Gabriel Magalhães isola pênalti e Arsenal perde a Champions

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Marquinhos consolou Gabriel Magalhães após o zagueiro do Arsenal perder pênalti decisivo
Reprodução/X @ChampionsLeague

Marquinhos consolou Gabriel Magalhães após o zagueiro do Arsenal perder pênalti decisivo

Gabriel Magalhães viveu em poucos minutos a crueldade que só uma final de Champions League consegue produzir. O zagueiro fez uma atuação defensiva forte contra o PSG, ajudou o Arsenal a levar a decisão até os pênaltis, mas saiu marcado pelo chute que passou por cima do travessão e confirmou o título francês.

O PSG venceu o Arsenal por 4 a 3 nas penalidades, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, neste sábado, no Puskás Arena, em Budapeste. Kai Havertz abriu o placar para os ingleses aos seis minutos, e Ousmane Dembélé empatou para os franceses, de pênalti, no segundo tempo.

Na disputa final, Eberechi Eze também desperdiçou para o Arsenal. David Raya ainda manteve o time vivo ao defender uma cobrança do PSG, mas Gabriel, chamado para manter os ingleses na briga, isolou. O erro encerrou o sonho do primeiro título de Champions do Arsenal e deu ao PSG a segunda taça europeia consecutiva.

Uma atuação forte até o erro

O peso do pênalti perdido não apaga o que Gabriel fez durante a partida, mas muda a forma como a noite será lembrada.

O brasileiro foi peça importante na estratégia defensiva do Arsenal. O time de Mikel Arteta passou boa parte da final protegendo a vantagem construída no início, baixou linhas, encurtou espaços e conseguiu incomodar o PSG justamente pela dificuldade que impôs à circulação ofensiva francesa.

Gabriel teve participação direta nesse controle. Com atuação segura, venceu duelos, cortou cruzamentos e ajudou a bloquear o corredor central. Em vários momentos, o PSG precisou rodar a bola de um lado para o outro porque não encontrava espaço limpo entre os defensores ingleses.

O problema é que o erro deve apagar essa boa atuação. O chute forte, alto demais, sem direção fez com que um defensor que havia sustentado o Arsenal por quase duas horas virou o rosto da derrota.

O pênalti que mudou tudo

A cobrança de Gabriel foi decisiva porque veio no limite emocional da final. O Arsenal já não tinha mais margem. Se convertesse, continuaria vivo. Ao mandar para fora, encerrou a disputa.

Outra camada do erro é o peso diferente que uma cobrança assim costuma ter para um zagueiro. O atacante vive mais perto do gol e, de certa forma, está habituado a ser julgado pela finalização. O defensor, não. Ele passa o jogo inteiro cobrado por leitura, precisão e segurança. Quando vai para a marca do pênalti, entra em um terreno que não é o seu.

Se marca, a cobrança tende a ser tratada como obrigação cumprida. Se perde, vira alvo fácil da leitura mais cruel: a de que não tinha frieza ou repertório para assumir tamanha responsabilidade.

Depois da cobrança, Gabriel foi consolado por companheiros do Arsenal e também por Marquinhos, capitão do PSG e colega de Seleção Brasileira. A cena deu outra dimensão ao erro: não era apenas um jogador abatido por uma derrota de clube, mas um provável titular do Brasil sendo amparado por um dos líderes mais experientes da própria Seleção.

O gesto de Marquinhos também suavizou, por alguns segundos, a crueldade da final. De um lado, a festa do PSG. Do outro, Gabriel tentando absorver o peso de uma cobrança que decidiu a Champions e que agora o acompanha às vésperas da apresentação ao grupo de Ancelotti.

Arsenal perde outra chance histórica

Para o Arsenal, a dor é dupla. O clube londrino buscava a primeira Champions League de sua história e chegou perto de uma conquista que mudaria o patamar do projeto de Arteta.

O início foi perfeito. Havertz marcou cedo e permitiu ao Arsenal jogar o tipo de final que queria: menos posse, mais proteção, transições rápidas e defesa agressiva da área. O PSG teve mais bola, mas não encontrou tantos caminhos limpos quanto costuma encontrar.

O empate veio em um pênalti cometido por Cristhian Mosquera sobre Khvicha Kvaratskhelia. Dembélé cobrou e fez 1 a 1. A partir dali, o jogo entrou em outra temperatura. Mais tensão, mais cansaço, menos brilho.

A prorrogação teve pouca criação. O Arsenal ainda reclamou de um possível pênalti em Noni Madueke, mas a arbitragem não marcou. A final foi para as cobranças, e o PSG teve mais frieza no momento que separa campeão de vice.

E agora, Seleção?

O erro de Gabriel acontece em uma hora especialmente sensível. O zagueiro está convocado por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo e chega ao grupo brasileiro com status de provável titular. Pela temporada no Arsenal, pela regularidade em alto nível e pelo perfil que oferece à defesa, ele segue como um dos nomes mais fortes do setor.

O pênalti perdido não deve mudar a avaliação técnica de Ancelotti. Seria exagero rever a hierarquia da zaga por causa de uma cobrança desperdiçada. Gabriel não foi chamado para a Seleção por ser batedor. Foi convocado pelo nível defensivo, pela força física, pelo jogo aéreo, pela leitura em linha alta e pela experiência em partidas de altíssima pressão.

Mas Ancelotti precisará acompanhar outra questão: a resposta emocional do atleta.

Ancelotti terá de receber um jogador que acaba de perder uma Champions no lance final. O técnico precisa recolocar Gabriel no lugar certo dentro do grupo, reforçar a confiança e separar o erro da final daquilo que o zagueiro entregou ao longo da temporada.

A Copa começa do zero, mas a cabeça de um atleta não deve virar a página automaticamente. E é aí que a gestão de Ancelotti pode fazer diferença: tratar o episódio como parte do futebol, sem minimizar a dor, mas também sem permitir que uma cobrança perdida defina o jogador que chega para defender o Brasil.



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