Fim das bets gera apreensão entre clubes e ameaça patrocínios

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MP das Bets mobiliza o futebol nacional
Fotos: Divulgação

MP das Bets mobiliza o futebol nacional

A preocupação de parte majoritária dos clubes e dirigentes do futebol brasileiro se concretizou após o Governo anunciar, na noite de sexta-feira (25), uma Medida Provisória que determinou a proibição total dos sites de apostas no país. Entre protestos no setor, algumas bets notificaram equipes sobre o encerramento dos acordos, levantando dúvidas sobre as receitas dos próximos meses e até sobre a chance de compromissos financeiros não serem cumpridos.

No Flamengo, por exemplo, estima-se um impacto milionário, segundo declarações do presidente. Isso porque o clube recebe R$ 268,5 milhões por temporada da Betano e, de acordo com Luiz Eduardo Baptista, não há alternativa para repor essa receita no orçamento. Ainda em sua análise, o Rubro-Negro pode acumular perdas de até R$ 400 milhões no próximo ano.

A dimensão do possível prejuízo foi detalhada por Bap em entrevista à CNN. O presidente rubro-negro afirmou que a mudança, considerada drástica e sem preparação prévia, pode afetar não apenas o futebol, mas também os esportes olímpicos do clube.

“Muito difícil, no curto prazo, a gente dizer o que pode fazer, porque está sendo uma medida muito drástica. Eu estaria mentindo se dissesse que a gente tem um plano B para isso. Não tem. Isso traria impactos desastrosos para o Flamengo como um todo, não só no futebol, mas também nos esportes olímpicos. A gente estima que as perdas imediatas de receita para o ano que vem sejam de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões”, disse.

Apesar das críticas à medida, o Flamengo afirmou, em nota, que é favorável a mudanças na regulamentação das apostas.

Fim das bets no futebol

A nova regra estabelece um prazo para que o futebol se adapte às mudanças. Clubes, federações e competições terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar de suas propriedades todas as ações e peças publicitárias ligadas às casas de apostas. Com isso, 14 equipes da Série A deverão voltar da Data Fifa sem marcas de bets nos uniformes. O impacto também alcançará torneios, que passarão por alterações em seus nomes, entre eles o Brasileirão e a Copa do Brasil.

O Fluminense está entre os clubes que já receberam alertas de seus parceiros comerciais, e Superbet, patrocinadora até o fim de 2029 por R$ 58 milhões anuais, comunicou ao Tricolor a possibilidade de encerrar o acordo. Em posicionamento divulgado pouco antes da publicação da MP, o time das Laranjeiras reconheceu a importância da discussão sobre o tema, mas defendeu que houvesse, ao menos, um “período de transição adequado”.

Mattheus Montenegro, presidente do Fluminense, citou consequências que ultrapassam valor de R$ 100 milhões com o planejamento. Isso porque, segundo ele, também há contratos relacionados às placas do campo e aos uniformes, que precisam ser confeccionados com seis meses de antecedência.

“Aqui, o impacto ultrapassa R$ 100 milhões. Além do patrocínio máster, afeta contratos como os das placas do campo e as camisas, produzidas com seis meses de antecedência. É uma medida que gera grande preocupação para o futuro do clube”, ressaltou à CNN.

São Paulo, que tem a Superbet como patrocinadora, e Vasco e Palmeiras, parceiros da Sportingbet, também receberam notificações sobre a possibilidade de encerramento de seus contratos.

Campeonatos e R$ 1 bi na Série A

Além de patrocinar o Flamengo, a Betano ainda batiza o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, em parceria com a CBF. A plataforma inclusive emitiu uma nota afirmando que “monitora com muita preocupação” o cenário e que “tomará decisões no momento apropriado”.

O mercado de apostas ganhou espaço relevante no futebol brasileiro nos últimos anos. Para 2026, por exemplo, estimava-se aproximadamente R$ 1,1 bilhão investido pelas bets apenas nos patrocínios máster dos clubes da Série A. Dois anos antes, quando as 20 equipes da elite exibiam marcas do setor nos uniformes, fosse na posição principal ou secundária, o montante chegava a R$ 523 milhões.

Em levantamento do O Globo, considerando receitas brutas previstas nos orçamentos de 2025 e os valores fixos dos contratos firmados com as bets, indicam que os acordos não representam uma parcela majoritária dos orçamentos dos clubes. Nenhum dos contratos com casas de apostas corresponde a mais de 13% da previsão orçamentária de uma equipe da Série A, enquanto esse tipo de patrocínio responde, em média, por cerca de 7% das receitas das instituições.

Na comparação individual, o Flamengo aparece com a maior participação desse tipo de receita: 12,85% de seu último orçamento estavam vinculados à patrocinadora máster. Corinthians, com 10,6%, e São Paulo, com 10,5%, figuravam entre os únicos da Série A nos quais essa fatia ultrapassava 10% das receitas brutas orçadas.



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