mais que um zagueiro à disposição da Seleção

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O gol que abriu caminho para a vitória de virada sobre o Japão e a classificação do Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026™ nasceu do cruzamento de um zagueiro, Gabriel Magalhães.

Pensem nisso: um zagueiro ficou com a sobra de bola na entrada da área e, em vez de tocá-la de lado para o primeiro companheiro que aparecesse em sua frente, Gabriel simplesmente levantou a cabeça e caprichou no toque, conclucído, vejam só, por Casemiro, supostamente o cabeça-de-área da Seleção. Uma combinação no mínimo inusitada, mas que diz muito sobre o desenvolvimento do jogador do Arsenal.

O passe perfeito para a cabeçada de Casemiro não foi um fato isolado. Enquanto a Seleção corria em busca primeiro de um empate e depois do gol que definiu o 2 a 1 sobre a equipe nipônica, o camisa 3 largou mão de ser um simples defensor e passou a ser portar também como um legítimo armador quando necessário.

“A gente sabia que, no primeiro tempo, precisávamos ter ‘pesado’ um pouco mais a área, já que eles se defenderam praticamente em um 5-4-1, dificultando a nossa entrada. No segundo tempo, o ‘mister’ [Ancelotti] pediu para a gente pesar mais a área, e daí saiu o gol. Tivemos outras chances também — uma bola [do Vini] que por um pecado não entrou, e uma cabeçada minha em que o goleiro fez uma linda defesa”, afirmou Casemiro.

A sacada de Carlo Ancelotti para virar a chave do Brasil no intervalo em Houston talvez não previsse que uma assistência no jogo aéreo viesse de um zagueiro, para evitar uma eliminação já no primeiro mata-mata deste Mundial. Mas o jogador de 28 anos estava preparado para executar a jogada ainda assim.

Na recém-encerrada campanha que deu ao Arsenal o primeiro título da Premier League inglesa desde 2003/04 e o segundo vice-campeonato europeu da sua história, Magalhães muitas vezes se comportou como um centroavante goleador e como um meia criativo, daqueles capazes de produzir as mais efetivas jogadas de ataque.

Com 1,90 m, ele é o jogador de linha mais alto da Seleção e e está entre os maiores do campeão inglês. Também por isso, o zagueiro é uma das peças mais buscadas dentro de área pelos cobradores de faltas e escanteios nas jogadas de bola parada que fizeram a fama dos Gunners nesta temporada.

Resultado: Magalhães marcou três gols na última edição da Premier League e registrou média de quase uma finalização por partida (0,8 para ser mais exato).

Mas, bem, zagueiros que balançam as redes adversárias não são tão raros assim, especialmente aqueles que são bons no jogo aéreo. A diferença é que o brasileiro conseguiu algo bastante improvável para jogadores da sua posição: deu mais assistências do que fez gols.

Quatro gols do Arsenal no Campeonato Inglês nasceram de passes dados pelo zagueiro. A marca supera até mesmo a de alguns dos meio-campistas do time londrino, como Mikel Merino (3), Eberechi Eze (2) e Martín Zubimendi (1).

Na Seleção, Magalhães ainda não mostou muito da sua faceta artilheira e só marcou uma vez em 21 partidas (contra a Venezuela, em 2023, pelas Eliminatórias). Em compensação, o lado armador já decidiu jogo e até classificação para o Brasil na Copa.

* ascom/Fifa

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