
Julio Casares é investigado por uma Força Tarefa por suspeitas de irregularidades durante sua gestão no São Paulo
A investigação sobre o ex-presidente do São Paulo Julio Casares ganhou mais um capítulo, nesta quinta-feira (9). Testemunhas ouvidas pela Força Tarefa da Polícia Civil e Ministério Público confirmam saques milionários feitos por Casares com recursos de dentro do clube. A informação foi revelada pelo Ge e confirmada pelo iG.
Duas testemunhas, que trabalhavam diretamente com o ex-mandatário, descreveram como funcionava o esquema de saques em dinheiro vivo feitos mensalmente, com quantias que chegavam a R$ 100 mil por vez, sempre em envelopes ou sacolas. O suposto esquema chegou a contar com a presença de um carro-forte no Morumbis.
Os depoimentos foram colhidos durante a investigação, que ainda está em curso, e detalharam como as retiradas aconteciam com regularidade ao longo da gestão do ex-dirigente. A suspeita da Polícia é que as irregularidades aconteceram durante toda gestão Casares no clube, entre 2021 e 2026
De acordo com o delegado Tiago Correia, ouvido pelo iG, as práticas podem configurar crimes de furto qualificado e possível lavagem de dinheiro. O inquérito está na fase final e deverá ser entregue à Justiça nos próximos meses. O rombo nos cofres do clube pode girar em torno de R$ 11 milhões.
Ao Ge, a defesa de Casares enviou uma nota negando qualquer ilegalidade e afirmando que todas as movimentações estão devidamente registradas na Contadoria do São Paulo. Segundo o ex-presidente, os valores em dinheiro vivo estão vinculados a pelo menos 172 partidas disputadas pelo clube em competições diversas durante sua gestão. Os advogados de Júlio Casares foram procurados pela reportagem do iG, mas ainda não responderam aos questionamentos.

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Escândalo do camarote
A Força Tarefa conduz três inquéritos policiais envolvendo Casares, que apontam o São Paulo como vítima. Depósitos em dinheiro de R$ 1,5 milhão em contas do ex-dirigente também estão sendo analisados. Além disso, também é apurada a participação do ex-presidente em um caso que ficou conhecido como esquema do camarote do Morumbis, que envolveu a ex-mulher de Casares, Mara Casares, e Douglas Schwartzmann, ex-diretor-adjunto das categorias de base.

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Em março deste ano, o Conselho Deliberativo do São Paulo reprovou as contas de 2025 por falta de justificativa para boa parte dos saques feitos durante a gestão do ex-presidente. Um relatório interno apontou que quase R$ 7 milhões não têm explicação nem comprovação de destino.
Renúncia após pedido de impeachment
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No final de janeiro deste ano, apenas cinco dias após o afastamento imposto pelo Conselho Deliberativo, Julio Casares renunciou ao cargo de presidente do São Paulo. O ex-dirigente anunciou a decisão por meio de uma carta aberta aos torcedores publicada nas redes sociais.
