legado de Messi vai além de recordes em campo

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Messi chora abraçado com Enzo após virada argentina
Reprodução Instagram @afaseleccion

Messi chora abraçado com Enzo após virada argentina

Lionel Messi foi eleito o melhor jogador de futebol do mundo por oito vezes. Para efeito de comparação, Cristiano Ronaldo foi quem mais se aproximou do argentino na premiação da FIFA, com cinco conquistas. Ronaldo “Fenômeno” e o francês Zidane vêm a seguir, com três cada. 

Diante de uma carreira repleta de feitos gigantescos, muitos argumentam que o craque teria motivos de sobra para ostentar um certo ar superior. Contudo, a postura pública do jogador, dentro e fora de campo, segue o caminho inverso, sendo marcada, em geral, pela discrição e a simplicidade. Na sociedade contemporânea, em que todos possuem um “microfone nas mãos”, chamado redes sociais, Messi não faz questão de lembrar ao mundo, com palavras, a que veio.A “voz” dele praticamente só é ouvida dentro de campo, com seus dribles, gols, títulos e recordes. O talento incontestável é que fala por si. O argentino joga como se não tivesse dimensão da sua própria grandeza e do que representa para o futebol. 

CR7 - Portugal
Reprodução/@selecaoportugal

CR7 – Portugal

O ego de Cristiano Ronaldo

A comparação com o próprio Cristiano Ronaldo, por exemplo, é inevitável. CR7 nunca escondeu sua faceta egocêntrica; pelo contrário, ele a exibe como uma virtude de quem trabalha obsessivamente e, por isso, colhe os justos frutos para ser o melhor

Ou seja, na perspectiva do craque português, a vaidade não é um defeito, mas sim a engrenagem que move sua disciplina milimétrica. Neste sentido, é curioso analisar como o atleta reage às adversidades e aos confrontos inevitáveis na vida pública que ele escolheu. 

CR7 se alimenta do ceticismo alheio e das provocações. Quando vaiado por torcidas rivais ou questionado pela crítica, seu orgulho ferido não o abate; funciona como um gatilho psicológico. Ronaldo transforma o desdém e o deboche em combustíveis, usando o desejo de calar os críticos para alcançar exibições implacáveis.

A título de exemplo, ficou famosa, nesta Copa do Mundo, a interação de Cristiano com o jornalista Marcelo Bechler, na véspera da partida contra a Espanha, válida pelas oitavas de final. 

O atacante pediu para que o jornalista brasileiro fizesse uma pergunta a ele na entrevista coletiva. “Desafio aquele ali, aquele ali, a fazer uma pergunta boa, já que não gosta de mim”, disse o craque português.Bechler é assumidamente fã de Messi, mas, em sua profissão de crítico de futebol, sempre destacou a trajetória grandiosa de Cristiano Ronaldo. E o apontou como um dos dez maiores jogadores de todos os tempos.  

Neymar
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Neymar

O lifestyle de Neymar

Mesmo aos 39 anos, Messi continua encantando amantes do futebol em todo o planeta. O veterano é um dos artilheiros da Copa do Mundo, com 8 gols, ao lado do francês Mbappé. E neste sábado (11) pode conduzir a Argentina a mais uma semifinal da competição, caso vença a Suíça.

Para tamanha longevidade esportiva, seguramente a vida extracampo de Lionel Messi é um dos pilares. O craque adotou uma postura estritamente discreta nas redes sociais. É casado com sua namorada de infância, Antonela Roccuzzo, e com ela tem três filhos.

Blindou sua vida pessoal em uma rotina pacífica, focada na família e distante de polêmicas. Essa estabilidade emocional funcionou como um porto seguro, permitindo-lhe manter o foco absoluto no esporte e, assim, estender sua permanência no topo do futebol mundial até o fim da carreira.

Em contrapartida, Neymar optou por um estilo de vida de alta exposição, tanto nas redes sociais, quanto na presença constante em festas, camarotes e eventos extracampo. O jogador brasileiro transformou-se em uma celebridade global, cujo comportamento fora das quatro linhas muitas vezes competia com seu desempenho no gramado. 

Assim, para muitos críticos e analistas esportivos, essa rotina cobrou um preço caro. O futebol de alto rendimento exige uma regeneração física impecável, algo difícil de conciliar com uma vida social agitada.

O desgaste natural biológico, somado a uma sucessão de lesões graves em momentos cruciais, gerou o consenso de que o estilo de vida de Neymar pode ter encurtado o seu auge técnico.Deste modo, Neymar teve um desempenho apagado na última Copa do Mundo da carreira. A Seleção Brasileira foi eliminada nas oitavas de final e ele teve poucos minutos em campo, diante da Escócia e Noruega

Argentina consegue virada heroica contra Egito
AFA

Argentina consegue virada heroica contra Egito

Messi – liderança positiva e respeito por adversários

A Seleção Argentina amargou um longo jejum de títulos, que começou com a conquista da Copa América em 1993. E só terminou em 2021, quando Messi, como capitão, levantou o troféu da mesma competição, no Maracanã, vencendo o Brasil na decisão. 

No apito final, Messi se ajoelhou no gramado e derramou lágrimas de emoção e alívio. Mas, na sequência, ele se recompôs e foi abraçar o amigo Neymar, que estava inconsolável (os dois foram companheiros no Barcelona e no PSG).

Além disso, durante as efusivas comemorações de um título tão sonhado, o volante De Paul tentou puxar um cântico provocativo aos brasileiros. Porém, a reação imediata de Messi foi fazer um sinal claro para que o meio-campista parasse com aquilo. A ordem prontamente foi acatada por todo o elenco.Essa liderança positiva gera um fenômeno raro no futebol moderno: a devoção mútua. Os jogadores argentinos não correm “apenas” pelo país ou por si mesmos; eles jogam para coroar o seu capitão.A simplicidade de Messi fez com que o grupo o enxergasse não como um monarca isolado no topo, mas como um companheiro de batalha que divide os méritos e assume as responsabilidades nos momentos de crise.

Isto cria uma grande sinergia do time entre si e com a torcida, que se sente representada dentro de campo, o  que vem sendo uma das chaves para as recentes conquistas da Albiceleste.

Derrotas podem forjar resiliência, humildade e sabedoria, transformando a dor e a frustração em evolução. O período traumático entre 1993 e 2021 foi decisivo para a formatação daquela que passou a ser considerada, por muitos, a maior e mais vitoriosa geração da Argentina, campeã mundial em 2022. 

A Argentina aprendeu a jogar por Messi. E Messi aprendeu a jogar por todos. 



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