza em jogos do Brasileirão

Esportes


Integrantes da Torcida Guerreiros de Cristo (TGC) em estádio no Brasil; grupo utiliza estrutura de torcida organizada para evangelizaçãoReprodução/Instagram

Quem acompanha uma partida de futebol pode encontrar nas arquibancadas bandeiras, camisas, faixas e instrumentos ligados a diferentes torcidas organizadas. Nos últimos anos, porém, um grupo com uma proposta diferente passou a marcar presença em eventos esportivos: a Torcida Guerreiros de Cristo (TGC), associação criada em Curitiba que não é ligada a um clube específico e utiliza a estrutura tradicional das torcidas para realizar ações de evangelização.

A ideia começou em 2014, quando torcedores dos três principais clubes de Curitiba – Athletico Paranaense, Coritiba e Paraná Clube – voltaram a se aproximar e passaram a conviver em um mesmo grupo. Segundo Jean Carlo Piuco, líder da TGC, depois de um período de encontros e orações surgiu a ideia de criar uma torcida voltada ao evangelismo. “A gente teve esse entendimento que poderia estar fazendo, iniciando algo novo, algo diferente, algo talvez até pioneiro aqui no Brasil em relação ao evangelismo”, contou ao iG.

Torcida Guerreiros de Cristo (TGC)Reprodução/Record

Torcida sem clube

Nos primeiros anos, a TGC começou a reunir pessoas que já tinham experiência com arquibancadas e passou a utilizar instrumentos, bandeiras e cânticos nas ações. A proposta, segundo Piuco, era levar o evangelismo para um ambiente que já fazia parte da vida dos integrantes. “A gente iniciou ali com os primeiros instrumentos, com as primeiras bandeiras, e começamos a sair às ruas para proclamar o evangelho de Jesus Cristo através de cânticos, de uma bateria”, explicou.

Com o passar dos anos, a estrutura também mudou. A associação foi formalizada e deixou de estar ligada a uma única igreja, passando a se apresentar como uma instituição interdenominacional. De acordo com o líder, a mudança permitiu que pessoas de diferentes congregações participassem do projeto. “Hoje sim somos uma associação com o CNPJ de alguns anos, uma instituição interdenominacional, para eclesiástica. Então a gente não congrega mais em uma única igreja como era no início”, afirmou.

A associação está registrada em Curitiba como Associação Cultural Torcida Guerreiros de Cristo, com Jean Carlo Piuco como presidente. O grupo também mantém atividades relacionadas à música e à percussão. Em 2026, a Prefeitura de Curitiba publicou uma justificativa para a celebração de um termo de fomento de R$ 40 mil destinado ao projeto Bateria Guerreiros de Cristo, que prevê o ensino e a prática de instrumentos de percussão para crianças e adolescentes.

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Torcida Guerreiros de Cristo (TCG)Reprodução/Instagram

Evangelização dentro das arquibancadas

A atuação nos estádios é uma das principais características da TGC. O grupo utiliza a linguagem visual e sonora das torcidas organizadas, mas afirma que seu objetivo não é defender um clube ou participar da rivalidade entre equipes. Em entrevista, Piuco explicou que a intenção é conversar diretamente com torcedores e levar a mensagem cristã para esse ambiente.

Nosso objetivo nunca foi atrapalhar a ideologia de torcida organizada, nunca foi de apontar para erros dos seres humanos, que são os torcedores, iguais a qualquer outro. Nós nos colocamos na mesma condição deles”, afirmou. Segundo o líder, a torcida procura se aproximar de pessoas que fazem parte desse universo e que, na visão do grupo, muitas vezes são associadas principalmente aos episódios de violência envolvendo torcidas organizadas.

A presença da TGC também ultrapassa os jogos de futebol. O grupo participa de eventos religiosos e culturais em Curitiba, levando a bateria e a identidade visual da torcida para diferentes espaços. Em 2025, por exemplo, a associação participou de um projeto financiado pelo município voltado ao desenvolvimento espiritual, social e cultural por meio da música cristã e da prática de percussão.

Torcida Guerreiros de CristoReprodução/Instagram

“Ainda não chegamos ao nosso objetivo”

Para Piuco, a torcida conseguiu cumprir parte do que havia sido planejado em 2014, mas ainda está distante da meta estabelecida pelos integrantes. Ele afirma que a intenção é ampliar a presença da TGC para outros estados brasileiros e levar o trabalho para diferentes torcidas.

A TGC, portanto, mantém uma proposta diferente dentro do cenário das torcidas brasileiras. Sem representar um clube, o grupo utiliza elementos tradicionalmente associados às arquibancadas para desenvolver uma atuação religiosa e social. Criada a partir da aproximação entre torcedores de diferentes equipes de Curitiba, a associação busca agora ampliar esse trabalho para outras regiões do país.



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